Pão e Poesia por Vera Barbosa - UOL Blog
Show

Tom Brasil

06/08 - Zélia Duncan

Parte significativa da canção brasileira de hoje vibra no palco de Zélia Duncan. Encontram-se ali as tendências mais vivas que procedem do rock, do samba, do country, da bossa, do blues, do som marginal e do mundo pop, todas aprimorando o "modo de dizer" sentimentos que é, no fundo, a razão de ser das canções. Essa vibração está inteiramente registrada no novo disco de Zélia. Desde o título, Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, que aposta na fricção dos gêneros, dos estilos e das épocas, até os pequenos sinais de delicadeza presentes nas melodias e letras passionais, tudo nesse trabalho parece verter de uma fonte musical inesgotável, já plenamente associada à voz grave e segura da cantora. Além de transpirar musicalidade, Zélia é também uma letrista engenhosa na construção das imagens e na escolha fônica das palavras, o que contribui, visivelmente, para a sua imediata integração com parceiros heterogêneos como Lenine, Mosca, Lulu Santos, Pedro Luis, Mart nália e até Guerra Peixe. Isso sem contar suas colaborações já consagradas, com Lucina ou Christiaan Oyens, que continuam rendendo bons frutos neste disco. Mas existe ainda outro tipo de integração que, aliás, tem sido marca dos trabalhos lançados por Zélia: a integração com as concepções e recursos eletrônicos de última geração que fazem a música "soar", no melhor sentido do termo. Ouve-se tudo. Não escapa nenhum detalhe dos eficientes arranjos instrumentais - e aqui ela divide o mérito com seus produtores e parceiros Christiaan Oyens, Beto Villares e Bia Paes Leme - que concentram a atenção do ouvinte na aventura do canto.

Em meio a esse tratamento estético especial das canções surgem ainda quatro obras-primas de Itamar Assumpção, uma em parceria com C. Oyens ("Vi Não Vivi"), outra com Paulo Leminski ("Dor Elegante") e as demais com Alice Ruiz ("Tudo Ou Nada" e "Milágrimas"). Não é de hoje que Zélia Duncan desvenda para o grande público a nata da produção itamariana. Seus discos anteriores sempre trouxeram uma faixa do Nego Dito, oferecida como iguaria para abrir nosso apetite musical. Em Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, temos enfim um banquete do compositor que, antes (e depois) de tudo, virou signo de originalidade para a criação cancional em todo o país. "Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band", a canção, assinada por Zélia e Lenine, é um comentário irônico dos clichês narcisistas da nossa época ("Todo mundo quer ser da hora / Tem gente sambando com o ego de fora"), que se convertem em modelos de atitude para diversas tribos da moda. Mas a força persuasiva da composição está no encaixe da melodia com a letra, no jogo hábil de adaptação de seus acentos, que só se consuma realmente no refrão, e nos diversos matizes sonoros criados pelo arranjo. Nesse sentido, são notáveis as mudanças de fundo instrumental que servem para destacar a "figura" do canto. Em alguns momentos, por exemplo, a marcação da guitarra desaparece e abre espaço para uma percussão leve liderada por um simples triângulo. Essa nuance redobra o envolvimento do ouvinte na volta da guitarra. Isso tudo é muito bem dosado, não apenas nessa canção, mas em todo o repertório do disco. O que comprova que o sucesso não vem por acaso.

Com a banda a todo vapor ainda temos a já citada "Vi Não Vivi" e "Braços Cruzados", parceria de Zélia com Pedro Luiz. A primeira opõe uma sonoridade toda recortada pela percussão a um fluxo musical contínuo que se deflagra no refrão. A letra de Itamar fala de um encontro inusitado em que prevalece a falta de empatia entre os protagonistas ("Primeira vez que eu te vi / Primeiro vi seus limites"). Imediatamente, as descontinuidades do arranjo se associam a esses obstáculos de entrosamento, enquanto o refrão contínuo se encarrega de uma fase de exaltação do próprio anticlímax. "Braços Cruzados" traz um tom de interpelação social que exige da cantora momentos de entoação pura (próxima à linguagem oral) flutuando sobre os acordes e o ritmo traçados pela banda. Só no refrão, mais uma vez, volta a sintonia plena entre canto, vocal, harmonia e levada: é a hora da interpelação em catarse.

No campo passional, sempre tão bem explorado por Zélia, temos desde a devoção escancarada de "Mãos Atadas", de Simone Saback, até a forma condensada, em gesto típico de haicai, de "Redentor", parceria com Beto Villares. A música de Saback nos remete ao melhor do estilo de Roberto Carlos, e para aprofundar o efeito tocante das inflexões melódicas a artista convoca a voz visceral de Frejat, com quem desenvolve um belo diálogo de emoções. Em "Redentor", a cantora apenas mimetiza os braços abertos do Cristo, só que em direção ao seu amor. Inspira-se um pouco na bossa nova, um pouco em Jorge Ben Jor. Tendendo ao romantismo aberto de "Mãos Atadas" temos ainda as construções líricas de "Inclemência", parceria com Guerra Peixe, do mesmo modo que, tendendo ao romantismo delicado de "Redentor", temos "Eu Não Sou Eu", com Lucina, e "Não", com Moska. E em oposição a tudo isso, já em estado de paixão eufórica, um lindo e surpreendente samba que a cantora escreveu com ninguém menos que Lulu Santos: "Quisera Eu". Zélia também se serve das canções para refletir sobre as crenças e as dúvidas do cotidiano. Em "Carne e Osso", parceria com Moska, sobrepõe as imperfeições humanas à plenitude divina; em "Benditas", parceria com Mart nália, o tempo é mobilizado pela força das coisas que ainda estão por acontecer; em "Distração", parceria com C. Oyens, as coisas só acontecem verdadeiramente ao indivíduo distraído, aquele que reúne condições propícias para a boa surpresa. A escolha das composições "Dor Elegante" e "Tudo ou Nada" indica igualmente uma preocupação com conteúdos vitais como o sofrimento e o papel da decisão emocional no mundo das razões. Zélia demonstra que para as canções não há tema inacessível, pois aquilo que a letra isolada não dá conta, a melodia e o tratamento musical se encarregam de explicitar com a maior clareza possível.

Se alguém duvida, é só ouvir "Milágrimas", última faixa do CD, uma das canções brasileiras mais comoventes de todos os tempos.

Mais Show

Tom Brasil

12 e 13/08 - Seu Jorge e Ana Carolina

O Tom Brasil Nações Unidas abre espaço para o projeto Tom Acústico, que reúne artistas de diferentes gêneros musicais, mas com grandes afinidades. A idéia é promover, a princípios mensais, entre nomes conhecidos da nossa música fazendo espetáculos em um formato mais intimista e bem diferente do que normalmente fazem em seus próprios shows. Segundo Maitê Quartucci e Márcia Alvarez, programadoras do Tom Brasil, a idéia surgiu em conversas informais de camarim. "Fomos percebendo o prazer que os artistas têm em cantar músicas que não fazem parte do seu repertório habitual e também em dividir o palco com outros artistas com quem têm afinidades", explicam. "Além disso, o show acústico possibilita que os artistas mostrem suas canções de uma forma mais próxima à maneira com que foram criadas, sem a utilização de instrumentação", completam.

E a primeira edição do projeto, que acontece nos dias 12 e 13 de agosto, apresentará Seu Jorge e Ana Carolina. Para a cantora a iniciativa do Tom Brasil de organizar esse projeto só tem a acrescentar na carreira de qualquer artista. Já Seu Jorge acredita que trabalhos como esse sempre criam oportunidades para divulgar a música brasileira. A dupla canta seis músicas cada um e seis músicas juntos, dentre elas Carolina (do Seu Jorge), O Beat da Beata (de Ana Carolina e Seu Jorge) e Cotidiano (de Chico Buarque). Ana Carolina fará em sua participação solo, uma música inédita, chamada Unimultiplicidade, composta com Tom Zé e que fala sobre a corrupção na política brasileira. O cenário com flores reais e luz do Fábio Scheffer.

Continua...

Show - Final

Tom Brasil

26 e 27/08 - Jovem Guarda, 40 Anos

Depois de ser visto por mais de 22 mil pessoas entre Zona Norte e Baixada, o projeto 40 Anos de Rock Brasil - Jovem Guarda prepara-se para conquistar os palcos paulistas. Nos dias 26 e 27 de agosto, sexta e sábado, respectivamente, Erasmo Carlos, Wanderléia, The Fevers e Golden Boys sobem ao palco do Tom Brasil Nações Unidas para duas apresentações especiais ao ritmo do iê-iê-iê.

O repertório inclui músicas dos anos 60 e 70, que consagraram o movimento iniciado num programa de TV e transformado no maior fenômeno de marketing da história da Música Brasileira. Mantendo o estilo participativo como na "Jovem Guarda", o repertório do show foi costurado pelo diretor José Carlos Marinho, em conjunto com os próprios artistas.

O grupo The Fevers abre o espetáculo com "Vem me ajudar", "Mar de rosas", "Esqueça", entre outros sucessos. Na seqüência, os Fevers assumem a posição de banda base e chamam ao palco os Golden Boys, que apresentam "Alguém na multidão", "Erva Venenosa", "Ritmo de Chuva" e muito mais, bem ao estilo Jovem Guarda. Por sua vez, os Golden Boys, depois de contagiar a platéia, tornam-se vocal de apoio e abrem espaço para a cantora Wanderléa, que relembra "Pare o casamento", "Eu sou terrível" e "Ternura", etc.

Ela chama o Tremendão para continuar a festa e ele canta, inesquecíveis clássicos: "Calhambeque", "Caderninho", "É proibido fumar", "Splish Splash", "Vem Quente" e outros. 40 Anos de Rock Brasil - Jovem Guarda - reserva um encerramento especial, reunindo todos os artistas no palco, numa grande jam session. No estilo "off Broadway", da cidade do Rio de Janeiro o show segue em turnê em cidades próximas, como Três Rios (dia 19), Teresópolis (dia 24), Petrópolis (dia 25), Friburgo (dia 26) e Barra Mansa (dia 1o de julho). Dias 8 e 9 de julho é a vez do Nordeste conferir o espetáculo, respectivamente em Recife (Chevrolet Hall) e Maceió (Ginásio do Sesi).

A história de cada artista envolvido no show mostra que realmente "É Preciso Saber Viver"! Com mais de 700 sucessos - sendo 500 em parceria com Roberto Carlos - Erasmo Carlos vive mais um momento de público reconhecimento em sua carreira. O Tremendão recebeu esse ano, o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor compositor pelo trabalho de seu último CD autoral, "Santa Música", além de estar com duas músicas em aberturas de programas de televisão: a música "Lero, Lero", tema da novela das 19h da TV Globo, "A Lua me disse" e "Mesmo que seja Eu", tema do programa "Mulher Procura" do canal GNT.

Erasmo está conciliando este projeto com a turnê do seu novo show solo. Como ele mesmo diz, "Sou um nômade, mas tenho uma casa cheia de amigos e o nome dela é Brasil". Enquanto isso, Wanderléa, a "Ternurinha", primeira musa super star do país, premiadíssima em todos os sentidos ao longo de sua carreira, inclusive faturou o Prêmio Tim 2004 de Melhor Cantora, no quesito canção popular. Já o grupo The Fevers, (Luiz Cláudio, Liebert Ferreira, Otávio Henrique, Rama e Miguel Ângelo), vendeu mais de nove milhões de cópias ao longo de seus 40 anos de carreira, só no ano passado, fizeram mais de 100 apresentações pelo Brasil, além de excursionar pelos Estados Unidos. Agora, eles estão lançando o CD "The Fevers - 40 Anos de Sucessos". E os três irmãos Golden Boys - Roberto, Ronaldo e Renato Correa, há mais 40 anos fazem shows de norte a sul do país sendo considerados o grupo vocal de maior expressão do Brasil. A festa tem ainda os músicos convidados "José Lourenço" e "Lalo Califórnia".

São esses grandes artistas que vão circular pelo Brasil com o espetáculo 40 Anos de Rock Brasil - Jovem Guarda, mostrando que o bom e velho Rock N Roll pulsa forte e está marcado a ferro e fogo no coração de todos os brasileiros.

02/09 - Ivan Lins

Local: 
Tom Brasil Nações Unidas
Rua Bragança Paulista, 1281 Santo Amaro, São Paulo - SP
Comprar ingressos

Renato Russo invade as telas em 2006

Mario Gioia
da Folha de S.Paulo

Em dias nos quais "Que País É Esse?" parece um bordão dos mais apropriados, o autor da canção e sua obra começam a ser foco de ao menos três versões cinematográficas. Renato Russo (1960-1996), ex-líder da Legião Urbana, de trovador solitário a astro pop que levava multidões para shows, é tema da biografia "Religião Urbana", do veterano cineasta Antonio Carlos da Fontoura, 66, a partir de roteiro já finalizado e assinado por ele e pelo produtor musical Luiz Fernando Borges, um dos melhores amigos de Russo em sua fase carioca.

Já o estreante em longas-metragens René Sampaio, 31, enveredou pela obra de Russo e foi escolhido pela Copacabana Filmes --produtora de Carla Camurati-- para levar às telas a versão cinematográfica de "Faroeste Caboclo". E a roteirista e atriz Denise Bandeira, outra amiga íntima da fase carioca do cantor e compositor, está em negociações avançadas com a família de Russo para a adaptação de "Eduardo e Mônica", uma das mais "assobiáveis" canções da Legião.

O projeto mais adiantado é o de Fontoura, diretor de "Copacabana Me Engana" (1968) e "A Rainha Diaba" (1974), entre outros. O filme está em negociação com distribuidoras. O cineasta pretende filmar de abril a junho do ano que vem. A intenção é que "Religião..." chegue aos cinemas em outubro de 2006, mês que marca os dez anos da morte de Russo. Mas esqueça os estádios repletos, os discursos contra a ação policial e as confissões para os fãs. "Religião Urbana" vai focar o jovem professor de inglês Renato Manfredini, dos seus 17 aos 23 anos, que descobre o punk e monta a banda Aborto Elétrico.

"É a história da formação de um artista, explorando a juventude punk, rebelde e também bem-humorada", afirma Fontoura, que fecha a história em 1983, quando Russo se apresenta pela primeira vez no Rio, no Circo Voador, ainda distante do sucesso. A cessão dos direitos autorais para filmar a biografia foi obtida pelo bom trânsito de Borges, co-autor do roteiro, com a família de Russo. "Comecei a dirigir clipes e quis me aprofundar em cinema. Conversando com outros amigos e com a família, percebi como a trajetória do meu amigo poderia se tornar um ótimo filme", conta.

A irmã de Russo, Carmem Teresa Manfredini, 42, afirmou à Folha que autorizou a realização de Fontoura e Borges porque "pode confiar neles". "Tivemos [ela e sua mãe] acesso a todo o projeto, e ele nos satisfez. Anteriormente, houve vetos e fomos à Justiça porque a família não havia sido nem sequer consultada sobre peças baseadas na obra de Renato." Ela não revelou valores da transação.

Fontoura, no entanto, diz que não vai assinar um filme chapa-branca. Por isso, não vai se esquivar de temas como o homossexualismo e o uso de drogas. "O Renato é um personagem cheio de contradições. Nenhum tema está embargado, vamos tocar em todos os assuntos que fazem dele um grande personagem." Borges admite que o sucesso de "Cazuza - O Tempo Não Pára", sucesso de Sandra Werneck e Walter Carvalho, fez "Religião Urbana" ter uma proposta diferenciada. "De certa forma, se o enredo se passasse nos anos de sucesso do Renato, ficaria muito parecido com "Cazuza"." Para o elenco, ambos vão testar atores desconhecidos. O protagonista deve ser parecido com Russo.

Faroeste no Planalto

"Embrionário." É como está o projeto já autorizado da versão fílmica do épico "Faroeste Caboclo", segundo o diretor René Sampaio. Ele ganhou diversos prêmios com o seu "Sinistro", inclusive o de melhor curta do júri, em Brasília-2000. Naquele ano, conheceu o roteirista Luiz Bolognesi, de "Bicho de Sete Cabeças", o grande vencedor entre longas naquele ano. "Comecei a trabalhar no roteiro há duas semanas", conta Bolognesi.

"Mas tenho algumas coisas delineadas: será a gênese de um bandido, a partir de sua chegada do interior, seus desencantos na cidade grande e o final trágico."

Assim como "Religião...", ambos os títulos não vão evitar os dias de chumbo. "Assim como outros filmes recentes, não nos furtaremos a refletir a tragédia social brasileira, mas sem estereotipar os personagens." E Sampaio diz que a Brasília de seu filme "nada terá da Eldorado prometida, sendo mostrada com certa crueza". O brasiliense que passou a juventude dedilhando acordes de músicas da Legião pretende estrear seu filme no final de 2006.

Lulu relê Miquinhos e Gil entre inéditas de sua autoria

Mauro Ferreira

Em seu novo CD, Letra e Música, Lulu Santos (foto) regrava músicas de Gilberto Gil (Ele Falava Nisso Todo Dia, 1968) e do grupo João Penca e seus Miquinhos Amestrados (Popstar, 1986). Mas o repertório é basicamente formado por inéditas como Circular, Road Song, Vale de Lágrimas, Bonobo Blues, De Cor, Roleta e ZeroDoisUm.

Produzido e arranjado pelo próprio Lulu Santos, o CD foi batizado de Letra e Música por ter a particularidade de trazer repertório quase que totalmente assinado apenas por Lulu, sem parceiros. As exceções entre as 13 faixas são as duas regravações e a inédita Din-Don, composta por Lulu com Bernardo Vilhena. Mas vale ressaltar que esta música é antiga e foi dada a Gal Costa com o título de Ouça a Canção. A música chegou a ser gravada por Gal, mas sobrou de um disco feito pela cantora na BMG e acabou permanecendo inédita até a versão do autor.

O disco Letra e Música foi gravado com banda formada pelo tecladista Hiroshi, o baixista Negão e o baterista Xôko. Como de hábito, Lulu pilota a guitarra. O quarteto responde pelo som de faixas como Gambiarra. O lançamento está previsto para agosto.

'4' chega às lojas dia 26 também

Mauro Ferreira

Cercado de marketing e expectativa, o quarto disco do grupo Los Hermanos, 4 (capa), chega às lojas a partir desta terça-feira, 26 de julho. A novidade para os fãs é que o disco será fabricado também em vinil, no formato do velho LP, em tiragem limitada. Na ordem do CD, as 12 inéditas são Dois Barcos, Primeiro Andar, Fez-se Mar, Paquetá, Os Pássaros, Morena, O Vento, Horizonte Distante, Condicional, Sapato Novo, Pois É e É de Lágrima. O single O Vento já toca nas rádios desde 15 de julho.


Curtas: 

Vercilo, Léo e Bia

Jorge Vercilo regravou Janelas de Brasília em disco preparado por Oswaldo Montenegro com novas versões da trilha de Léo e Bia. Ney Matogrosso pôs voz no tema que batiza o espetáculo. Sandra de Sá ficou com Por Descuido ou Displicência. Moska, Zé Ramalho e Glória Pires aderiram ao CD.

Rita com Rappa

Rodo Cotidiano e O que Sobrou do Céu foram as músicas cantadas por Maria Rita no Acústico MTV do Rappa, gravado no estúdio Locall (SP). O CD e o DVD chegarão às lojas em outubro.

# Roupa Nova ganha coletânea na série Perfil.

# Naná Vasconcelos lança em agosto o CD Chegada.

O Dia

Velha Guarda da Vila lança disco idealizado por Martinho

Mauro Ferreira

Sai esta semana o disco da Velha Guarda Musical de Vila Isabel, produzido por Martinho da Vila (foto). Intitulado Sou Velha Guarda, Muito Prazer..., o CD reúne 21 sambas em 10 faixas. A seleção mistura raridades (Casa Um da Vila, Minha Musa, Quem lhe Disse, Dia Seguinte) com sucessos (Na Aba, Kizomba – A Festa da Raça).

Formada por Adilson Pereira (voz e pandeiro), Nadinho (violão), Celso do Reco (reco-reco), Juciara Bragança (tamborim, bongô e vocal), Paulo Marcos (tan-tan), Pedão do Pandeiro (pandeiro) e Marinho (flauta e sax), a Velha Guarda Musical de Vila Isabel reúne compositores da escola azul-e-branca. O grupo segue o caminho das velhas guardas da Portela, Mangueira e Salgueiro, que também já registraram em disco sua produção autoral. O CD Sou Velha Guarda... Muito Prazer está sendo editado pelo selo MZA Music, do produtor Mazzola. Além de mentor do projeto, Martinho é o autor dos sambas Renascer das Cinzas e No Embalo da Vila, incluídos no álbum.

O Dia

Chovendo na roseira

Mônica Bergamo

Desde que a cantora Gal Costa alardeou que iria gravar um CD só com inéditas, chegaram em suas mãos 300 músicas, entre fitas, CDs e MP3.

Gal selecionou 14 canções para o novo trabalho, que se chama "Hoje" e, mesmo assim, não fugiu a dois talismãs de sua carreira: Caetano Veloso e Chico Buarque.

Do primeiro, gravou "Luto". Do segundo, "Embebedado", uma parceria de Buarque com José Miguel Wisnik.

Folha de S. Paulo

De Janeiro a Janeiro celebra os 30 anos de carreira do festejado compositor, cantor e ator Alceu Valença.

 

Título: De janeiro a janeiro
Artista: Alceu Valença

Neste período, além de passar a integrar o mais selecionado panteão dos autores da nossa melhor MPB, Alceu Valença gravou duas dezenas de elogiados discos, tendo vendido cerca de 18 milhões de cópias, no Brasil e no exterior, tornando-se um dos campeões de vendagem de sua brilhante geração.

O intérprete realizou milhares de espetáculos em teatros, ginásios, praças, apresentando-se para um público estimado em cerca de 30 milhões de pessoas, no Brasil e no exterior (França, Holanda, Espanha, entre outros países).

São 15 canções, sendo dez inéditas e cinco regravações em arranjos totalmente refeitos especialmente para essa tiragem.

O CD foi gravado no estúdio de Alceu Valença e Paulo Raphael, também produtor da obra, no Rio de Janeiro.

O lançamento se deu no Circo Voador do Rio de Janeiro.

Tratore

Dirija um clipe do Tom Zé e ganhe dinheiro

Revista Dynamite

O programa Trama Universitário está promovendo um concurso para universitários dirigirem um videoclipe do Tom Zé.

 

Usando técnicas de animação, flash ou vídeo, quem tiver as melhores idéias para ilustrar "A Volta do Trem das Onze" ou "O Amor é um Rock" - ambas músicas de seu álbum mais recente, "Estudando o Pagode", - irá levar um prêmio 5 mil reais, em dinheiro. O segundo colocado recebe 2 mil e o terceiro, mil.

O próprio Tom Zé participará da seleção dos trabalhos, que podem ser inscritos até o dia 26 de agosto. A divulgação dos três premiados acontecerá no dia 5 de setembro, através do portal Trama Universitário.

Para a montagem do clipe, estão disponíveis imagens, em vídeo, do show que o cantor apresentou no SESC Pinheiros, em 2 de abril deste ano. As cenas são justamente das duas músicas que fazem parte da promoção e foram captadas por três diferentes câmeras. Também estão disponíveis fotos de divulgação do cantor. No entanto, o uso dessas imagens não é obrigatório.

Para participar da promoção e ler o regulamento completo acesse:
http://www.tramauniversitario.com.br

Elton Medeiros - Bem que mereci

Music News - 19/7/2005 - Por Divulgação

Bem que a música brasileira merecia um novo disco de Elton Medeiros. Um dos grandes sambistas de todos os tempos, Elton apresenta um punhado de composições inéditas, dele e de outros mestres do estilo.

Produzido por Luciana Rabello, "Bem que mereci" é o quinto lançamento do selo Quelé, uma parceria da Biscoito Fino com a Acari Records, especializada no mais brasileiro dos gêneros musicais - o samba. O show de lançamento acontece quarta, dia 27 de julho, no Estrela da Lapa, no Rio, quando Elton aproveita para comemorar seus 75 anos de vida.

No palco, o sambista é acompanhado por Afonso Machado (bandolim e direção musical), Alexandre De La Peña (violão), Dininho (baixo), Franklin (flauta) e Bolão (bateria). Elton Medeiros alinhava onze sambas de sua autoria e músicas pouco conhecidas de quatro pilares da Mangueira, da Portela e do Estácio.

De Ismael Silva, cujo centenário é celebrado em 2005, Elton revela "Não avance o sinal", em versos e cadência típicos do fundador da primeira escola-de-samba: "Não avance o sinal / faça o favor / para mim seu ideal não tem valor / Não preciso de você / quantos beijos eu quiser / tenho em casa quem me dê".

Do portelense Zé Kéti, Elton recria "Vestido de tubinho", de ritmo sincopado e poesia temperada com malícia e malandragem: "A nega mandou fazer / um tal de vestido tubinho / e mandou pintar a óleo / uma flor na altura da barriga / (...) os homens hoje em dia / levam tudo na maldade / vão olhar pra flor da nega / e a flor vai virar saudade". E muito mais, confira!

Elton Medeiros "Bem que mereci"

Quarta, 27 de julho.
Local: Estrela da Lapa - Av. Mem de Sá, 69, Lapa.
Horário: 21hs.
Preço: R$ 22,00.
Telefone: 2507-6686 .

Dica de disco

Por Tárik de Souza

Uma das vozes femininas ungidas por João Gilberto no início da bossa, Alaíde Costa celebra 50 anos de carreira no CD Tudo o que o tempo me deixou (Lua Music). Duas parcerias inéditas da cantora com os ícones do movimento Tom Jobim (Você é o amor) e Johnny Alf (Meu sonho) juntam-se a outras canções e baladas (quase todas) tristes de autores de fino trato como Guinga (Conversa com o coração, com Paulo Cesar Pinheiro), Sueli Costa (Voz de mulher, com Abel Silva), Cristóvão Bastos (Estranha saudade, com Hermínio Bello de Carvalho), Fátima Guedes (Minha Nossa Senhora) e a dolorida Dolores Duran (Solidão).

Os arranjos e a direção musical de Gilson Peranzetta (parceiro de Paulo Cesar Pinheiro na faixa-título) reforçam a elegância e a melancolia do disco, sublinhadas por sopros de Mauro Senise e o eventual cello de David Chew. O inventário da grande dama, lançada como a que ''canta suavemente'', decanta desencanto.

Jornal do Brasil

CD's e DVD's

Por Mauro Ferreira

O disco de Zizi

Será em agosto, em São Paulo, a gravação do novo show de Zizi Possi. A cantora vai registrar em DVD e CD ao vivo o show Pra Inglês Ver e Ouvir. Zizi não grava desde 2001.

Chico sai com 100

A EMI agendou para o dia 30 a chegada às lojas dos DVDs com os três primeiros episódios da série Chico Buarque Especial. Os vídeos serão vendidos em edições avulsas e também em caixa que reúne os três DVDs. A tiragem inicial totaliza 100 mil cópias – número expressivo no gênero.

Simone e Milton

No DVD e CD que grava ao vivo em show no Teatro João Caetano, no fim do mês, Simone vai receber convidados como Milton Nascimento. O roteiro resume a carreira da Cigarra.

O Dia

Alcione vai de Rosa Passos a Sérgio Santos em CD de inéditas

Por Mauro Ferreira

Já nas lojas, o novo disco de inéditas de Alcione, Uma Nova Paixão, traz - entre baladas sentimentais típicas do universo da cantora - músicas de autores incomuns no repertório da Marrom (na foto, num clique atual de Dario Zalis). Alcione canta parcerias de Rosa Passos com Aldir Blanc (Causas Perdidas, uma das três regravações do CD) e de Sérgio Santos com Paulo César Pinheiro (O Samba Vai Balançar). A faixa-título, de autoria de Gustavo Lins e Umberto Tavares, já roda nas rádios. Outra faixa, Meu Ébano (Nenéo e Paulinho Resende), entrou na nova trilha da novela América. Outros destaques do repertório são Sentimental Demais (música de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, popularizada na voz de Altemar Dutra), Xequerê (Nei Lopes, Maurílio de Oliveira e Magno Souza), Corpo Fechado (Telma Tavares e Roque Ferreira), Obrigada (Chico Roque e Sérgio Caetano), Pedra 90 (homenagem a Jamelão, de autoria de Serginho Meriti, Gilson Bernini e Rody do Jacarezinho) e Você Brincou de Amor (música de Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, lançada pela própria cantora no disco Pulsa Coração).

O Dia

Sortimento Brazuca

Por Mauro Ferreira
Zélia Duncan abre o leque de parceiros, se aprimora como letrista e nacionaliza seu pop em CD de inéditas

Zélia Duncan lança seu oitavo disco, ‘Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band’, com parcerias
com Lulu Santos e Lenine

Em 2001, Zélia Duncan extrapolou o pop de acento folk de seu início de carreira em álbum mais variado, apropriadamente intitulado Sortimento. A experiência empacou na irregularidade do repertório. Seguiram-se disco ao vivo (Sortimento Vivo) e primoroso CD de intérprete de MPB (Eu me Transformo em Outras). Quatro anos depois, a cantora abre mais o leque de ritmos e parceiros no seu oitavo disco, Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band.

Zélia nunca soou tão contundente como letrista. Seu pop ficou brasileiro. Com três produtores e 10 parceiros harmonizados em 16 faixas, o disco combina choro tradicional de Guerra-Peixe – Diz nos meus Olhos (Inclemência) – e sambão exaltado de Lulu Santos (Quisera Eu, letrado por Zélia). Mas o CD é brazuca sem deixar de soar pop. Se o folk Distração evoca a produção inicial da compositora, Braços Cruzados exibe a habitual miscigenação consciente do co-autor Pedro Luís.

CD traz quatro músicas de Itamar Assumpção

A diversidade do CD não impediu Zélia de cantar quatro temas de Itamar Assumpção, saudoso compositor da vanguarda paulista de quem ela era fã. A seleção inclui o reggae Dor Elegante, a boa inédita Vi, Não Vivi (prova de que o marginalizado autor podia ser pop), a pungente Milágrimas (em duo com Anelis, filha de Itamar) e a deliciosa Tudo ou Nada.

Entre balada (Eu Não Sou Eu) e samba (Redentor), a cantora se renova e roça o brilho do disco Zélia Duncan (1994), ainda o seu melhor CD autoral.

Palavra da autora

* "Todo mundo quer ser da hora / Tem nego sambando com o ego de fora" (Pré-Pós-Tudo-Bossa-Band, de Zélia e Lenine).

* "Quem se diz muito perfeito / Na certa encontrou um jeito insosso / Pra não ser de carne e osso" (Carne e Osso, de Zélia e Moska).

* "Fecho os vidros, fecho a casa / Mas a alma não tem trinco, tá escancarada" (Braços Cruzados, de Zélia e Pedro Luís).

Cantora dedica blues a Cássia Eller

MÃOS ATADAS
Blues de Simone Saback, gravado com Frejat e dedicado a Cássia Eller – colega de Zélia em Brasília, na década de 80.

CARNE E OSSO
É a melhor das duas parcerias de Zélia com Moska (a outra é Não, faixa de tom jazzístico).

VI, NÃO VIVI
Inédita de Itamar Assumpção e Christiaan Oyens, um dos produtores do CD ( tarefa dividida com Bia Paes Leme e Beto Villares).

BENDITAS
A valsa de Zélia e Mart’nália foi lançada pela filha de Martinho da Vila no seu primeiro CD ao vivo.

DIZ NOS MEUS OLHOS
Zélia pôs letra no choro Inclemência, feito por Guerra-Peixe em 1943. A faixa está na trilha da novela Alma Gêmea.

PRÉ-PÓS-TUDO-BOSSA-BAND
A faixa-título, parceria de Zélia e Lenine, ironiza a busca pela modernidade a qualquer rótulo.

O Dia

Caixa patrocina CD de Villa-Lobos

Disco resgata o primeiro concerto do maestro feito em Paris


A Caixa Econômica Federal firmou parceria com a Philarmonia Brasileira para a produção de um disco comemorativo que resgatará o primeiro concerto do compositor Heitor Villa-Lobos em Paris, no ano de 1924.

As gravações começarão em agosto e o lançamento do CD esta previsto para a segunda semana de outubro. O objetivo é marcar a forte relação que existe no histórico profissional, pessoal e musical de Villa-Lobos com o país europeu. O projeto faz parte das comemorações do ano do Brasil na França.

A Philarmonia também é responsável pelo projeto "Pensées d'Enfant", mesmo nome do primeiro concerto do maestro e também do CD, que será apresentado nesta quarta-feira, dia 13, no Espaço Brasil, no Carreau du Temple, em Paris, com recomendação do próprio Ministro da Cultura, Gilberto Gil. O projeto representa também o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), na França.

Meio&Mensagem

Ramalho (quase) 30

Por Tárik de Souza

Às vésperas dos 30 anos de carreira, Zé Ramalho grava um CD/DVD ao vivo, em co-produção com Robertinho Recife. Zé Ramalho ao vivo foi registrado no Olympia de São Paulo nos dias 11 e 12 de março.

No DVD há os medleys extras O último pau-de-arara/ Bomba de estrelas/ Banquete dos signos e Sabiá/ Asa branca/ Companheira de alta luz/ Meu nome é Trapizupe. A filmagem dirigida por Santiago Ferraz alia show, making of e uma entrevista biográfica do compositor.

Jornal do Brasil

Inéditas de Raphael

Tárik de Souza

Agendado para outubro, o disco testamento do fabuloso violonista Raphael Rabello. Gravado quando ele estava radicado em San Diego, nos Estados Unidos, Cry my guitar sai pelo selo GPS. Traz composições do próprio Raphael, como Sete cordas e Meu avô, além de Passaredo (Francis Hime/ Chico Buarque) e o estupendo Lamentos do morro, do violonista Garoto.

O que está pegando é a valsa Itanhangá, de Paulinho da Viola, que Rapha acoplou a outra música ainda não identificada.

Jornal do Brasil

Músicos Brasileiros denunciam ditadura na Ordem dos Músicos do Brasil

Music News - 11/07/2005 - Por FPPM - Zezé Freitas

Esse é um momento único na história musical do país.

Os músicos brasileiros instituíram o Dia Nacional de Mobilização, nesse último 10 de julho de 2005, que conta com a participação de 17 estados da Federação.

São Paulo está também nessa luta, que busca denunciar as arbitrariedades perpetradas pelo Sr. Wilson Sândoli, presidente, há mais de quarenta anos, da Ordem dos Músicos do Brasil, do Conselho Regional de São Paulo da OMB, do Sindicato da OMB de São Paulo.

Os músicos estão lutando, entre outras coisas, contra a antecipação das eleições dos Conselhos Regionais da OMB em todo país, de novembro para julho, sem um motivo aparente, através de uma resolução, a de nº 004/2005, publicada no Diário Oficial da União em 19 de abril do ano em curso, assinada pelo presidente do conselho federal da OMB, numa tentativa de permanecer mais três anos no poder, enquanto a Câmara Setorial da Música, do Ministério da Cultura, discute a reformulação da lei que criou a Ordem dos Músicos.

Matéria publicada na edição de julho de 2005 do jornal “Tambores” mostra que Wilson Sândoli foi nomeado pela Ditadura Militar como um dos interventores da Ordem dos Músicos, conforme documentos obtidos no Arquivo do Estado de São Paulo.

A história
Conforme tais documentos, Sândoli, na verdade, integrava a diretoria do Sindicato dos Músicos Profissionais desde 1958, ou seja, antes até da criação da Ordem dos Músicos do Brasil (através da lei 3857/1960). O presidente do Sindicato, Constantino Milano Neto, foi depois afastado, sob a acusação de ser “comunista”, ensejando a nomeação da Junta Interventiva, pela ditadura Militar, integrada, dentre outros nomes, por Wilson Sândoli.

A intervenção foi oficializada em 8 de abril de 1964 (apenas uma semana após o golpe militar) pela portaria n° 72 da Delegacia Regional do Trabalho. Designados interventores Raul Dias Laranjeira, Ubaldo de Abreu e Aldo Nilo Losso.

Natura Musical inicia processo de seleção de projetos

Music News - 11/07/2005 - Por Paulo Marra Assessoria de Comunicação
 

O Natura Musical, programa de patrocínio cultural da Natura, está em fase de seleção dos projetos inscritos em seu primeiro edital. O Programa, que foi lançado em março deste ano e tem como objetivo identificar, apoiar e destacar ações que representem a qualidade e a sensibilidade da música do Brasil, fincada nas raízes culturais do país, mas antenada com a efervescência artística do mundo globalizado, recebeu mais de 300 projetos de todo o Brasil.

No final do mês de abril, quando foram encerradas as inscrições do primeiro edital do Programa, com valor total de recursos de R$ 1 milhão, a Natura convidou três nomes ligados ao mundo da música para formar a comissão técnica e avaliar os projetos.

O colunista e crítico musical do Jornal do Brasil, Tárik de Souza, o jornalista e crítico musical Carlos Calado, e o músico e produtor musical Beto Villares, foram os escolhidos para pré-selecionar os projetos inscritos utilizando critérios, como: adequação ao Programa, inclusão cultural, diferenciação, acessibilidade, visibilidade, abrangência, sustentabilidade e viabilidade econômica.

Mais informações:
Assessoria de Imprensa Natura Musical:
Paulo Marra Assessoria de Comunicação Tel/fax: (11) 3258-4780 – Flavia Faiola
E-mails: faiola@paulomarra.com.br; paulomarra@paulomarra.com.br

Elo

Mônica Bergamo - Folha Ilustrada

Zélia Duncan vai homenagear Cássia Eller em seu novo CD de inéditas, "Pré-pós-tudo-bossa-band". O blues "Mãos Atadas" é de Simone Saback, amiga comum das cantoras, e foi composto há 27 anos, quando Zélia e Cássia iniciavam carreira em Brasília. "Essa faixa virou uma celebração da minha adolescência, da minha amizade com Cássia e de meu vínculo com Brasília", diz a cantora.

VEJA Recomenda

 

Orquestra Pixinguinha (Biscoito Fino)

Lançado originalmente em 1996 e há vários anos fora de catálogo, esse disco é uma homenagem caprichada a Pixinguinha (1898-1973), compositor, arranjador e instrumentista do primeiro time da MPB. Pixinguinha criou choros que fazem parte do repertório de qualquer grupo do gênero, como Carinhoso e Proezas do Solón, e também gozou de respeito entre os eruditos. Orquestra Pixinguinha traz dez arranjos originais das músicas do compositor e dois outros concebidos pelo autor do projeto, o músico carioca Henrique Cazes. Um deles é um pot-pourri das marchas de Carnaval de Braguinha, parceiro de Pixinguinha.

Ney Matogrosso planeja dois DVDs

O cantor Ney Matogrosso deve lançar no próximo mês um CD e DVD ao vivo com o registro do show Canto em Qualquer Canto. O espetáculo foi realizado no Sesc Pinheiros, em São Paulo, em dezembro do ano passado.

Ney foi acompanhado no palco por Pedro Jóia (violão e alaúde), Ricardo Silveira (guitarra e violão), Marcello Gonçalves (violão de sete cordas) e Zé Paulo Becker (violão e viola).

A faixa-título foi composta por Itamar Assumpção e Ná Ozzetti. Antes mesmo do lançamento de Canto em Qualquer Canto, Ney Matogrosso gravará um DVD do show Vagabundo, espetáculo feito com Pedro Luís e a Parede, que já originou um disco homônimo. O DVD deve ser gravado no Olympia, em São Paulo, neste mês de julho. 
 
Redação Terra

Naná Vasconcelos lança "Chegada" em agosto

Naná Vasconcelos acaba de assinar contrato com a Azul Music. Em agosto, já chega às lojas o álbum Chegada.
Com uma carreira marcada por participações especialíssimas ao lado de nomes como Pat Metheny, David Byrne, B.B. King, Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Caetano Veloso, Marisa Monte, Mundo Livre S/A, entre outros, Naná já se apresentou em palcos do mundo inteiro e é um dos mais respeitados músicos brasileiros no exterior e no Brasil.

O percusionista está feliz com o lançamento do novo projeto e ansioso pela temporada de lançamento que se inicia em agosto, logo após duas apresentações suas pela Europa. 
 
Redação Terra

Vanessa da Mata em tour popular

por Beto Feitosa

Show Essa boneca tem manual visita as Lonas Culturais

Depois de passar pelas mais badaladas casas de shows do país com o show de seu CD Essa boneca tem manual, a cantora Vanessa da Mata encontra o público em uma tour pelas lonas culturais do Rio. A maratona de seis shows, que começa dia 8 de julho e vai até dia 24, prepara o repertório para seguir viagem pela Europa.

Vanessa começa sua tour pela Lona Cultural Elza Osborne (Campo Grande), e depois segue para as Lonas Culturais Gilberto Gil (Realengo, dia 9) e Carlos Zéfiro (Anchieta, dia 10). A segunda parte da maratona acontece dia 22 na Lona Cultural Hermeto Pascoal (Bangu), e segue para a João Bosco (Vista Alegre, dia 23) e termina na Lona Terra (Guadalupe, dia 24). No intervalo entre uma temporada e outra, dia 16 Vanessa da Mata sobe a serra para participar do Festival Sesc Rio de Inverno no Parque de Exposição de Itaipava.

O show é basicamente o mesmo apresentado no Canecão, que ganhou maturidade nesse ano de estrada. Sucessos da cantora como Não me deixe só, Eu sou neguinha, Ainda bem e Nossa canção não podem faltar no roteiro que também inclui Taí, Tristeza do jeca e Tempo perdido.

Admirada por bambas como Nelson Motta, Maria Bethânia e Tárik de Souza, Vanessa faz um pop competente. Acompanhada por Luciano Barros (baixo e violão de sete cordas), Ricardo Prado (violão e guitarra), Marcelo Jeneci (sanfona, violão, teclado e sampler), Fernando Catatau (guitarra) e Luciano Curumim (bateria e percussão), a cantora promete um grande show de uma artista cheia de gás que apresenta seu segundo trabalho.

Vanessa da Mata - Essa boneca tem manual
08/07 -
Sexta - 21h: Lona Elza Osborne - Campo Grande
Estrada Rio do A , 220 - Campo Grande
09/07 - Sábado - 22h: Lona Gilberto Gil - Realengo
Av. Marechal Fontenelle, 5000 - Realengo
10/07 - Domingo - 20h: Lona Carlos Zéfiro - Anchieta
Estrada Marechal Alencastro, s/n - Anchieta
22/07 - Sexta - 21h: Lona Hermeto Pascoal - Bangu
Praça 1o. de Maio - s/n - Bangu
23/07 - Sábado - 21h: Lona João Bosco - Vista Alegre
Av. São Felix, 601 - Vista Alegre
24/07 - Domingo - 20h: Lona Terra - Guadalupe
Praça Edson Guimarães, s/n - Guadalupe
Preço: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Ziriguidum

Pau Brasil & Cia

Tárik de souza

Na boca do forno, o novo disco do Grupo Pau Brasil, pela Biscoito Fino, na formação básica: Paulo Bellinati (violão), Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (baixo), Teco Cardoso (sopros) e mais o baterista Ricardo Moska. No cardápio, composições de Bellinati, como Jongo, Pulo do gato, sua parceria com Stroeter, Ciranda, Fogo no baile (Nelson Ayres), os clássicos Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso) e Bye bye, Brasil (Roberto Menescal/ Chico Buarque).

Bellinati recém chegou de duas turnês européias, uma delas com a cantora Monica Salmaso, que incluiu a Alemanha e a Croácia. Na outra, viajou com o baixista americano Steve Swallow, com quem acaba de lançar o disco Siria, num trio com a voz e o violão do trovador da Galícia (na Espanha) Antonio Placer, mais intervenções do uruguaio Negrito Transante (percussão, palmas) e do italiano da Sardenha Gavino Murgia (sax e voz). Alguns temas: Albufera de armonías, Lucía Luciano vera, Ruante por Callao e Dedila.

Nelson Ayres reeditou seu clássico Mantiqueira, de 1981, fora de catálogo após o fechamento do selo Som da Gente, do casal de compositores Walter Santos & Teresa Souza. O disco é ''uma coletânea de imagens inspiradas pela Serra da Mantiqueira'' e alista uma seleção de músicos de arrepiar. Dos saxes de Hector Costita e Roberto Sion ao violão de Heraldo do Monte, a flauta de Léa Freire e os três contrabaixos de Rodolfo Stroeter, Nico e Zeca Assumpção. A faixa Caminho de casa tornou-se standard instrumental e deu título ao último disco do flautista de jazz Herbie Mann. Só xote virou bis do Pau Brasil e a do título teve várias regravações.

JBonline

Quinze anos depois, Cazuza segue ícone no Brasil

Vânia Toledo/Divulgação
 

 


Cazuza em foto de divulgação do álbum Exagerado, de 1986

Nesta quinta-feira, 7 de julho, a morte de Cazuza completa 15 anos. Mas essa década e meia apenas fez crescer a notoriedade do garoto carioca que sacudiu o pop rock logo no início da década de 80. 

Desde sua morte, em decorrência da aids, foram lançadas 22 coletâneas, mais que o dobro do que Cazuza gravou em vida. Foram cinco discos como vocalista do Barão Vermelho e mais cinco em carreira solo.

Biografado em 1997 por sua mãe, Lucinha Araújo, e tema do filme de Sandra Werneck em 2004, Cazuza é ainda um dos mais presentes artistas da música brasileira. Este ano, em seu novo disco, Lobão reviveu Cazuza na parceria inédita dos dois, Seda.

A carreira começou logo no começo dos anos 80. "Aos 17 anos, comecei a descobrir que minhas poesias podiam ser letras de músicas, mas só assumi isso aos 23 anos, quando entrei no Barão Vermelho", definiu ele.

Durante os ensaios de uma peça no Circo Voador, Cazuza conheceu Léo Jaime, que contou-lhe sobre uma banda que procurava um vocalista: era o Barão Vermelho. "Fui, no dia seguinte, ao encontro deles e minha história começou."

Ser filho do presidente da Som Livre não significou abrir as portas do sucesso para Cazuza. "Meu pai não aceitou a idéia facilmente. Foi todo o tempo contra. Acreditava que a crítica iria me crucificar e a coisa ficaria parecendo um lance de puxa-saquismo, de proteção ao filhinho do patrão", explicou, anos depois.

Comercialmente, o primeiro disco, lançado em 1982, não foi um sucesso. Mas Caetano Veloso incluiu no repertório de seu show uma faixa do álbum, Todo Amor Que Houver Nesta Vida. Já o segundo álbum, de 1983, começou a colocar o Barão Vermelho mais em destaque com Pro Dia Nascer Feliz. A consagração viria em 1984, com o quarto álbum, Maior Abandonado, que rendeu ao grupo o primeiro disco de ouro.

Em julho de 1985, quando o material para um novo disco já estava selecionado, a notícia chegou aos jornais: enquanto os outros seguiriam com a banda, sua estrela partiria para a carreira solo. Poucos dias depois, Cazuza foi internado com febre alta e infecção bacteriana. Um teste de HIV feito na ocasião apresentou resultado negativo.

Seu primeiro álbum solo, Exagerado, chegou às lojas ainda em 1985 e apresentou um lado mais sereno de Cazuza. A veia roqueira do cantor ainda mostrava-se presente em algumas parcerias, mas o sucesso ficou mesmo com as baladas do disco, como Codinome Beija-Flor.

O novo disco sairia apenas em 1987, sob o titulo de Só Se For A Dois. Dias antes de estrear o show, ele adoeceu e fez um novo exame de HIV. A confirmação da presença do vírus iria transformar sua vida e sua carreira. Em outubro de 1987, após uma internação numa clínica do Rio, Cazuza foi levado pelos pais para Boston, nos Estados Unidos. Lá passou quase dois meses críticos, submetendo-se a um tratamento com AZT.

Ao voltar ao Brasil, gravou Ideologia, no início de 1988 - um ano marcado pela estabilização de seu estado de saúde e pela sua definitiva consagração artística. O disco vendeu meio milhão de cópias. Na contracapa, um Cazuza mais magro por causa da doença, com um lenço disfarçando a perda de cabelo em função do coquetel de remédios. No seu conteúdo, um conjunto denso de canções expressou o processo de maturação do artista.

Letras como "Eu vi a cara da morte/E ela estava viva", da faixa Boas Novas, indicavam o estado de espírito que a aids dera a Cazuza. A serenidade do início da carreira solo então conflitava com certa revolta. Em certo show no Canecão, ainda em 88, ele cuspiu na bandeira brasileira que foi atirada ao palco por um fã. Por outro lado, procurava manter uma postura mais comedida em seus shows. Bem diferente do Cazuza elétrico e catártico do Barão Vermelho.

No início de 1989, o artista lançou Cazuza Ao Vivo - O Tempo Não Pára. Na época, a gravadora Polygram contabilizou cerca de 560 mil cópias vendidas. O disco reunia os maiores sucessos do artista, mas trazia também duas músicas novas que estouraram: Vida Louca Vida, de Lobão, e O Tempo Não Pára, do próprio Cazuza. A letra fala de sua condição individual, de quem lutava para se manter vivo. Pouco depois do lançamento do álbum, Cazuza admitiu publicamente que estava com aids. Foi um dos primeiro artistas brasileiro a admitir publicamente a doença.

A morte iminente afundou Cazuza num processo de trabalho compulsivo. Ele compôs letras e canções que culminaram em um álbum duplo, Burguesia, lançado ainda em 1989. Em seu último suspiro musical, Cazuza saudou sua própria carreira: o lado rebelde no disco um, mais roqueiro, e sua faceta serena no disco dois, mais MPB.

Anos depois, Lucinha Araújo contou que Cazuza gravou o disco já preso a uma cadeira de rodas. Em outubro de 1989, depois de quatro meses seguindo um tratamento alternativo em São Paulo, Cazuza viajou novamente para Boston, onde ficou internado até março do ano seguinte. Seu estado já era muito delicado e, àquela altura, não havia muito mais o que fazer. O enterro aconteceu no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Nasceu Agenor de Miranda Araújo Neto, no dia 4 de abril de 1958. Morreu apenas Cazuza, no dia 7 de julho de 1990. Mas ele não é apenas um astro morto precocemente. A cada dia Cazuza torna-se mais e mais um ícone de uma geração que insiste em chamá-lo de poeta. Mas ele gostava mais de ser chamado de roqueiro. 

Redação Terra

Boemia de Lupicínio ganha roteiro em SP

Marco Aurélio Canônico

Projeto que começa amanhã no Sesc Vila Mariana tem exposição, shows e debate sobre o poeta da dor-de-cotovelo

Sobre ele, o poeta Augusto de Campos dizia que se caracterizava "pelo uso explosivo do óbvio, da vulgaridade e do lugar-comum", e o comparava a Shakespeare. Depois de ter suas composições gravadas por todas as grandes vozes da era de ouro do rádio (Orlando Silva, Linda Batista, Francisco Alves etc.), ele passou pelo ostracismo até ser resgatado na década de 1970 por uma nova geração de brilhantes da MPB -João Gilberto, Paulinho da Viola, Caetano Veloso etc.

"Ele" é o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), homenageado do projeto "Roteiro de um Boêmio", que começa amanhã no Sesc Vila Mariana, no bairro homônimo em São Paulo. Além de uma exposição com fotos e cartuns criados por Jaguar a partir de clássicos de Lupicínio, como "Brasa" e "Vingança", o evento terá duas séries de shows -com cantores como Cauby Peixoto, Arrigo Barnabé e Virgínia Rodrigues- e um debate reunindo o crítico musical e colaborador da Folha Carlos Calado, a professora Maria Izilda de Matos (PUC-SP) e a cantora Ivete Matos.

Planejado para o ano passado, quando aconteceu a dupla efeméride relacionada ao compositor (80 anos de seu nascimento e 30 anos de sua morte), mas adiado por questões diversas, o projeto dá destaque à faceta mais conhecida da obra do gaúcho, aquela associada à boêmia e à expressão "dor-de-cotovelo", criada por Lupicínio para simbolizar o efeito das mágoas de amor. O título escolhido, "Roteiro de um Boêmio", faz referência à coluna de mesmo nome que Lupicínio assinava no jornal "Última Hora" na década de 60, onde comentava a origem de suas letras, verdadeiros retratos dos estereótipos de sua época -do malandro boêmio às damas da noite.

As histórias de traição, abandono, vingança e rancor, inspiradas na tradição do tango e do bolero argentinos, fizeram a fama que eternizou o compositor e que o leva a ser lembrado nas situações mais inusitadas, como no debate político (veja texto ao lado). Sua passionalidade está bem definida em pérolas como "Ponta-de-Lança", onde diz: "Uma pessoa prestando atenção / Vê que as rimas dos versos que eu faço / Trazem pedaços do meu coração".

Para recriar os clássicos lupicinianos -"Nervos de Aço", "Felicidade", "Esses Moços" etc.-, o evento reúne Cauby Peixoto, Carlos Fernando e Paula Lima, no primeiro fim de semana de shows, e Jamelão, Arrigo Barnabé e Virgínia Rodrigues, no segundo. A idéia, segundo o produtor Nelson Valença, é misturar intérpretes tradicionais da obra do gaúcho (como Cauby e o puxador da Mangueira) com artistas mais jovens e versados em outros estilos.

Já para explicar a obra de Lupicínio foi armada a exposição "O Poeta da Dor-de-Cotovelo", organizada pelo jornalista e pesquisador Carlos Rennó. Ela contextualiza as letras do gaúcho com pequenos textos explicativos acompanhando as ilustrações do cartunista Jaguar para cada música.

O visitante aprende, por exemplo, que a cruel "Vingança" ("Eu gostei tanto / Tanto quando me contaram/ Que te encontraram bebendo e chorando na mesa de um bar") foi composta para uma carioca que Lupicínio abandonou ao descobrir que fora enganado -e para a qual dedicou eficientemente "a maior praga que eu roguei na minha vida".

História

Para analisar o momento histórico em que Lupi criou suas obras e a influência da época em sua produção foi montada a mesa "Melodia e Boêmia em Lupicínio", que acontece no dia 16/7. Nela, Carlos Calado e Maria Izilda de Matos discutem o cotidiano de homens e mulheres nas décadas de 1930, 40 e 50 através das letras do gaúcho -que serão interpretadas pela cantora Ivete Matos. À parte o recorte temporal, não custa lembrar que, como prova o deputado Roberto Jefferson, Lupicínio serve como espelho dos sentimentos e dos comportamentos humanos em qualquer tempo.

Folha Ilustrada

Histórias da garotinha

João Bernardo Caldeira

Biografia narra a trajetória de Cássia Eller e revela ao público o espírito doce e frágil da cantora


Cássia em 1993, com Francisco, ainda bebê, e Maria Eugênia - Reprodução   

Difícil encontrar alguém que não tenha um dia cantarolado Malandragem, O segundo sol ou Por enquanto. Todos conhecem os clássicos do repertório de Cássia Eller. Poucos, no entanto, muito poucos mesmo, tiveram a chance de conviver com seu jeito espontâneo e sincero. O sorriso largo e bem disposto, afinal, era reservado aos mais íntimos. A biografia Apenas uma garotinha - A história de Cássia Eller (ed. Planeta) não se destina apenas a levar às lágrimas os fãs da fila do gargarejo, ou pessoas próximas, como Maria Eugênia, com quem a cantora foi casada por 14 anos.
- Chorei pra burro - confessa a companheira.

As 296 páginas do livro escrito pelos jornalistas Eduardo Belo e Ana Cláudia Landi, que será lançado no dia 16, no restaurante Madame Vidal, no Humaitá, revelam a apaixonante trajetória de Cássia e seus rompantes de alegria e inspiração. Como no dia em que decidiu de supetão, junto com o poeta Waly Salomão, gravar um CD com músicas de Cazuza, contrariando gravadora e empresário.

- Todos associavam Cássia àquele comportamento agressivo no palco, cuspindo no chão, coçando a genitália e mostrando o peito. Porém ela era muito frágil no convívio com estranhos e tinha dificuldades de se relacionar. A grande surpresa, para quem não a conheceu, é o fato de ela ter sido uma pessoa doce, amável e muito gozadora - diz Eduardo Belo.

Um episódio mostra esse lado avesso a badalações. Convidada por Caetano Veloso e Paula Lavigne para o aniversário de 2 anos de Zeca, filho do casal, Cássia simplesmente não agüentou a pressão do formalismo social quando, no meio da festa, o baiano se sentou ao seu lado. ''A cantora não sabia o que fazer, quando viu o fiel escudeiro Alex Merlino passar ao lado. 'Alex!', disse, erguendo o dedo indicador e se levantando para ir atrás do roadie. Havia simplesmente fugido do anfitrião. O compositor não entendeu nada'', descreve a biografia.

Carioca, a cantora iniciou sua trajetória em Brasília, onde chegou aos 18 anos, depois de ter morado em Belo Horizonte e Santarém (PA), por conta da carreira do pai, militar. A capital federal foi palco de seus concorridos primeiros shows em bares. Foi lá que ela se empregou como redatora e tradutora. Em três dias foi demitida, por total inaptidão para o trabalho burocrático. Decidiu então que seria artista.

Fitas gravadas em Brasília, nessa época, permanecem inéditas, com músicas que compôs em parceria com a amiga Dora Galesso, que não pretende divulgá-las, como informa o livro. Um tio de Cássia, Wanderson, também possui material inédito do período em que empresariou a cantora. E, para completar, a gravadora Universal Music tem guardado em seu acervo um disco de blues gravado por Cássia e Victor Biglione no Circo Voador - em vida, ela não gostou do resultado.

Quando morreu, em 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, foi constatado que seu coração não apresentava condições ideais. Na adolescência, quando morou em Belo Horizonte, Cássia ficou de cama graças a uma febre reumática. Essa febre, ou o uso de cocaína ao longo da vida, pode ter comprometido seu músculo cardíaco. Mas não se sabe por que foi fatal a parada cardiorrespiratória ocorrida quando já estava internada na Clínica Santa Maria, em Laranjeiras.

Apenas uma garotinha vasculha com detalhes os 20 anos de carreira da cantora, que lançou oito discos - o último, Acústico MTV, seu recorde de vendas, está hoje na casa dos 900 mil. Além de esmiuçar relações de amor e ódio com gravadoras e empresários e a transição de uma sonoridade mais pesada para uma mais pop-rock, a biografia mostra também a Cássia mãe de Francisco, que parou de usar drogas durante a gravidez, a Cássia filha, que não deixava de ajudar financeiramente os pais, e a Cássia esposa de Maria Eugênia, amorosa porém festeira.

''Ao longo de toda a sua vida, desde a adolescência, Cássia conhecera pessoas por quem se interessara, mas continuava firme em seu casamento com Eugênia. Suas escapulidas aqui e ali não implicavam um rompimento com a companheira de tantos anos. Eram apenas diversão'', diz o livro, que relata a existência de diversas namoradas ao longo da vida de Cássia.

Há cerca de dois anos, o jornalista Pedro Bial queria fazer um filme sobre a cantora, mas declarou não ter tido autorização.

- Achamos que não era a hora, estava tudo muito recente. Porém nem eu nem a família da Cássia temos a intenção de esconder nada - diz Maria Eugênia, que contribuiu com as pesquisas do livro.

Tratando com objetividade os sucessos e percalços da vida de Cássia, o livro permitirá que mais pessoas conheçam a trajetória da cantora. Quem sabe passem a concordar com a descrição de Maria Eugênia:

- Cássia não era desse mundo. Pessoas como ela morrem mesmo cedo. Era a criatura mais generosa que conheci. Não tolerava hipocrisia e muitas vezes pagou caro por isso. E, claro, foi uma das vozes mais expressivas de sua geração.

Extraído do site JB online

Boldrin e Teixeira formam 'dupla caipira' em CD que mistura Vandré

Mauro Ferreira

Juntos pela primeira vez, Renato Teixeira e Rolando Boldrin lançam CD (capa acima) em que entoam Funeral de um Lavrador (da trilha de Morte e Vida Severina), Chico Mineiro (clássico de Tonico & Tinoco) e Vaca Estrela Boi Fubá (Patativa do Assaré). Dominguinhos e Almir Sater tocam no disco.

O CD Rolando Boldrin & Renato Teixeira é aberto por tema de Geraldo Vandré, Ventania. Outro destaque é Três Nascentes, raridade de João Pacífico. A dupla regrava ainda músicas do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (Zé Ponte, em parceria com Felisberto Martins) e do maranhense João do Vale (Minha História), além de temas do próprio Renato Teixeira (Guardiões das Florestas, Boi Lua, As Plantinhas do Mato e Brasil Poeira).

Extraído do site O Dia online

Show 'Viva Brasil' vai virar DVD com Gil, Gal, Lenine e Ben Jor

Mauro Ferreira

Vai ser filmado para virar DVD o espetáculo Viva Brasil, agendado para dia 13, em Paris, na Praça da Bastilha, dentro das comemorações do Ano do Brasil na França. O elenco – formado por Gilberto Gil (foto), Gal Costa, Lenine, Daniela Mercury, Jorge Ben Jor e Seu Jorge – vai abrir o show com Aquarela do Brasil, em número coletivo. No fim, com todos reunidos novamente no palco, os cantores entoarão País Tropical (de Ben Jor), o Hino Nacional Brasileiro e A Marselhesa. Haverá alguns duetos, como o feito por Daniela Mercury com Gilberto Gil em Toda Menina Baiana, música de Gil. O show será registrado pela Europa Filmes e sairá em DVD no Brasil. Realizado em data emblemática para os franceses (13 de Julho é o dia da Queda da Bastilha), o concerto Viva Brasil traz também no elenco o grupo afro-baiano Ilê Aiyê. Henri Salvador - cantor e compositor da Guiana Francesa, identificado com a Bossa Nova - é o único convidado internacional do espetáculo.

Gal aceita convite para cantar no segundo disco do sambista Romulo Fróes

Gal Costa aceitou convite para gravar Feito um Estranho no segundo disco de Romulo Fróes. Foi no primeiro, Calado, que ela ouviu Pra que Cantar, música de Nuno Ramos incluída em seu próximo álbum. Jurei, outra de Nuno gravada por Gal, está no segundo CD de Fróes. A música Feito um Estranho é de autoria do próprio Romulo Fróes - cantor, compositor e artista plástico paulista que tem dividido opiniões com seu samba de sotaque experimental. Seu primeiro disco, Calado, foi editado em meados do ano passado pelo selo paulista Bizarre Music. Romulo desenvolve trabalho ligado a Nuno Ramos (também artista plástico) e a Eduardo Climachauska, mais conhecido como Clima na cena indie paulista.

Extraído do site O Dia online

Gal Costa rerspira novidades no próximo disco

Beto Feitosa

Gal Costa, que completa 60 anos no início da primavera, respira novos ares para o próximo disco. O CD, produzido por César Camargo Mariano, é o primeiro da cantora pela Trama e aposta em novos compositores como Moisés Santana, Junio Barreto, Tito Bahiense, Moreno Veloso, Nuno Ramos e o trio Hilton Raw, Lenora de Barros e Marcos Augusto.

"Para mim é uma honra poder mostrar o trabalho dessa rapaziada que muitas vezes tem dificuldade de divulgar sua produção na mídia. Era uma inquietação minha e é muito gratificante trazer essa garotada à tona”, diz Gal em nota publicada no site da Trama.

O CD, que sai em setembro, tem a participação do músico afrincano Lokua Kanza. Ele participa da faixa Sexo e luz. Assista ao vídeo no site da Trama, clique aqui!

Extraído do site Detalhes Ziriguidum

Baden e Bethânia na fita

Mauro Ferreira

Biscoito Fino lança no Brasil o DVD do documentário francês 'Saravah', filmado no Rio em 1969

Baden Powell e Maria Bethânia são as figuras centrais do filme de Pierre Barouh,
até então inédito no mercado nacional

Em 1969, as lentes francesas do cineasta Pierre Barouh captaram inusitada e informal reunião de Paulinho da Viola com Maria Bethânia, em roda de samba.

Esquecendo o tom teatral típico de seu canto, a Abelha Rainha trocou informações com o compositor e caiu no samba, soltando a voz em temas como Coração Vulgar (do próprio Paulinho) e Rosa Maria.

As imagens, raras, fizeram parte do documentário Saravah – inédito no Brasil durante 36 anos. Felizmente, a gravadora Biscoito Fino acaba com o (inexplicável) ineditismo nacional ao lançar esta semana o DVD do filme francês, já editado na Europa e no Japão. 

Cantora se acompanha ao violão em ‘Pra Dizer Adeus’

Pena não ter sido feita a restauração digital do filme. Imagem e áudio são precários. Ainda assim, é um prazer ver e ouvir Bethânia contar a Paulinho que o samba Tudo É Ilusão (de Hannibal da Silva e Eden Silva, os autores de Rosa Maria) também fazia parte do repertório de Dalva de Oliveira (a cantora gravou o samba em 1968).

Em outra cena, numa boate, Bethânia canta duas músicas de Caetano Veloso pouco associadas ao seu repertório – Baby (em tom esfuziante) e Tropicália – e revive o Frevo Nº 1 do Recife (de Antonio Maria) com o trombone de Raul de Souza. Mas o número mais surpreendente é Pra Dizer Adeus. Bethânia se acompanha ao violão na música que gravara em 1967. É imagem de alto valor documental que redime o áudio às vezes inaudível do filme.

Extraído do site O Dia online

Crítica

Nelson Gobbi

Bebel Gilberto
Universal Music

Ser filha de João Gilberto não deve ser fácil. (Ser João Gilberto já não deve ser fácil). Para trilhar seu próprio caminho, a filha de João e Miúcha exilou-se em Nova York, onde encontrou inspiração para lançar o disco Tanto tempo (2000), que projetou seu nome no exterior - com ecos mais tímidos no mercado brasileiro - após a boa marca de 900 mil cópias vendidas em todo mundo.

Em seu novo álbum, que leva seu nome, a cantora preferiu não reinventar a roda, como o pai fez com o canto sussurrado e a batida inconfundível ao violão. Delineada entre entre o lounge - o original, acústico, e o eletrônico - e a bossa, a música de Bebel é forjada em pequenos detalhes, que se revelam a cada audição. A desprentensão confere leveza ao álbum, evitando que Bebel seja incensada como a última salvação da música brasileira, como foi Maria Rita no ano passado, o que, em si, já é uma enorme vantagem.

Bebel optou por um álbum de sutilezas, construído sobre letras singelas e minúcias sonoras, complementada por sua voz aveludada, que se aproxima cada vez mais do timbre materno. Como no trabalho anterior, Bebel dá tom autoral ao disco, assinando uma música e outras oito parcerias, entre as treze faixas do CD.

Com os tecladistas Marius de Vries (que também assina a produção) e Didi Gutman, a cantora compõe pequenos tratados sentimentais, como Simplesmente, Next to you, River song e Winter. Assim também são O caminho, de autoria de Bebel - que é acompanhada por João Donato, ao piano -, ou Cada beijo, parceria com Guy Sigsworth. Em todas essas faixas o amor, a solidão ou a saudade não são tratados com grandiloqüência. São emoções próximas, no nível das coisas elementares, portanto essenciais. A nostalgia é tratada da mesma forma, em Céu distante (parceria com Pascal Gabriel), espécie de Canção do exílio de Bebel.

Com Carlinhos Brown, a cantora compõe a deliciosa (em todos os sentidos) Jabuticaba. O menstrel do Candial ainda cede a melhor faixa do seu último álbum (o irregular Carlinhos Brrown é Carlito Marrón), Aganjú, na qual a cantora conta com o luxuoso backing vocal de Miúcha. Outro presente é Every day you've been away, assinado por membros de duas outras castas da música brasileira, Daniel Jobim (filho de Tom) e Pedro Baby (filho de Pepeu Gomes e Baby Consuelo).

Mas nada alcança o lirismo de Baby (Caetano Veloso), na qual Bebel recupera a versão inglesa dos Mutantes, gravada em seu álbum de estréia, Os Mutantes (1968), indo além dos ecos das interpretações de Rita Lee e Gal Costa, na gravação original da música.

[25/06/2004]

Extraído do site JB online JB online

Disco

O essencial: A canção, a voz, o violão.

Assim é o CD que junta Marianna Leporace e Willians Pereira. A música em sua essência, sem enfeites e efeitos, apenas o básico ressaltando a força das criações. A cantora e o violonista se encontram nas obras de alguns de nossos maiores compositores. Voz limpa e cordas certeiras em grandes momentos intimistas. Todo o repertório versa sobre a própria música, expõe a paixão dos artistas pelo ofício e foge de óbvio.

De Chico Buarque os dois escolheram a pouco lembrada A voz do dono e o dono da voz, que fala sobre a relação da arte com a indústria, além de Uma canção inédita, recente parceria com Edu Lobo para a trilha sonora da peça Cambaio. "Há canções e há momentos em que a voz vem da raiz", garantem em Canções e momentos, de Milton Nascimento e Fernando Brant, música que abre o disco. "Viva a minha profissão", conclui feliz a letra. Milton Nascimento é o compositor mais presente. Além dessa a dupla traz Certas canções (com Tunai) e Viola violar (com Márcio Borges).

Faixas
1. Canções e momentos/Amanheceu, peguei a viola 
2. Cordas de aço 
3. Certas canções 
4. A voz do dono e o dono da voz 
5. Violão 
6. Guia de cego 
7. O cantador 
8. Quem tem a viola 
9. Uma canção inédita 
10. Violeiros 
11. Voz de mulher 
12. Viola violar 


Título: A canção, a voz e o violão
Artista: Marianna Leporace e Willians Pereira
Gravadora: Mills Music
Onde encontrar este cd: FNAC - Barra - Tel: ( 21)2431-9292
RJ - Rio de Janeiro 

Music News - 30/6/2005 - Por Tratore

Um lar para os chorões

Pioneira na Bahia, a Escola de Choro Cacau do Pandeiro quer formar adeptos do gênero
Cláudia Lessa

Equipe de instrumentistas da terceira escola de choro do Brasil, situada no Rio Vermelho: aprendizado requer dedicação

Sentimental, sofisticado e essencialmente nacional, o chorinho sempre esteve presente neste um século de indústria fonográfica brasileira. Na Bahia, um dos berços fortes dos chorões, o gênero vem garantindo sua repercussão com a Roda de Choro, idealizada e coordenada pelos músicos Juvino Alves e Elisa Goritzki. Como conseqüência desse projeto criado há cinco anos e realizado semanalmente no Teatro Vila Velha, nasceu a Escola de Choro Cacau do Pandeiro.

"É a primeira escola de choro na Bahia e a terceira no Brasil", enfatiza Juvino Alves, doutor em execução musical - clarineta pela Ufba. Batizada com o nome artístico de um dos mais populares mestres baianos do pandeiro, a instituição tem como método a união do conhecimento da tradição do choro com o ensino acadêmico contemporâneo do gênero. "Muitos colegas meus, mais importantes do que eu, não tiveram esse reconhecimento. Para mim, que tenho 67 anos de música, é um orgulho muito grande receber essa homenagem", disse Carlos Lázaro da Cruz, o Cacau do andeiro, 76 de idade, com a simplicidade que lhe é peculiar.

A Escola de Choro Cacau do Pandeiro começou a atuar no ano passado, mas só agora seus organizadores resolveram divulgá-la formalmente. Integrante da ONG Casa do Choro - que inclui também o Núcleo de Pesquisa de Música Brasileira (cujo objetivo é aprofundar os estudos sobre o fenômeno do choro na Bahia) e a própria Roda de Choro -, a Escola de Choro Cacau do Pandeiro proporciona o aprendizado de diversos instrumentos, entre os quais o pandeiro, a cargo do próprio Cacau. "Para quem tem o ritmo no sangue, aprender a batucar não é difícil", garante o pandeirista autodidata.

Há aulas de bandolim (Ailton Reiner), cavaquinho e banjo (Dudu Reis), clarineta e saxofone (Juvino Alves), flauta (Elisa Goritzki), violão seis cordas (Horácio Reis) e violão sete cordas (Gilson Verde), além de canto. O aprendizado do choro exige uma apurada técnica instrumental e conhecimentos de improvisação, harmonia, prática de conjunto, percepção, história, valorização e reconhecimento das culturas brasileiras. "O estudo do choro proporciona um equilibrado desenvolvimento pessoal e instrumental", observa Juvino. Na escola, o aprendiz é convidado a desenvolver basicamente quatro atividades: estudo do instrumento escolhido, prática de conjunto, história da Música Popular Brasileira e percepção musical.

O chorinho requer dedicação individual e, sobretudo, vivência. "Um dos requisitos para ser um chorão é conviver com os músicos portadores da tradição do gênero. Tanto que a Roda de Choro funciona também como uma extensão da escola, ou seja, é ali que os alunos mais aptos são levados para praticar", ressalta Juvino.

A Escola de Choro Cacau do Pandeiro está aberta para todas as pessoas, com ou sem conhecimento musical, interessadas em música popular brasileira, em especial o choro. "Acredito que a partir dos 10 anos a criança já pode começar a tocar um instrumento. Aliás, a nossa idéia é incentivar o gosto pela música e pela cultura", disse o coordenador.

Carioca ou baiano?
Originário da mistura de elementos das danças de salão européias (como polca, valsa, minueto, scottish) e da música popular portuguesa, com influências da música africana, o choro nasceu na Bahia ou no Rio de Janeiro? Como ocorre com o samba, há controvérsias. O especialista Juvino Alves prefere dizer que o gênero é brasileiro. "Não há estudos significativos que afirmem exatamente de onde ele surgiu", diz. O Rio de Janeiro é considerada a capital do choro e foi lá que o violonista nordestino João Pernambuco se estabeleceu como um dos pioneiros do gênero. O estado carioca, então capital do país, recebeu de braços abertos músicos como Ademildes Fonseca, Severino Araújo, Otaviano Pitanga e Cachimbinho, todos nordestinos. Sabe-se, por outro lado, que a Bahia tem tradição de choro desde o início do século XIX, quando surgiram os primeiros grupos do gênero. "Tenho encontrado partituras de choro da década de 30, na cidade baiana de Barreiras", cita Juvino. Seja em solo baiano ou carioca, o certo é que o choro era, no início, apenas uma maneira mais "chorosa" de interpretar uma melodia. Somente no início do século XX é que o chorinho se tornou um gênero musical.

Pioneiros geniais
Muitos músicos e compositores contribuíram para que o choro fosse alçado à condição de gênero. Joaquim Antônio da Silva Callado, autor da polca Flor amorosa (até hoje tocada pelos chorões) e Chiquinha Gonzaga, primeira chorona e pianista de choro, autora da clássica Corta-jaca, são pioneiros. O clarinetista Anacleto de Medeiros, que em 1902 realizou as primeiras gravações do gênero, também escreveu as primeiras páginas da história do chorinho. Mas foi o sofisticado Ernesto Nazareth um dos maiores responsáveis pela formação da sua linguagem. Sua obra foi definitivamente integrada ao repertório básico dos chorões nos anos 40 e 50, através das gravações de Garoto e Jacob do Bandolim. Este último, autor de Noites cariocas, ficou famoso não só pelo seu virtuosismo como instrumentista, como também pelas rodas de choro que promovia em sua casa nas décadas de 50 e 60. O genial Pixinguinha, autor de Carinhoso (com João de Barro), também contribuiu diretamente para que o choro ganhasse seu formato definitivo ao introduzir elementos da música afro-brasileira e da música rural nas polcas, valsas, tangos e scottishes. Waldir Azevedo, outro representante de peso do choro, foi quem mais obteve sucesso comercial por causa de suas obras de maior apelo popular, como a antológica Brasileirinho.

O quê - Escola de Choro Cacau do Pandeiro
Onde
- Praça Geraldo Walter, nº 76, Rio Vermelho
Contato
: 8847-3110

Música na serra

Petrópolis - Festival de Inverno

A música volta a impregnar o ar serrano do Rio de Janeiro, que abriga, pelo quinto ano consecutivo, o tradicional Festival de Inverno de Petrópolis, de amanhã até o dia 31 de julho. A programação, com mais de 60 atrações, traz nomes como Pedro Luís e a Parede, Zélia Duncan, Jair Rodrigues, Léo Gandelman, entre outros. A realização é da Dell''Arte, em parceria com o governo estadual do Rio de Janeiro e a prefeitura da cidade carioca.

Music News - 30/6/2005 - Por Redação

[ Travessia - ver cantos anteriores ]



Ir para Home



Pão e Poesia - Simone

"Um cantinho, um violão. Este amor, uma canção. Pra fazer feliz a quem se ama. Muita calma pra pensar. E ter tempo pra sonhar. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor - que lindo! Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente desse mundo... Ao encontrar você, eu conheci o que é felicidade, meu amor." (Corcovado - Tom Jobim)

Meu Perfil

BRASIL, Sudeste, Mulher

 


"Música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia"
Ben Jor




*Uma brasileira*

Paulistana da gema.
Ariana, 43 anos, jornalista. Música é o que mais me alimenta a alma. Esse espaço é destinado a quem prestigia a Música Popular Brasileira. O objetivo é difundir o que temos de melhor, fazer amigos, ampliar o repertório e estimular o conhecimento.
Entre e fique à vontade!



Meu Perfil no Orkut







bamba(s) online


Assine meu Livro


*Tantas Palavras* Contatos:

Pela Internet:
vlgb@uol.com.br

Pelo Telefone:
(11) 8985-7531




*Sintonia*
Cultura AM, SP
Eldorado FM, SP
MPB FM, RJ
Nova Brasil FM, SP
USP FM, SP







 Rádio Bossa Nova 
Jeannie Black, Seattle (USA)

 


 

 

Cantaram comigo: