Pão e Poesia por Vera Barbosa - UOL Blog
CD resgata Baden Powell ao vivo

por Beto Feitosa

Show gravado em Bruxellas um ano antes de sua morte é lançado

Cinco anos depois de sua morte, Baden Powell volta em um CD gravado ao vivo em um de seus últimos shows. A apresentação em Bruxelas (capital belga), em 1999, mostra o violão mágico do compositor, casando a precisão da técnica erudita com um balanço totalmente popular. Lançado agora pela Lua Music, Baden Powell live à Bruxelles mostra o prestígio que o artista sempre teve nos palcos europeus, onde fazia turnês desde a década de 1960.

Impressionante o vigor de Baden nas cordas. Aos 63 anos um homem franzino de aspecto frágil cresce quando pega o violão e faz mágica em números como Samba do avião, de Tom Jobim, ou Naquele tempo, de Pixinguinha e Benedito Lacerda. A já tão batida Garota de Ipanema ganha ares diferentes dos habituais. Com maestria Baden recria a Asa branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e até uma supreendente versão para Jesus alegria dos homens, de Bach.

Dos afro-sambas que fez ao lado do poeta Vinicius de Moraes, renegados em uma fase de evangélico radical, traz a inevitável Berimbau. Entre suas composições com o poetinha ainda mostra Consolação, Samba em prelúdio e finaliza com a obrigatória Samba da benção. Da dobradinha com Billy Blanco lembra Samba triste, além de composições solo como Marcha escocesa e Vento vadio.

À vontade, se arrisca a cantor alguns números, mas a voz é fraca e o violão acaba cobrindo. As músicas cantadas, da metade para o final do show, perdem a força que teria o músico e seu instrumento sozinhos no palco. Mas não tira o brilho da apresentação. Banden faz seu violão praticamente falar, não precisa de mais nada.

Homenageado na última edição do Prêmio TIM de Música Brasileira, Baden merece ser mais ouvido e conhecido. Um artista genial, importante compositor e um dos maiores violonistas que o país já teve. Esse álbum, ao vivo e à vontade, mostra o que o gênio era capaz de fazer nas cordas de seu instrumento.

Ziriguidum

MPB na TV


Cultura dedicará 14 horas semanais para MPB
 

A TV Cultura vai dedicar em sua programação 14 horas semanais para a música popular e instrumental brasileira. As mudanças na grade ocorrem a partir desta quarta-feira, dia 31. Com isto, a emissora será a única em canal aberto a oferecer tamanho espaço a cantores, compositores e músicos brasileiros. Serão seis programas que irão abordar os mais diversos estilos e gêneros da música nacional.

O ClipeArte estréia na quarta-feira, com apresentação da atriz e cantora Amanda Acosta. O programa será exibido de segunda a sexta-feira, às 18h, com meia hora de duração, e será dedicado exclusivamente a videoclipes de música popular brasileira de diversos gêneros e estilos.

O Bem Brasil, que agora será realizado no Sesc Pompéia, começa neste sábado, dia 3, às 17h e será apresentado por Wandi Doratiotto. O cantor pernambucano Alceu Valença fará o show de reinauguração do programa.

A partir da próxima semana, todas as terças-feiras, à 1h, será a vez do Bis Bem Brasil, que irá apresentar os grandes show do programa.

Nas quintas, a partir de 08 de setembro, também à 1h, a Cultura apresenta o Repertório Popular, um programa que irá mostrar espetáculos com grandes artistas nacionais e irá se dedicar a contextualizar a música em determinadas épocas e gêneros.

Já o Imagem e Som será exibido a partir do dia 24 à 1h. O programa que copará a grade de sábado, exibirá um catálogo de vídeos dos mais importantes nomes da música popular brasileira.

O Festival Cultura - A Nova Música do Brasil terá duas semifinais, a primeira nesta quarta-feira e a segunda no dia 7 de setembro, também na quarta-feira, às 22h, com transmissão direta do Sesc Pinheiros pela TV Cultura e pela Rádio Cultura AM. A final acontece no dia 14 de setembro.
 
Redação Terra

Shows - Agenda

Adriana Calcanhoto
27/08 e 28/08
CIE Music Hall (SP)
de R$ 40 a R$ 80

A cantora faz show para o público infantil com as músicas do disco "Adriana Partimpim". Além das dez canções do CD, outras oito estão inclusas na programação, entre elas os clássicos "Acalanto" de Dorival Caymmi e "O Poeta Aprendiz" de Vinícius e Toquinho. Horário: 17h. O CIE Music Hall fica na av. Jamaris, 213, Moema. Informações: (11) 6846-6040. 

Paulo Moura e Yamandu Costa
  29/08
Teatro Alfa (SP)
R$ 30 

O clarinetista e o vilonista sobem ao palco para interpretar o repertório do álbum "El Negro Del Blanco". O disco tem como proposta um passeio musical pela América Latina e inclui composições como "Decaríssimo" de Astor Piazzolla, "Duerme Negrito" de Atahualpa Yupanqui, "Gracias a la Vida" de Violeta Parra e "El Camino de La Vereda", famosa na gravação do Buena Vista Social Club. Horário: 21h30. O Teatro Alfa fica na r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro. Informações: (11) 5693-4000 e 0300 789-3377. 

Max de Castro
  01/09, 02/09, 03/09
SESC Vila Mariana (SP)
de R$7,50 a R$ 20

Show de lançamento do CD Max de Castro, composto, produzido e arranjado pelo músico, que apresenta canções em parceria com Lulu Santos, Naná Vasconcelos e do Trio Mocotó. Horário: Quinta, sexta e sábado, às 21h. O Sesc fica na Rua Pelotas, 141, Vila Mariana.

Peranzzetta grava DVD com Joyce

Mauro Ferreira

O pianista e compositor Gilson Peranzzetta vai aproveitar o show de lançamento de seu disco Manhã de Carnaval - nesta terça-feira, 23 de agosto, às 19h, na Sala Baden Powell, no Rio de Janeiro - para gravar seu primeiro DVD.

A gravação contará com as participações de Joyce (convidada do CD na faixa Mistérios, parceria sua com Maurício Maestro), Wanda Sá, Mauro Senise, Maurício Einhorn e David Chew. No disco, o 32º de Peranzzetta, o pianista conta também com a adesão de Ivan Lins, que canta Daquilo que Eu Sei, parceria com Vítor Martins, de 1981.

O Dia

DVDs de Chico Buarque são um sucesso

por EMI

As primeiras três partes da série especial em DVDs sobre a vida e a carreira de Chico Buarque, dirigida por Roberto Oliveira, são um enorme sucesso. Estima-se que em seu primeiro mês nas lojas, os DVDs - "Meu Caro Amigo", "À Flor da Pele" e "Vai Passar" - somarão juntos mais de 100 mil unidades vendidas! Cada DVD tem foco em um período específico da carreira deste grande artista e traz canções clássicas e obras inéditas.

Com o sucesso dos três primeiros produtos (disponíveis também junto em uma caixa especial), já começa também a produção do Volume 2 da coleção. Os discos 4, 5 e 6 - que também serão colecionados em uma caixa - têm lançamento previsto para outubro. Os títulos serão: Chico & Tom, Mangueira e Teatro. Aguarde!

Music News

Compositores contra o mensalão: justa indignação com a corrupção ou mero desejo de ganhar espaço no jornal?

Mauro Ferreira

 

A indignação com a onda de corrupção que asfixia o governo de Lula tem motivado artistas a compor músicas contra os políticos, em alusão direta ou indireta ao mensalão. Primeiro, foi Ana Carolina que se juntou a Tom Zé (foto) para criar a primeira e inusitada parceria de ambos, Unimultiplicidade - anunciada à imprensa com pompa e circunstância, com direito a uma apresentação em rede nacional no programa Domingão do Faustão.

Depois, a inclusão da inédita Vossas Excelências, no MTV ao Vivo, dos Titãs gerou repercussão - como se o grupo nunca tivesse feito músicas politizadas.

No fim de semana, foi a vez de Gabriel O Pensador, que aproveitou a estréia carioca do show de lançamento de seu sétimo CD, Cavaleiro Andante, para inserir no roteiro a inédita Excelência - mais um protesto contra a situação política do Brasil (em forma de rap, claro).

O Dia

Jovem Guarda: programa que deu nome a iê-iê-iê nacional faz 40

da Redação

"Jovem Guarda" faz 40 anos; programa consolidou e deu nome ao rock brasileiro dos anos 60


O cantor Roberto Carlos em foto tirada na década de 60 (Folha Imagem)

O programa "Jovem Guarda", que ficou no ar de 65 a 68 na TV Record e consolidou o movimento musical homônimo, liderado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, completou 40 anos nesta segunda (21).

Aproveitando-se de um público que já vinha sendo formado no Brasil desde o final dos anos 50, por Celly, Tony Campello e Ed Wilson, entre outros, o programa capitalizou em cima da fama dos "novos" ídolos do rock nacional e se tornou o nome pelo qual o iê-iê-iê brasileiro ficaria conhecido.

Transmitido ao vivo para São Paulo, do Teatro Record (posteriormente do Teatro Paramount), o programa explodiu em audiência no ano seguinte à sua estréia, e tornou-se o líder de audiência nas tardes de domingo, horário em que era transmitido.

Um dos maiores méritos do programa foi a profissionalização do músicos que nele se apresentavam. A partir do "Jovem Guarda", artistas e bandas de rock passaram a ser reconhecidas nacionalmente e de fato a ganhar dinheiro.

Em seus três anos de existência, apresentaram-se no programa os maiores nomes do rock brasileiro da época, como Jorge Ben (hoje Benjor), Leno e Lílian, The Fevers, além, é claro, dos próprios apresentadores: Roberto, conhecido então como o "Brasa", Erasmo, o "Tremendão", e Wanderléia, a "Ternurinha".

Em janeiro de 68, Roberto deixou a apresentação do programa para dedicar-se a sua carreira cada vez mais internacionalizada --naquele ano, o cantor venceu o festival de San Remo, na Itália, com a música "Canzone Per Te", de Sergio Endrigo-- e sua carreira no cinema.

O programa prosseguiu sob o comando de Wanderléia e Erasmo até junho, quando terminou definitivamente, mas ficou como um marco na história da televisão e da música brasileira, por haver catalisado o primeiro grande movimento cultural brasileiro direcionado ao público jovem: a jovem guarda.

Uol Música - 22/08/2005

Daniela canta Beatles, Bosco, Roberto, Djavan, Gil e Tom em 'Clássica'

Mauro Ferreira

Daniela Mercury já gravou disco de inéditas de forma independente e prepara o lançamento para este semestre. Mas, antes, a cantora volta às lojas via Som Livre através do CD e DVD Clássica, que trazem a gravação ao vivo feita pela cantora, no ano passado, no projeto Credicard Vozes, na casa Bourbon Street, em São Paulo (SP).

No repertório, a ex-diva do axé se aproxima do universo da MPB e entoa músicas de autoria d e Gilberto Gil (Se Eu Quiser Falar com Deus, Divino Maravilhoso), Roberto Carlos (Sua Estupidez), Djavan (Serrado), João Bosco (Corsário), Tom Jobim (Derradeira Primavera, Brigas Nunca Mais) e Chico Buarque (Atrás da Porta), além de um clássico dos Beatles (And I Love Her).

Daniela assina Maria Clara e Aeromoça. E por falar em Daniela Mercury, a artista virou dona de sua obra fonográfica. Com a rescisão do contrato com a Sony BMG, a cantora ficou com as matrizes de seus discos e tem o direito de reeditá-los no Brasil e no exterior. Aliás, Daniela acabou de lançar Carnaval Eletrônico na Espanha.

O Dia

Partimpim cresce

Tárik de Souza

Um projeto iniciado de forma despretensiosa ganha dimensão cada vez maior. O heterônimo infantil de Calcanhotto, Adriana Partimpim, depois do sucesso em shows e CD, vai virar CD ao vivo e DVD.

A gravação será amanhã, às 17h, no Teatro Carlos Gomes, com direção de Hamilton Vaz Pereira e Leonardo Netto e os músicos Dé Palmeira (baixo), Guilherme Kastrup (percussão), Ricardo Palmeira (guitarra) e Marcos Cunha (teclados).

Além dos hits do disco inicial (Fico assim sem você, Oito anos), entram inéditas como Quando Nara ri (parceria de Adriana com Kassin), além de canções do livro um gato chamado Gatinho, de Ferreira Gullar, que ela musicou: Ron ron do Gatinho, Gato pensa? e O gato e a pulga.

Jornal do Brasil

Filha de Joyce recria o nobre repertório de Nara no CD 'Samba Sincopado'

Mauro Ferreira

O repertório visionário de Nara Leão (1942-1989) foi recriado por Ana Martins, filha de Joyce, no CD Samba Sincopado, gravado para o mercado japonês e lançado no Brasil este mês pela Biscoito Fino. Ana já editou três discos no Japão, mas Samba Sincopado é o primeiro a sair no mercado nacional.

A seleção inclui músicas de Paulinho da Viola (Recado e Coisas do Mundo, Minha Nega), Zé Kétti (Nega Dina e Diz que Fui por Aí), Francis Hime (Anoiteceu), Sidney Miller (um dos compositores preferidos de Nara, representado no disco por Maria e por Maria Joana), Assis Valente (Fez Bobagem), Chico Buarque (Morena dos Olhos d'Água, Homenagem ao Malandro e Madalena Foi pro Mar) e Nelson Cavaquinho (Pranto de Poeta), entre outros autores do primeiro time da música brasileira.

O Dia - 19/8/2005

MPB, crítica de CD - Novo disco,

Da Sucursal do Rio

Obsessão "favela chic" retira força musical de Seu Jorge

Como cantor e compositor, Seu Jorge é cada vez mais um ator. Não porque atue em vários filmes ("Cidade de Deus", "Casa de Areia", o norte-americano "A Vida Marinha de Steve Zissou" etc.), mas por estar em campanha para se firmar como um "brasileiro para exportação".

Negro de infância pobre, músico autodidata, poliglota improvisado, supostamente bonito, versátil (ator, cantor...), sambista e pop ao mesmo tempo, Seu Jorge serve bem como "matéria-prima exótica" para a ala da indústria cultural primeiro-mundista que se diz independente. Ele poderia ser mais do que isso, mas parece estar gostando do papel.

Em "Cru", seu novo CD, ele, "cosmopolita", grava (sem empolgar) em italiano, inglês e faz uma versão de "Chatterton", do francês Serge Gainsbourg. Seu Jorge não tem mais tempo para se prender a fronteiras. "Em um período de descanso entre trabalhos no Brasil e [em] Hollywood, Jorge foi à França recarregar suas baterias e gravou seu novo álbum", assinala o release do disco.

Ele se cercou de poucos músicos para fazer um "surpreendente e intimista álbum" (sempre o release), gravando versões acústicas de seus sucessos "Mania de Peitão" -uma bobagem metida a crítica comportamental, na qual a clássica "Ai que Saudades da Amélia" (Ataulfo Alves/Mário Lago) entra de gaiata- e "São Gonça", esta uma boa música.

Artista de brilho tão intenso que desafia a semântica, Seu Jorge mostra em "Cru" uma "extraordinária simplicidade". Ou seja, é tão simples, tão cool, tão cru que se torna superlativo, na visão constrangedora do release, que, salvo escrito por algum "delúbio" autônomo, é também a visão que o cantor tem de si mesmo hoje.

"Seu Jorge, um brasileiro de 35 anos, é um homem elegante e cheio de estilo, do tipo que se sobressai na multidão. Uma figura que tem a habilidade de transformar sua simples camiseta em "roupa de festa" e vice-versa: ele se sente em casa em qualquer situação, e costuma influenciar na decoração de um ambiente apenas com sua presença...".

O parágrafo acima, o primeiro do release, soa como uma declaração de princípios do atual Seu Jorge, aquele que se fascina com o próprio "sucesso internacional" e vai esvaziando sua força musical.

Esta existe, sim, e aparece, por exemplo, na interpretação da bela canção romântica "Bola de Meia" (de Duani); no canto de "Una Mujer" (Robertinho Brant/Murilo Antunes), em que as pitadas de espanhol complementam o cortejo ao público internacional; e em "Eu Sou Favela", um grande samba de Noca da Portela e Sérgio Mosca que, agora, já soa meio deslocado na voz de Seu Jorge.

"Sua infância nas favelas cariocas o deixou com um certo envolvimento político...", diz o release. Esse "certo" diz mais sobre o momento de Seu Jorge do que deve perceber quem escreveu o texto.
Talvez não por acaso, o CD é produzido por Gringo da Parada, fundador do bar e restaurante Favela Chic, de Paris. Seu Jorge, que tem passado boa parte de seus dias "recarregando as baterias" na França, vem se tornando isso: um "favela-chique".

Não que ele tenha de ser "favela-marginal", cultuando uma visão autocomiserativa que só serve -como acontece com sambistas que a adotam- para reforçar estigmas e guetos. Mas seria bom ver seu talento transformando-o em alguém forte (artisticamente, não como peça de decoração). Ao que parece, ele prefere ser um personagem. E este não é bom. Pior para nós. (LFV)

Cru
Artista: Seu Jorge
Gravadora: ST2
Quanto: R$ 24, em média

Folha Ilustrada

Novo CD de Gal começa a tocar hoje

Mauro Ferreira

Parceria de Lokua Kanza com Carlos Rennó que abre o novo CD de Gal Costa, Hoje (capa acima), Mar e Sol começa a tocar nas rádios a partir desta sexta-feira, 19 de agosto. O disco marca a estréia da cantora na gravadora independente Trama e chega às lojas no dia 31.

Produzido por César Camargo Mariano, o álbum traz 14 faixas - a maioria de compositores da cena alternativa. Pela ordem, as faixas são Mar e Sol, Voyeur (Péri), Pra que Cantar (Nuno Ramos), Te Adorar (Lokua Kanza e Carlos Rennó), Santana (Junio Barreto), Hoje (Moreno Veloso), Jurei (Nuno Ramos e Clima), Logus-Pe (Tito Bahiense), Luto (Caetano Veloso), Nada a Ver (Hilton Haw, Lenora de Barros e Marcos Augusto), Os Dois (Moisés Santana), Sexo e Luz (Lokua Kanza e Carlos Rennó, com a participação de Lokua), Embebedado (Chico Buarque e José Miguel Wisnik) e Um Passo à Frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro).

O Dia - 19/8/2005

A Gravadora Eldorado está de volta!

James Lima

Uma das principais gravadoras do mercado musical brasileiro está voltando com suas atividades. A gravadora assinou contrato com a Distribuidora Independente (Trama). Com catálogo de altíssima qualidade e preciosidades como Cartola, Adorinan Barbosa, K-Ximbinho e cantoras famosas da atualidade no início de suas carreiras como Daniela Mercury e Zélia Duncan, a Eldorado deixou saudades quando no final de 2001 decidiu encerrar suas atividades.

Neste período o Prêmio Visa era a única ligação da gravadora com o mercado musical fazendo apenas os lançamentos dos CDs dos ganhadores do prêmio como: Mônica Salmaso, Yamandú Costa e agora o jovem virtuoso Danilo Brito. Segundo seu manager Murilo Pontes a gravadora pretende aos poucos relançar o catálogo e produzir novos CDs. Os primeiros lançamentos previstos para o mês de outubro são "Lounge Eldorado" e o novo CD de Nunes Mindelis.

Boa sorte Eldorado!

Music News

Liberdade de voltar atrás e ir para a frente

João Bernardo Caldeira

Canto em qualquer canto, mais novo disco de Ney Matogrosso, não estava nos planos do cantor. Ele já reunia músicas para um novo trabalho quando foi convidado para fazer um show para o Canal Brasil, emissora de TV por assinatura, no Teatro Sesc Pinheiros, em São Paulo, em dezembro.

Selecionado o repertório, foi decidido que o material seria lançado em CD e DVD pela Universal Music. Está adiado, portanto, o projeto idealizado anteriormente, que reúne músicas de nomes como Fred Martins e Jorge Drexler.

Jornal do Brasil

Tom Jobim: Breves instantes do maestro

Luís Pimentel

Lançado a princípio como brinde de uma grande empresa de engenharia, Tom Jobim inédito foi gravado em 1987 e teve uma primeira distribuição em 1995. Agora, dez anos depois, tem lançamento e distribuição nacional pela Biscoito Fino, ótima oportunidade para os apreciadores da obra do maestro soberano se deliciarem com acordes e arranjos inconfundíveis.

Neste disco, Tom apresenta recriações delicadas para alguns clássicos de seu repertório – Chega de saudade, Garato de Ipanema, Por causa de você, Eu sei que vou te amar, Águas de março e Desafinado – entre eles. Gravado em clima de absoluta descontração e alegria, o clima de convivência entre Tom Jobim e seus músicos mais queridos – o filho Paulo e o maestro Jaques Morelembaum (também responsáveis pela direção musical e pelos arranjos), o “sobrinho” Danilo Caymmi, Sebastião Neto, Paula e David Sacks – e entre Jobim e seu vocal mais íntimo – a mulher Ana Lontra, Elizabeth Jobim, Maúcha Adnet, Simone e Paulinha Morelenbaum –, está o tempo todo presente.

Diversas canções anteriormente gravadas por outros intérpretes são apresentadas pela primeira vez na voz do compositor. Interpretações como as do maestro para Sabiá (com Chico Buarque) ou Samba do avião, de Paula Morelenbaum (com piano de Tom ao fundo) para Canção do amor demais (com Vinicius) ou de Danilo Caymmi em A felicidade (Tom e Vinicius) garante a qualidade e permanência deste CD, permanente por natureza.

Revista Música Brasileira

Sérgio Natureza reúne momentos de sua bela obra como letrista

Luís Pimentel

Como o personagem de sua crônica poética, musicada com acordes delicados por Paulinho da Viola, Sérgio Natureza “vive do presente e acende a vela no breu”. Poeta de livros (O surfista no dilúvio, entre outros) e da canção (inúmeras, com inúmeros parceiros), esse carioca da Zona Norte, escolado na Zona Sul, tem produzido muita chama de esperança em momentos mais escuros da MPB. Sérgio está inaugurando a série Poetas da Canção (produzida pelo selo fonográfico Sesc Rio Som), com a reunião de parte de sua obra no CD Um pouco de mim. Desde o batismo de fogo que foi a gravação por Elis Regina e mais tarde regravada por Nei Matrogrosso, de As aparências enganam (parceria com Tunai), muitos sucessos, parceiros e intérpretes os mais diferenciados passearam por sua obra.

– Ser gravado por por Elis Regina era como receber um atestado de qualidade. Foi muito importante para mim. Neste disco procurei retribuir o carinho na releitura que fiz de As aparências. Lancei mão de um artíficio, colando pequenos trechos na voz da Elis (autorizados pela editora e pelos herdeiros), que funcionam com vinhetas abrindo e fechando a canção. No meio, eu digo a letra inteira, em cima da base instrumental do grande tecladista Keco Brandão. Acho que ficou bacana – diz Sérgio.

A obra emblemática de Sérgio Natureza conta com mais de 250 músicas gravadas, com os mais diversos parceiros e intérpretes. Um pouco de mim abre com Roda morta, parceria desconcentante (“Colônia de abutres colunáveis/gaviões bem sociáveis/vomitando entre os cristais”), que permaneceu inédita por mais de 20 anos, de Sérgio Natureza com Sérgio Sampaio (compositor capixaba talentosíssimo, que morreu cedo mas deixou uma grande obra), interpretada com cacoetes e inflexões bem sampaianas pelo maranhense Zeca Baleiro. A mesma canção estará presente em disco que Baleiro prepara inventariando a obra do elétrico e angustiado Sampaio, cujo sucesso mais popular foi o samba Eu quero é botar meu bloco na rua. Foram grandes amigos e nos anos 90 Natureza ajudou a organizar o disco Baú do Sampaio, primeira tentativa de reunir a obra do xará.

– Algumas músicas, até mais conhecidas, por várias circunstâncias não puderam fazer deste CD. Todos os participantes foram convidados por critérios de absoluta identidade com o que eu pretendia para a canção – explica o artista.

Além de As aparências enganam (“... aos que odeiam e aos que amam/porque o amor e o ódio se imanam na fogueira das paixões”), Roda morta e Vela no breu (música que batizou nos anos 80 um inesquecível show de Paulinho da Viola no Teatro Casa Grande), Um pouco de mim traz mais 15 canções que une Sérgio aos seus parceiros mais ou menos constantes, como Tunai (Frisson, Nadando no seco, pra sempre, Eternamente) Rosa Passos (Sutilezas), Lenine (Maná), Cristóvao Bastos (Interiores), Guinga (Nem mais um pio), Marcos Leite (Bela), Zé Luiz Mazziotti (Bastante) e Paulo Baiano (À margem). Da parceria com Paulinho da Viola, estão no disco ainda dois sambas com atmosfera de sinuca: Pelos vinte e Brancas e pretas (cantada por Amélia Rabelo, com arranjos e acompanhamentos de Raphael Rabello. Segundo a intérprete, trata-se do único registro que se mantinha inédito do soberbo violonista). A geração de Sérgio Natureza em pródiga em grandes letristas. Estão aí Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Vítor Martins e Abel Silva, entre outros que confirmam a tese. Quem impressiona mais o poeta?

São muitos entre os da minha geração e tantos na geração que veio logo depois, que prefiro nem citar um outro. Mas quero lembrar dois nomes da novíssima geração, dois Mauros: o mineiro Mauro Mendes e o carioca Mauro Aguiar.

O projeto Poetas da Canção – idealizado e coordenado pelo próprio Sérgio – pretende contemplar a obra de vários letristas que sedimentaram suas carreiras nos anos 80. A maioria está em franca atividade (Salgado Maranhão, Antônio Cícero, Bráulio Tavares, Murilo Antunes, Geraldo Carneiro e Paulo César Feital entre eles) e alguns já falecidos, como Paulo Emílio, Tite de Lemos e Cacaso. O disco de Sérgio foi feito, como ele mesmo diz, “quase num mutirão de afeto”, com os intérpretes, músicos e técnicos recebendo muito pouco ou quase nada, mas todos atuando literalmente por amor.

Um pouco de mim sai em duas versões: o CD em separado ou numa caixa, acompanhado de livreto com textos curtos inéditos do autor e ilustrações de Chico Caruso.

À venda nas lojas, nas unidades do Sesc ou pela Internet: www.sergionatureza.com.br

Revista Música Brasileira

Revista MB Recomenda

Luís Pimentel

Serenin - César Nascimento

Com influências melódicas – na pegada e na batida – de conterrâneos nordestinos de boa cepa, como Geraldo Azevedo ou o Quinteto Violado, o maranhense César Nascimento lança um disco (o quinto de sua carreira) para celebrar a alegria de compor e de tocar. Serenin (produção independente, realizada com apoio do governo do Maranhão) mostra um criador maduro, bom letrista (“E o mar? Vou encher pra humanidade se banhar/Depois clonar d´um quadro de Dali”), melodista e arranjador inventivo, cantor de voz segura e personalíssima, que soube se cercar de músicos competentes: o acordeon de Zé Américo Bastos na canção-título do CD é prova suficiente. Corram atrás, que vale a pena. Não encontrando nas lojas, peça ao autor: cesarnascimento@yahoo.com.br.

Revista Música Brasileira

Zeca Baleiro para tocar no rádio

Donizeti Costa

Quinto CD do músico, “Baladas do Asfalto & Outros Blues” tem canções sob medida para romances

O rebanho engorda mais sob os olhos do dono, diriam alguns. Zeca Baleiro, em seus primeiros discos, levou o ditado ao pé da letra. Fazia questão de acompanhar a evolução de suas reses-canções desde o parto – ou a composição – até que ela fosse para a mesa (de som?) do público-consumidor, tal qual suculentos filés-mignons. Em “Baladas do Asfalto & Outros Blues” (MZA/Universal, preço médio: R$ 28) – seu quinto CD de inéditas –, ele preferiu delegar poderes para que os produtores Walter Costa e Dunga fizessem como quisessem a sua parte. “Só a certa altura meti o bedelho”, diz ele. O novo CD, talvez pela vocação radiofônica dos dois, é talvez o mais simples da carreira do músico maranhense. Não há nem temas de arrojo temático como “Heavy Metal do Senhor” nem arranjos rebuscados como os do anterior, “PetShopMundoCão”, em que ele emendou rock, brega, samba e outros gêneros a música eletrônica. “Neste disco, fizemos algo bem básico, tipo ao vivo no estúdio, com os mesmo músicos que viajam comigo”, conta Zeca.

Tal como o próprio nome sugere, “Baladas do Asfalto & Outros Blues” é um CD em que predominam levadas lentas, quase faladas, que lembram “Por Onde Andará Stephen Fry”, “Lenha”, “Telegrama” e outras. Livre de experimentalismos, sai com mais potencial de tocar no rádio que todos os que Zeca já gravou até aqui. A escolhida para puxar o trabalho foi “Alma Nova”. Mas bem que poderia ser “Flores no Asfalto” ou “Quando Ela Dorme Em Minha Casa”. Ambas têm clima para embalar romances, sejam eles de novela ou na vida real. “Tudo silencia/ Ouço só meu coração/ A rua acaba e meus sonhos vão/ piso na poça uma moça estende a mão/ meus olhos brilham vejo o céu no chão”, diz a letra da primeira, parceria dele com Gerson da Conceição.

A gravação do disco demorou seis meses. Mas, por não envolver-se na produção, Zeca arranjou tempo para finalizar dois projetos que deverão chegar às lojas em setembro, por seu próprio selo, o Saravá Discos. Um é “Cruel”, o aguardado CD de inéditas de Sérgio Sampaio (1947-1994). O outro traz dez poemas de Hilda Hilst, musicados por ele, e interpretados por Maria Bethânia, Rita Ribeiro, Zélia Duncan, Angela Maria e outras cantoras.

Diário de S. Paulo

CD e DVD acústicos para resgatar o passado

Marcos Paulo Bin


Divulgação/Washington Possato

Armandinho (ao centro) e a formação “clássica” do grupo A Cor do Som, que está de volta para a gravação de um CD e DVD acústicos  

No embalo da onda de revival e do fortalecimento do mercado de DVDs, tábua de salvação da indústria fonográfica após a pirataria ter engolido a venda de CDs, o grupo A Cor do Som está de volta. Formado nos anos 70 e considerado um dos primeiros grupos a incorporar elementos de rock à MPB, servindo de inspiração para a geração anos 80 do Rock Brasil, A Cor do Som reúne sua formação mais conhecida para a gravação de um CD e DVD acústicos, no Rio de Janeiro.

No tradicional Canecão, Armandinho (guitarra baiana), Ary Dias, (percussão), Dadi (baixo), Gustavo Schroeter (bateria) e Mu Carvalho (teclados) vão relembrar sucessos como Zanzibar, Beleza Pura, Menino Deus, Abri a Porta, Alto Astral, Swing Menina, Palco e Semente do Amor. Também serão apresentadas algumas canções inéditas, autorais e de terceiros. A banda será reforçada por Jorge Gomes (irmão de Pepeu, integrante da formação original da Cor do Som) e Marcos Nimrichter (acordeom). Como convidados, o padrinho Moraes Moreira e o filho dele, Davi Moraes.

O espetáculo promete um grande aparato visual. A direção será de Jorge Fernando, e o cenário está a cargo de Zé Carrato, que, entre outros trabalhos, assina a belíssima cenografia do Acústico MTV do Ira!. O CD e o DVD serão lançados ainda em 2005 pela gravadora Performance Be Records, com distribuição da Som Livre. Depois da gravação, o grupo segue em turnê pelo país.

Este será o primeiro disco da Cor do Som em quase 10 anos; o último trabalho foi A Cor do Som Ao Vivo no Circo, gravado em 1996 no Circo Voador. Naquela época, como em 2005, o grupo reunia sua formação clássica para fazer um disco ao vivo, no Rio, após um hiato de nove anos. O álbum rendeu ao quinteto, no ano seguinte, o prêmio Sharp na categoria Melhor Grupo Instrumental.

Um pouco de história

A Cor do Som original nasceu dentro do grupo Novos Baianos, na época do histórico LP Acabou Chorare, de 1972. A formação trazia Pepeu Gomes, o irmão Jorge (ambos na guitarra), Dadi (baixo) e Baixinho (bateria). Em 1976, quando Moraes Moreira deixou os Novos Baianos para seguir carreira solo, levou consigo Dadi (a quem Caetano Veloso homenageou na canção Leãozinho), que por sua vez convidou Armandinho e Gustavo Schroeter. O trio acompanhou Moraes por dois anos, até que decidiu formar uma banda independente.

Com a entrada do tecladista Mu, retomaram o nome A Cor do Som, por sugestão de Caetano. A primeira apresentação foi no Festival Nacional do Choro, em 1977, onde chamaram a atenção pela habilidade em números instrumentais. No mesmo ano, o quarteto lançou o LP de estréia pela multinacional WEA, recém-instalada no Brasil. A gravadora via na Cor do Som o potencial de falar com a juventude brasileira e construir uma carreira no exterior.

Em 78, já como um quinteto, com a adição do percussionista Ary Dias, A Cor do Som foi a primeira banda brasileira convidada a participar do Festival de Jazz de Montreux. A apresentação rendeu um disco ao vivo, o segundo do grupo.

Até 1981, A Cor do Som lançou mais três bons discos, Frutificar (79), Transe Total (80) e Mudança de Estação (81), que emplacaram diversos sucessos. Com a saída de Armandinho, para se dedicar ao trio elétrico, o grupo começou a perder a identidade. Mudou de formação várias vezes até acabar em 1987, após o LP Gosto do Prazer.

Nos últimos anos, cada integrante desta formação vinha se dedicando a projetos pessoais. Armandinho lançou ótimos discos instrumentais, assim como Mu Carvalho, que também é músico de estúdio e autor de trilhas sonoras para a TV Globo. Ary tocou com Gilberto Gil e Rita Lee; Dadi, com os Tribalistas (juntos e separados) e Caetano Veloso; e Gustavo, com Zé Ramalho e Jorge Ben Jor.

Universo Musical

 

A eclética Zizi canta de Sinatra a Freddie Mercury, mas não contagia a platéia
Por Vera Barbosa


Zizi em figurino sofisticado: desconforto.
foto: Ziriguidum.com

Faltando um pedaço. Não, não é canção de Djavan. Refiro-me ao show de Zizi Possi, 14/08, no Teatro Shopping Frei Caneca, São Paulo. Não questiono o excelente repertório (que misturou irmãos Gershwin, Cole Porter, Bob Marley, Queen e Beatles), tampouco os reconhecidos talento e versatilidade de Zizi, dona de uma voz belíssima e de cujos floreios e técnicas vocais todos falam bem - inclusive eu. Entretanto, nesta apresentação (e por mais que Zizi demonstrasse intimidade com a letra das canções), a intérprete não esteve plena. Talvez pela gripe, notável desde a primeira canção, e da qual ela mesma falou quase no final do show. O fato é que havia uma lacuna entre Zizi e seu público.

O figurino de Fábio Namatami não a deixou muito à vontade. Havia, ali, uma Zizi presa, sem liberdade de movimento. Sempre indago sobre o papel dos figurinistas, pois creio que cada um devia ser o seu próprio. Afinal, ninguém melhor do que a gente para saber o que nos veste confortavelmente. E conforto deveria vir antes de beleza estética ou adequação de repertório. Talvez eu esteja equivocada e Zizi me desminta, mas eu a vi sob um tremendo desconforto no palco.

Aprecio muito o trabalho de José Possi Neto, seu irmão, como diretor, mas, desta vez, tenho algumas ressalvas. Os músicos poderiam estar mais integrados ao espetáculo - o que só ocorreu com o maestro. A cada canção, era a ele que a diva se dirigia, exceto no momento de apresentar a banda. No mais, Marcos Paiva - baixo e Alexandre Damasceno - bateria ficaram à parte. Era Jether Garotti Jr., piano e teclados, o centro das atenções.

Possi Neto também poderia ter dado asas à irmã, para que voasse entre acordes e nuances de sua personalidade. A Zizi que vi estava com passos, caras e bocas muito marcados, sem liberdade de criação, totalmente limitada ao que foi previamente concebido. Caio em outro questionamento: técnica demais inibe a criatividade? E respondo: sim, porque prefiro um intérprete espontâneo, que libere seus sentimentos no que canta.

O que houve de bom foi o "bate-papo" de Zizi com a platéia. Em alguns momentos, ela se dirigiu ao público para falar de sua alegria em estar ali, sobre a paixão pelo repertório e o prazer de cantar aquelas canções. Dentre tantos sucessos que marcaram época - Frank Sinatra (Fly me to the Moon), Mama Cass (Dream a Little Dream of me), Cole Porter (Love for Sale ), Why Don't You Do Right? e Fever (gravadas por Peggy Lee), Nat King Cole (The Very Thought of You), Rod Stewart (I Don't Wanna Talk about It), Carpenters (Close to You e We've Only Just Begun), Johnny Rivers (Do You Wanna Dance?) e outros -, destaques para a interpretação de Redemption, de Bob Marley (de cuja canção Zizi fez uma leitura não reggae), Love of my life, do Queen (que Zizi iniciou a capella), e Come together, Beatles, que surpreendeu o público com uma Zizi mais roqueira, de voz mais grave e potente.

Para quem esteve no teatro no último domingo, será difícil dissociar o que viu do Cd, que, segundo Zizi, deve sair com o DVD entre outubro e dezembro deste ano. Esperar para ver o DVD e saber se, no dia de sua gravação, Zizi estava mais completa, mais entregue.

Talvez as imagens revelem a face complementar deste artigo.

Depois de dois álbuns em italiano, a cantora Zizi Possi mistura irmãos Gershwin, Cole Porter, Bob Marley e Queen no show 'Para inglês ver e ouvir'

Penha Rocha

SÃO PAULO - À primeira vista, Zizi Possi passa a impressão de querer soar ultrassofisticada com o show Para inglês ver e ouvir, com repertório todo em inglês. Mas a suposta pompa que poderia estar por trás do espetáculo, em cartaz no Teatro Frei Caneca, na capital paulista, desaparece ao se constatar a versatilidade do set list: de The man I love, dos irmãos George e Ira Gershwin, e Love for sale, de Cole Porter, a Redemption, de Bob Marley, e Love of my life, do Queen. Para ela, não existe clássico, jazz ou pop.

- Música pode ser em grego, aramaico, inglês, português. Música é música. Ter preconceito é bobagem. Tudo que alimenta a alma, como a música, não tem prazo de validade, é atemporal - afirma a cantora paulistana de 49 anos, 27 de carreira.

A temporada, que terá mais duas apresentações esta semana, será registrada em CD e DVD, com direção de José Possi Neto, um dos maiores nomes das artes cênicas brasileiras e irmão da intérprete. Ela explica que não se preocupou em padronizar o roteiro no palco. Pelo contrário:

- Não faço marketing com show. Não monto, por exemplo, repertório com músicas só de uma década para atrair um determinado tipo de público. São canções eternas, de várias gerações.

Zizi, que já gravou dois discos em italiano - Per amore, de 1997, e Passione, de 1998 -, conta que relutou em aceitar o convite para cantar em inglês. Não por insegurança artística, mas política:

- Fiquei em crise com a idéia de gravar em língua inglesa depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001 e com toda a discussão sobre a imagem dos Estados Unidos. Mas a língua é muito maior do que os homens que a usam e a comunicação a partir dela é uma potência divina - afirma.

Ela própria evita a comparação com o disco A foreign sound, o último de Caetano Veloso, também em inglês e que causou uma certa polêmica. Mas há quem não evite. Na platéia de uma apresentação da cantora para convidados na semana passada, o musicólogo e crítico Zuza Homem de Mello, um dos mais respeitados do país, não economizou:

- Os dois são bons intérpretes em inglês, mas o CD do Caetano tem canções óbvias e incompatíveis. Ficou um trabalho torto, descuidado. Enquanto isso, o show de Zizi Possi demonstra um profundo equilíbrio na escolha do repertório.

Zuza prossegue com os elogios à cantora:

- Zizi é uma das maiores intérpretes brasileiras. Neste show, ela canta transmitindo a essência da música, características que não é fácil quando se canta em outro idioma. Ela passa intimidade com as letras das canções.

A versatilidade tem sido uma marca da cantora, sobretudo a partir dos anos 90. Depois de encerrar a década de 80 com Estrebucha baby, disco cujo título ainda deixava clara sua relação com o pop, Zizi entrou nos 90 mudando de perfil. Veio Sobre todas as coisas, de 1991, álbum imprevisível para quem a ouvira cantar, por exemplo, Perigo, nos 80. Mas foi com Valsa brasileira que Zizi deixou claro ser uma nova cantora: gravou Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil, sambas de raiz e Pixinguinha.

O seguinte foi o igualmente cabeça Mais simples, que passeava por Villa-Lobos e Lenine, com a canção-título composta por José Miguel Wisnik. Depois vieram os discos em italiano, o álbum de canções pop Puro prazer e o de bossa nova Bossa, feito a pedido de Marcello Castelo Branco, presidente de sua gravadora, a Universal. O registro de Para inglês ver e ouvir vai se somar à galeria camaleônica.

- Sou artista por falta de opção. Artista é artista, sua alma é diferente. É uma pessoa que um dia tem dinheiro, no dia seguinte não tem um centavo e assim vai levando a vida... O mundo dele é outro. E eu sou esse tipo - diz ela.

Zizi saiu de São Paulo aos 18 anos para estudar Música na Universidade Federal da Bahia, na época a mais respeitada escola para músicos da América Latina. Quatro anos depois, formada em Composição e Regência, deixou Salvador rumo ao Rio para começar a carreira profissional. Tinha pouca grana, mas muito talento e disposição. O afeto dos cariocas alimentou a paixão da paulistana pela Cidade Maravilhosa.

- A única referência que tinha ao chegar ao Rio era o nome de uma rua em Copacabana, a Barata Ribeiro. E mais nada. Aluguei uma vaga num apartamento com algumas conhecidas da Bahia e fui muito feliz nessa época, apesar de ter que escolher entre comer ou andar de ônibus.

Poucos anos anos depois, Zizi dirigia um Mustang vermelho sem capota na Avenida Atlântica, com três equipes do Fantástico e um comboio segurando o trânsito para a gravação do clipe de Noite, de Nico Rezende e Jorge Salomão, do disco Amor & música, de 1987.

- O sentimento que tenho pelo Rio é de gratidão. Foi onde me profissionalizei, me casei, tive a Luíza, minha filha, hoje com 21 anos e também cantora. O Rio me abriu as portas para o mundo artístico.

Por isso mesmo, não vê a hora de se apresentar na cidade. Ao lado do maestro Jether Garotti Jr., cujo piano a acompanha há mais de dez anos; de Marcos Paiva; no baixo; e de Alexandre Damasceno, na bateria; a cantora faz temporadas ainda este mês em Curitiba e Porto Alegre. No Rio, tudo indica que o show deve acontecer também em agosto, mas falta acertar o local. A cantora gostaria que fosse o Canecão:

- É um lugar especial para os músicos brasileiros. Todos nós, artistas, temos carinho por esta casa de espetáculos. Eu me sinto muito à vontade quando estou naquele palco.

Zizi recebeu a reportagem do Caderno B na semana passada, no mesmo dia e horário em que acontecia o depoimento do deputado federal do PT e ex-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, na Comissão de Ética da Câmara. Mas no elegante escritório do empresário da artista, Manoel Poladian, no bairro do Itaim Bibi, o assunto era música. Ao fim da entrevista, no entanto, ela não se furtou a deixar registrada sua opinião sobre a crise política:

- Meu título de eleitora é do Rio e não fui votar em 2002 porque estava trabalhando. Mas não votaria no Lula. Acho importante tudo o que está acontecendo e sendo mostrado, para termos certeza de que a encrenca do ser humano é a ganância pelo poder e pela grana. Por isso é que acredito na militância da liberdade da alma, do espírito e da consciência. Todo o resto é uma grande mentira.

JBonline

Simone grava DVD e CD ao vivo no Rio com Milton, Zélia e Ivan

Mauro Ferreira

Simone faz retrospectiva da carreira no CD e DVD que grava ao vivo, hoje (10) e amanhã (11/08), às 19h, em show no Teatro João Caetano (RJ). A gravação conta com as participações de Ivan Lins, Milton Nascimento e Zélia Duncan. Será o segundo DVD da cantora, mas o primeiro com um registro de show da Cigarra, já que o anterior se limitou a mostrar os bastidores das sessões de estúdio do CD Baiana da Gema.

O Dia

Naná Vasconcelos

Music News - Por Divulgação

Naná Vasconcelos é reverenciado por grandes nomes da música nacional e internacional e reconhecido como o melhor percussionista do mundo, em diversas ocasiões.

Considera o corpo e a voz as suas mais preciosas formas de expressão musical, e por isso, não faz questão de contabilizar as dezenas de instrumentos que utiliza. Vários deles são conhecidos, como os tambores e o berimbau. Outros, sem nome, são criações do próprio artista que gosta de utilizar matérias-primas da natureza, como o chocalho de cascas de nozes.

Chegada, faixa que dá nome ao álbum, foi concebida originalmente na década de 70, quando Naná morava em Paris. A inspiração musical foi a imagem do primeiro negro que pisou no Brasil. Era tocada com o corpo (voz e percussão corporal).

Mais de 30 anos depois, Chegada ganhou um arranjo que enriqueceu a sua melodia e harmonia. "É um álbum que soará no palco, exatamente como o disco foi gravado", comenta Naná.

O CD Chegada nasceu do encontro de Naná com o incrível quarteto que mescla juventude e brilhantismo formado por César Michiles (flautas e saxes), Lui Coimbra (cello, charango e violão), Chiquinho Chagas (piano, teclados e acordeon) e Lucas dos Prazeres (djembe, congas, pandeiro, percussão e charme).

Alguém ainda acredita em festivais de música brasileira?

Ronaldo Evangelista

Três de agosto de 2005. Data histórica para a música brasileira. O recomeço de uma linha evolutiva, o nascimento de uma nova era, a retomada do efervescente fôlego cultural dos festivais de MPB. Foi o dia em que aconteceu a primeira eliminatória do futuramente histórico Festival Cultura -°A Nova Música do Brasil. Mas será que alguém acredita realmente nisso? Alguém ainda acredita em festivais de MPB? Se depender do festival organizado pela TV Cultura, sob a coordenação de Solano Ribeiro (o mesmo por trás dos principais festivais dos anos 60), em parceria com o Sesc e com dinheiro público, vai ser difícil.

Apesar de todas as suas intenções hiperbólicas (ou por causa delas), o Festival Cultura já surge natimorto, a exemplo de seu predecessor mais recente, o malfadado Festival de Música Popular Brasileira, da Rede Globo, que foi ao ar em 2000. (Alguém se lembra do vencedor Ricardo Soares com sua canção "Tudo Bem, Meu Bem"?) Da mesma maneira que no já antigo evento organizado e exibido pela Globo, o novo festival já nasce institucionalizado, com sua ultra-organização matando a espontaneidade.

Sem espaço para reações naturais, o programa exibido ao vivo pela TV Cultura transbordou lugares-comuns nos comentários ("prepare seu coração", "que belíssima apresentação", "tantas harmonias sofisticadas", "com o romantismo a toda prova") e mostrou ainda que o público médio atual de música brasileira não parece ser dos mais criteriosos.
Qualquer artista que subisse no palco do teatro do Sesc Pinheiros, em São Paulo -onde aconteceu a eliminatória-, já se sabia aplaudido. Com um pouco mais ou um pouco menos de ênfase, mas nunca sendo menosprezado. Vale lembrar que unanimidades como Tom Jobim e Chico Buarque chegaram a ser vaiados em 1968, quando venceram o 2º Festival Internacional da Canção Popular com "Sabiá", que não era a favorita do público.

Tristemente, a qualidade musical das atrações da primeira eliminatória do festival foi bastante sofrível, apesar do alarde feito em torno dos mais de 5.000 músicas inscritas. A originalidade passou longe -foi um festival de xerox. Quem assistiu testemunhou apresentação de cópias inferiores de João Bosco, de Jackson do Pandeiro, de Elis Regina, de Milton Nascimento, da moderninha bossa eletrônica... Para um festival que tem como slogan "a nova música do Brasil", é impressionante que, dos 12 candidatos da primeira eliminatória, mais da metade deles já tivesse mais de dez anos de carreira. O futuro da música brasileira não parece muito animador na visão do festival.

Folha de S. Paulo

Titãs mandam recado aos homens do Planalto

Jamari França

O rock brasileiro também manifesta sua indignação contra a atual crise política. Seu porta-voz é o grupo Titãs na canção-manifesto "Vossas excelências", música inédita que fará parte do CD e DVD ao vivo com gravação marcada para a sexta-feira e sábado próximos em Florianópolis e lançamento previsto para fim de setembro, começo de outubro, pela Sony&BMG. Em vez do requinte e da suavidade de "Unimultiplicidade", o protesto de Ana Carolina e Tom Zé, os Titãs metem logo um direto nos dentes com o refrão "filho da puta, bandido, corrupto, ladrão". A música está fresquinha, nasceu há duas semanas das mãos de Paulo Miklos (vocal, guitarra), Charles Gavin (bateria) e Toni Belotto (guitarra). O grupo tocou-a no bis do apoteótico show no Circo Voador, na sexta-feira passada, para um público de duas mil pessoas que ouviu a primeira passada em silêncio e depois se empolgou com o tom panfletário da letra, reflexo da indignação generalizada com o momento atual.

O Globo

Uma canção para a Era do Mensalão

Antonio Carlos Miguel

A Era do Mensalão já tem a sua canção de protesto. Indignados com o show de lama da política brasileira, Ana Carolina e o eterno tropicalista Tom Zé se juntaram para uma inédita parceria, "Unimultiplicidade", música que será distribuída às emissoras de rádio e também disponibilizada para donwload na internet, sem qualquer vínculo com suas gravadoras, respectivamente Sony&BMG e Trama. "A Trama me deu liberdade de trabalhar com Ana do jeito que fosse mais conveniente, já que a atuação dela se dá numa faixa de público mais ampla do que a minha", conta Tom Zé, que não conhecia pessoalmente a cantora e compositora mineira. "Para quem vive na solidão, como eu, quando Ana Carolina marcou para vir aqui em casa, foi uma grande felicidade. Conhecendo-a, vi por que ela faz sucesso. A personalidade forte, a pessoa mineira. Mineira quer dizer bondosa, trabalhadeira e delicada".

O Globo

Superbacana

Muito Mais - Caetano Veloso
Mauro Ferreira

Não é vídeo de show, mas a reedição do DVD-áudio lançado em 2002 em caixa do cantor. A novidade é que a reedição (em embalagem padrão de DVD) vem com CD que acrescenta ao repertório do DVD as gravações de Só Vou Gostar de Quem Gosta de mim e Eu Sei que Vou te Amar.

O Dia

Biscoito Fino e selo Pau Brasil inauguram parceria

Julio Moura

As gravadoras Biscoito Fino e Pau Brasil iniciam parceria que promete dar o que falar - e muito mais o que ouvir! - na música brasileira. Surgida em 2001, a Biscoito Fino tem se especializado como uma das principais casas da MPB contemporânea. A Pau Brasil, criada em 1994 pelo baixista e produtor Rodolfo Stroeter, tem em seu catálogo títulos como "O sol de Oslo", de Gilberto Gil, "Trampolim", de Monica Salmaso, e "Ihu todos os sons", de Marlu i Miranda, entre outros, que serão relançados dentro da parceria de distribuição das duas gravadoras. O primeiro lançamento é o álbum "2005", novo trabalho que celebra os 25 anos do grupo Pau Brasil, formado por Rodolfo Stroeter (baixo), Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violão), Teco Cardoso (sax e flauta) e Ricardo Mosca (bateria). O grupo lança o disco nos próximos dias 13 e 14 de agosto (sábado e domingo), no Sesc Pinheiros, em São Paulo, ao lado da Orquestra Jazz Sinfônica.

Music News

Gilberto Gil

Perfil
Mauro Ferreira

Esta coletânea de Gil na série Perfil, da Som Livre, reúne 18 sucessos do cantor e atual Ministro da Cultura. O mérito da compilação é realçar a inspiração da produção autoral do compositor na sua fase mais pop - os fins dos anos 70 e o começo dos 80, período do qual foram selecionados hits como Realce (1979), Palco (1981), Andar com Fé (1982) e o reggae Vamos Fugir (1984), recentemente regravado pelo Skank com êxito. O CD mostra que Gil soube ser pop sem banalizar sua obra.

O Dia

Pequena Notável

50 anos sem Carmen Miranda
José de Almeida Amaral Jr.


(9/2/1909 - 5/8/1955)
 

Quando em agosto de 1955 o tic-tic-tac de seu coração se descompassou de vez e deu adeus à batucada da vida, saía de cena uma brilhante artista, consumida aos 46 anos de idade pela máquina das atribulações do show business, para surgir o mito que atravessaria gerações. Prova disto são os repertórios de nomes contemporâneos da MPB como Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa e Ney Matogrosso que trazem consigo canções daquela que foi conhecida entre nós como 'A Pequena Notável' ou ainda, lá para as quebradas de Hollywood, 'the Brazilian Bombshell' onde, vira e mexe, lhe são prestados tributos, como no filme de 1987 Radio Days do ator, roteirista, diretor e clarinetista Woody Allen onde a atriz Denise Dumont lhe personifica. Com vocês, um patrimônio nacional, a mais brasileira das portuguesas, cheia de chica-chica-boom, aquela que mostrou ao mundo o que é que a baiana tem: Carmen Miranda.

Leia toda a matéria no site Ziriguidum. Clique aqui!

Notável, mas não lembrada

João Pimentel

Cantora brasileira de maior sucesso no exterior, que apresentou ao mundo o talento de compositores como Ary Barroso, Dorival Caymmi e Assis Valente; atriz que chegou a ser um dos maiores salários de Hollywood; criadora de modismos; musa dos balangandãs e turbantes que, como bem disse um samba-enredo campeão do Império Serrano, "tornou a baiana internacional"; Carmen Miranda, hoje, dia do cinqüentenário de sua morte, parece sofrer do mesmo descaso com que foi tratada no Cassino da Urca, em 1940, acusada de ter voltado americanizada dos Estados Unidos.

A criação de uma coleção primavera-verão da grife Salinas inspirada na cantora, um dos destaques do último Fashion Rio, e uma série de filmes estrelados por ela (no canal Telecine Classic, que se encerra hoje com "Copacabana", mas será toda reprisada no domingo), além de dois shows, são as únicas homenagens das muitas que foram programadas a sair do papel. Apesar de não estar passando totalmente em branco, a data ficou um tanto esvaziada pelo adiamento de dois grandes projetos: o livro "Carmen", do jornalista e escritor Ruy Castro, deve ser lançado em outubro, e a exposição "Carmen Miranda" no Museu de Arte Moderna, programada para novembro, esbarra na falta de patrocínio. "Pretendo entregar os originais para a editora em 20 dias. Estou vivendo há anos em função da Carmen e cada vez mais apaixonado pela artista e pela personagem", conta ele. O jornalista entrevistou pessoas que conviveram com Carmen antes de ela ir para os Estados Unidos. Ou seja, reconta, corrigindo possíveis erros históricos, a trajetória da cantora em quatro cenários: Portugal, país onde nasceu; Rio de Janeiro, Nova York e Hollywood.

O Globo

Taí

Eldorado AM veicula especial dos 50 anos da morte de Carmen Miranda  
 

Na  sexta-feira,  dia  05  de  agosto,  a  partir  das  20  horas,  o  programa  Eldorado  à  Noite,  apresentado  por  Leandro  Andrade  na  Rádio  Eldorado  AM  700,  lembra  os  50  anos  de  morte  de  Carmen  Miranda.  Durante  as  quatro  horas  de  transmissão,  o  ouvinte  poderá  acompanhar  entrevistas  inéditas,  depoimentos,  uma  análise  da  carreira,  dos  filmes  e  dos  grandes  sucessos  musicais.

O  objetivo  é  mostrar  como  Carmen  se  tornou  um  ícone  da  cultura  brasileira,  principalmente  nos  Estados  Unidos,  e  como  ganhou  dimensão  mundial.  O  Eldorado  à  Noite  aborda  ainda  a  vida  pessoal  de  Carmen  Miranda,  cheia  de  glórias,  dramas  e  muita  depressão.  A  produção  é  da  jornalista  Leda  Letra. 
 
 
Maxpress - http://www.maxpressnet.com.br

Onde andará a Vanguarda Paulista?

Hugo Sukman

Certa vez, já cantoras famosas, Zélia Duncan e Cássia Eller foram participar de um show em homenagem ao seu ídolo comum, Itamar Assumpção, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Lá pelas tantas, as duas se viram cantando junto com Arrigo Barnabé, Susana Salles, Ná Ozzetti, Tetê Espíndola, Itamar, fazendo parte enfim da vanguarda paulista. Comportaram-se quase como histéricas fãs. - Olhava para a Cássia e ela olhava para mim e a gente ria e chorava, não acreditava estar ali, cantando no Sesc Pompéia e ao lado daquelas pessoas - emociona-se Zélia ainda hoje. - Adolescentes em Brasília, a gente ia no Jegue Elétrico, a loja que tinha a produção independente da época, e ficava sonhando com o Sesc, com as coisas do Arrigo, do Itamar, da Vânia Bastos, da Tetê Espíndola, com o Premeditando o Breque, o Rumo, a Eliete Negreiros, a Cida Moreira. Isso foi formador para nós.

O Globo

Chico Faria estréia em disco com repertório do Buarque

Beto Feitosa

De Chico para Chico. Nesse caso, um Chico estreando canta a obra de um Chico veterano. Criado nas coxias do Quarteto em Cy e do MPB-4 seria difícil para Chico Faria imaginar algum futuro que não fosse a música. E ele começou por ali mesmo, nos palcos dos pais, tocando seu bandolim.

Seu primeiro trabalho propriamente dito não poderia ter melhor padrinho. Chico Faria canta Chico Buarque, o CD, ainda não existe comercialmente no Brasil, mas já é uma realidade nas lojas japonesas.

A voz aguda é colocada, certeira, em músicas como Samba do grande amor e As vitrines, mas acaba privilegiando um repertório menos óbvio. Do baú pinçou a bem humorada Ilmo. Sr Ciro Monteiro, e da safra recente foi de Leve e Dura na queda, feita para Elza Soares.

Criado no meio musical, Chico Faria teve participações especialíssimas. A começar pelo próprio homenageado que divide com ele os vocais de Deixa a menina. Os pais Ruy Faria e Cynara comparecem em Injuriado, enquanto Mariana Bernardes faz o vocal que originalmente era de Gal Costa em Biscate.

Fred Martins canta Meu caro amigo em um registro parecido com o de Chico Faria e Dudu Nobre fecha o disco com muita malandragem em A Rosa.

Ziriguidum

Barulhinho bom

Joaquim Ferreira dos Santos

Marisa Monte, que no início da carreira ganhou da crítica o título de cantora eclética, apresenta uma novidade para o seu CD a ser lançado no fim do ano. Será apenas de sambas. Metade deles traz a assinatura de Jair do Cavaquinho e outros bambas da Velha Guarda da Portela.

O Globo

Festa pelos 70 anos de Candeia

Lauro Lisboa Garcia

"Deixe-me ir, preciso andar/ Vou por aí a procurar/ Rir pra não chorar." Até quem não é de samba conhece esses versos da obra-prima Preciso me Encontrar, depois que Marisa Monte os popularizou. Tem outros. "O mar serenou quando ela pisou na areia/ Quem samba na beira do mar é sereia", de O Mar Serenou, inesquecível na voz de Clara Nunes. E o refrão de Filosofia do Samba, "Mora na filosofia/ Morou, Maria/ Morou, Maria", que Paulinho da Viola tornou antológico.

Aí foram apenas três evidências da presença radiante de Candeia (1935-1978) na memória musical brasileira. Para quem quiser saber mais, o Sesc Pompéia realiza de amanhã a domingo o projeto Candeia 70 Anos. A primeira parte, no teatro, reúne Paulinho da Viola, Teresa Cristina, Luiz Carlos da Vila, Wilson Moreira e o Quinteto em Branco e Preto num show memorável por antecipação. Está prevista uma gravação para lançamento em DVD e exibição na TV Cultura. Depois eles devem se juntar a Cristina Buarque, Wanderley Monteiro, Pedro Miranda, Oswaldinho da Cuíca, Paulinho Timor, Marcelo, Borba, Edu Batata e Cahê numa roda de samba na choperia.

O Estado de S. Paulo

Petrobras salva o Pixinguinha, por enquanto

Bernardo Araújo

O pesadelo, pelo menos por enquanto, parece ter acabado: hoje, na Funarte, tem show do Projeto Pixinguinha, aquele mesmo que tinha sido interrompido no começo de julho por falta de verba.

A caravana de agosto começa sua excursão no Centro do Rio (Rua da Imprensa, 16), às 18h30m, com o músico Carrapa do Cavaquinho, o grupo Choro de Câmara e a cantora Dorina. Depois de sua cidade natal (os três artistas são cariocas), a trupe segue para Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba e Guarati nguetá (SP).

Na realidade, a verba que faltou e acabou cancelando a caravana da primeira quinzena de julho ainda não veio: a Petrobras, que divide o patrocínio do Projeto Pixinguinha com o Ministério da Cultura, adiantou as últimas parcelas de sua contribuição, viabilizando, com isso, as duas caravanas de agosto e a primeira de setembro. "Agora o dinheiro da Petrobras realmente acabou" diz a cantora Ana de Hollanda, diretora da Funarte responsável pelo Pixinguinha.

"Mas o Ministério da Cultura nos disse que o Planejamento havia acenado com a liberação de parte das verbas que tinham sido contingenciadas. Como o Pixinguinha é uma das prioridades do Ministério, acho que tudo sairá bem. Talvez tenhamos que produzir os espetáculos com um pouco menos de dinheiro, mas tudo bem".


O Globo

Versos de Hollanda

Tárik de Souza

Estréia quarta-feira, no Bar do Zira (Letras & Expressões de Ipanema), o musical poético Versos de Hollanda, que revisita a obra de Chico Buarque. De Todo sentimento e Geni e o Zepelim a Com açúcar, com afeto, Atrás da porta, Tango de Nancy e mais. As canções são interpretadas por Camila Caputti, que atuou em Godspell, A ópera do malandro e A bela e a fera, junto com um elenco de atores que recitam as letras e encenam as situações descritas nas canções de CB. A produção de Versos de Hollanda negocia com a Biscoito Fino a gravação do DVD do espetáculo, em cartaz até o fim de setembro, às quartas.

*A dupla João Pinheiro e Luanda Cozetti revive, 30 anos depois, o encontro de Chico Buarque e Maria Bethânia no Canecão, que resultou em disco em 1975. O show é dia 4, na Livraria Da Conde, no Leblon.

JBonline

Francis Hime

Janaína Fidalgo

A cada música, uma história. Para contá-las, Francis Hime "convocou" as vozes de grandes intérpretes da música popular brasileira que, de alguma forma, se relacionavam com as canções de "Álbum Musical", songbook produzido em 1997 e relançado em 2004 pela Biscoito Fino. Em "Francis Hime - Ao Vivo", exibido amanhã pelo Canal Brasil, as interpretações de Beth Carvalho, Gal Costa, Chico Buarque, Toquinho, Bethânia e Gilberto Gil dão lugar à voz do próprio compositor. As imagens são de um show no Teatro Rival BR, no Rio, no qual tocaram Gabriel Improta (violão), André Santos (baixo) e Diego Zangado (percussão).

Em formato reduzido -o álbum tem 18 canções e o show, 13-, o especial percorre a trajetória profissional de Hime, mostra suas principais canções e ressalta a relevância das obras feitas em parceria com Chico Buarque - Hime, em entrevista à Folha, disse certa vez que suas músicas de "maior sucesso comercial sempre foram as feitas com o Chico".

Não à toa, nove das 13 músicas mostradas no programa são da dupla - "Trocando em Miúdos", "Luiza", "Passará", "Embarcação", "Passaredo", "A Noiva da Cidade", "Meu Caro Amigo", "Pivete" e "Amor Barato".

Folha de S. Paulo

Quinta apresenta mosaico interessante

Beto Feitosa

Em seu novo CD, cantor convidou produtores diferentes para cada faixa

Diversidade. Em seu quarto CD o cantor e compositor baiano Marcelo Quintanilha, ou apenas Quinta, fez uma experiência corajosa e pouco comum: convidou um produtor diferente para cada uma das músicas. O título não poderia ser outro: Mosaico.

E a faixa que batiza o CD radicaliza com a reunião de todos os produtores, cada um respondendo por um trecho. Poderia ser um mero recorte, mas o resultado final é interessante e inteligente. A música de Quinta é processada por Apollo 9, Roberto Coelho, Ruriá Duprat, Bruno Bora entre outros.

Fora das explicações que cercam o disco e tornam sua história particular, Marcelo se calçou de ótimas músicas. O sotaque pop dançante de Lote na lua tem refrão para cantar junto, o forró eletrônico Vaca amarela tem gosto de repente rock and roll.

Ótimo compositor, Quinta apresenta parcerias com Tenison DelRey e Daniela Mercury. Com a cantora baiana divide Alma colombina, canção que ganhou participação especial do cantor e violonista baiano Péri. A praia musical de Quinta é livre e ampla. Lembra o pop evoluído de Moska que também participa do CD cantando em Encruzilhada que pergunta: "Qual caminho a se escolher diante da encruzilhada?".

Quinta pode responder essa pergunta com sua música. Não é revolucionária, e também não é igual ao que se ouve por aí. É inteligente e particular, um caminho próprio com um sabor pop e uma mistura tropicalista de sabores plurais. Na faixa-título explica esse retalho de influências, estilos e produtores: "Vivo colando meus cacos / Tudo em que me reconheça / Monto meu quebra-cabeças / Mas sempre sobram buracos".

O novo CD de Quinta oferece uma rara oportunidade do público acompanhar o processo de criação de um trabalho. O cantor colocou em seu site todas as bases das músicas em versões voz e violão para download gratuito. O ouvinte tem a oportunidade de conhecer as músicas como nasceram, antes de passar pela mão dos produtores.

Essa saudável orgia musical apresenta um artista com personalidade forte e talento inegável. O disco apresenta várias visões para um cantor e compositor. É preciso personalidade para não se perder no meio de tantas visões e concepções diferentes. Quinta concentra com maestria e faz o fio condutor de um disco que, passando por 13 mãos diferentes, ainda mostra um artista que sabe o que quer.

Ziriguidum

Bebel vem cá

Tárik de Souza

Estrelona lá fora, Bebel Gilberto faz seu primeiro giro nacional, estendido a Argentina (Buenos Aires, dia 12) e Chile (Santiago, dia 13). Com ênfase no repertório do último disco, recém-lançado em remixes, ela sai de Sampa (9 e 10, no Bourbon Street), passa pelo Canecão (18) e pelo Palácio das Artes, em BH (21), acompanhada por Pedro Baby (violão), Jorge Continentino (flauta), Masaharu Shimizu (baixo e violão) e Mauro Refosco (percussão).

JBonline

Batida diferente

Heloisa Tolipan

Quando Maria Bethânia ou Leny Andrade apresentam seus músicos, um nome em especial chama a atenção pela vibração com que as cantoras pronunciam as respectivas sílabas: João Carlos Coutinho, o pianista predileto das duas divas. Amante da música instrumental desde os 9 anos, João, em parceria com os amigos Adriano Oliveira (bateria) e Lúcio Nascimento (contrabaixo), criou há três anos o B3, com o qual resgata os áureos tempos dos grandes trios que fizeram parte da nossa história musical.

''Quase não existem mais trios desta natureza. Criamos o B3 com o intuito de homenagear a Leny, uma das maiores cantoras de nosso país. Adriano, Lúcio e eu trabalhamos com a Leny há mais de 15 anos'', conta João, que, muito antes de se tornar darling de Bethânia, já rodava meio mundo com La Andrade. ''Com Leny já fizemos mais de 60 festivais de jazz em todo o mundo'', diz. O B3 está com CD na praça batizado Bom de Três. O álbum saiu pelo selo do maestro Jaime Além, o Taru Musika, e conta com distribuição da gravadora CID. ''O Jaime é nosso grande incentivador. Foi ele quem botou pilha para gravarmos'', lembra o pianista. Agora, o trio prepara o lançamento oficial do trabalho.

Jornal do Brasil

Para pais e filhos

Antonio Carlos Miguel

Canções para crianças e adultos espertos, "José Paulo de Paes para filhos" (MCD) traz poemas de José Paulo Paes musicados pelo cantor e instrumentista Paulo Bi. Um disco bom de ouvir e que poderá fazer companhia na estante ao de Adriana Partimpim e aos produzidos pela dupla Sandra Peres e Paulo Tati.

O Globo

Alta Rotação

Tárik de Souza

Para lançar seu disco mais jazzístico, Aystelum, Ed Motta montou o Septeto Euphonico Moderno, inspirado na banda uruguaia Sexteto Eletronico Moderno, dos anos 60/70. É formada por Idriss Boudrioua (sax), Jessé Sadoc (trompete), Rafael Vernet (piano), Renato ''Massa'' Calmon (bateria), Paulinho Guitarra e Alberto Continentino (baixo). No repertório dos shows, que rolam em agosto, a partir do dia 4, de quinta a sábado no Mistura Fina, entram também hits da carreira de Ed como Fora-da-lei, Colombina e Falso milagre do amor, todos com arranjos jazzísticos.

*O percussionista e compositor Marcelo Salazar entrou em fase de masterização do CD The tropical lounge project, no selo JSR, do produtor Arnaldo DeSouteiro. O primeiro single, Smoke in the city, inaugura parceria de Salazar com Roberto Menescal. A faixa, com Ithamara Koorax no vocal, foi incluída na compilação para o mercado europeu Audiophile bossa voices, ao lado de Bebel Gilberto (Samba de verão) e Rosemary Clooney (Manhã de carnaval). Ithamara segue temporada no Horse's Neck do Hotel Sofitel, ao lado de José Roberto Bertrami, Jorge Pescara e Haroldo Jobim.

*Marcos Sacramento firmou carreira na França, onde volta a se apresentar no evento Nuits du parc, dia 4, em Le Pradet. E segue em 18 de outubro, com Zé da Velha e Silvério Pontes, para Marselha. Antes disso, dia 17 de agosto, apresenta-se no Teatro Rival, no Rio, e gira por Belo Horizonte, Belém, Brasília e Porto Alegre.

*O grupo Slipknot baixa dia 23 de setembro em São Paulo, no Chimera Rock, e no Rio, dia 25, ainda sem confirmação de local.

JBonline

[ Travessia - ver cantos anteriores ]



Ir para Home



Pão e Poesia - Simone

"Um cantinho, um violão. Este amor, uma canção. Pra fazer feliz a quem se ama. Muita calma pra pensar. E ter tempo pra sonhar. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor - que lindo! Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente desse mundo... Ao encontrar você, eu conheci o que é felicidade, meu amor." (Corcovado - Tom Jobim)

Meu Perfil

BRASIL, Sudeste, Mulher

 


"Música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia"
Ben Jor




*Uma brasileira*

Paulistana da gema.
Ariana, 43 anos, jornalista. Música é o que mais me alimenta a alma. Esse espaço é destinado a quem prestigia a Música Popular Brasileira. O objetivo é difundir o que temos de melhor, fazer amigos, ampliar o repertório e estimular o conhecimento.
Entre e fique à vontade!



Meu Perfil no Orkut







bamba(s) online


Assine meu Livro


*Tantas Palavras* Contatos:

Pela Internet:
vlgb@uol.com.br

Pelo Telefone:
(11) 8985-7531




*Sintonia*
Cultura AM, SP
Eldorado FM, SP
MPB FM, RJ
Nova Brasil FM, SP
USP FM, SP







 Rádio Bossa Nova 
Jeannie Black, Seattle (USA)

 


 

 

Cantaram comigo: