Pão e Poesia por Vera Barbosa - UOL Blog
Os mais doces bárbaros

07/10/2004 - Documentário "Os Doces Bárbaros" volta com novas cenas


Imagem: ziriguidum.com

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de 28 anos da estréia do documentário "Os Doces Bárbaros", do diretor Jom Tob Azulay, seu relançamento nesta sexta-feira traz um misto de nostalgia e empolgação naqueles que presenciaram o sucesso do quarteto formado por Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil. São duas horas de música e entrevistas que culminam na canção hino hippie/tropicalista "Os Mais Doces Bárbaros", que não apenas evoca um grupo ícone da cultura nacional, mas remonta a idéia festiva e metafórica de contraste à efervescência política e engajada dos anos 1970. Pelas lentes de Azulay, o espectador é transportado para a turnê nacional realizada pelo grupo em 1976, a mesma que gerou o único álbum do quarteto. Este detalhe é importante, pois os discos ao vivo ainda eram raros na época, e o registro sonoro deficiente era compensado por farto material inédito. Assim, toda a confecção desse trabalho é apresentada para o público por meio do filme. E lá estão todos os clássicos do quarteto: "Atiraste uma Pedra", "Pássaro Proibido", a homenagem a Rita Lee "Quando", entre apresentações no Canecão, no Rio de Janeiro, e no Anhembi, em São Paulo. A lista de canções e coreografias emocionantes se completa ainda com "Esotérico" e "Um Índio". Música, dança, drogas, álcool, composição, coreografias, tudo, enfim, é captado pelo olhar do diretor em seu polêmico filme.

Mesmo a interrupção imprevista, em Florianópolis, quando Gil foi preso, julgado e condenado por porte de maconha -- fazendo com que o grupo ficasse um mês sem apresentações --, está na produção, que agora é relançada em versão remasterizada, com cenas inéditas. A qualidade do som é um trabalho a parte. Depois de um ano e meio, o que a princípio era mono, tornou-se, agora, dolby digital (5.1). Uma transformação que garantiu uma qualidade superior à produção, perceptível já nos primeiros minutos de filme. Um investimento obrigatório, ao ser analisado o potencial comercial do filme. Se em 1976 os "Os Doces Bárbaros" foram recebidos com críticas pelo tom escapista que adotavam, na contracorrente da resistência da MPB ao regime militar, hoje eles se reencontram nas telas escuras do cinema, divertindo um público afeito aos devaneios metalinguísticos de Gilberto Gil e à ferocidade fisionômica e verbal de Bethânia. Caetano e Gal, à parte, fazem coro. (Por Rodrigo Zavala, do Cineweb) - UOL Cinema

Comprar DVD

"Lula precisa governar para todos os brasileiros", afirma Chico Buarque
27/04/2005
Compositor fala de música, literatura e política em entrevista
José Andrés Rojo - Em Nova York

Aos 60 anos, que não aparenta, Chico Buarque conseguiu triunfar em duas especialidades artísticas muito diferentes: a música e a literatura. Eleitor do presidente Lula, acaba de participar do festival literário PEN World Voices, que reuniu em Nova York os principais escritores de todo o mundo. Buarque publicará em breve na Espanha seu último romance, "Budapeste".

João Wainer/Folha Imagem

"Creio que votaria em Lula mais uma vez", afirmou o músico e escritor

Chico Buarque sofre de insônia.

Custou muito para dar a entrevista, a mudança de horário o deixou louco em Nova York e não queria se submeter a um bombardeio de perguntas cansado e sem vontade. Falou, entre outras coisas, sobre seu novo romance, "Budapeste", que sai na Espanha em 12 de maio. Conta a história de um escritor anônimo que por acaso aterrissa na capital húngara. O fascínio por uma língua tão estranha o levará mais tarde a jogar tudo fora e começar de novo. O romance é construído a partir do desenvolvimento de situações diferentes, e Chico confirma que se move com tanta soltura nesse gênero como na arte de compor letras de canções, que o consagrou como um dos melhores compositores de música popular brasileira dos últimos 30 anos. Com olhos azuis que parecem olhar além do mundo, uma grande elegância e um extraordinário senso de humor, Chico Buarque dá a entrevista no bar do hotel, onde há um ruído infernal. Então gritamos.

El País - Poderíamos começar pelo princípio. Pela sua infância, o mundo em que cresceu.
Chico Buarque -
Fomos muito cedo para São Paulo, mas continuávamos veraneando no Rio. Lá vivia grande parte de minha família. Sou o quarto de sete irmãos, e da infância posso dizer que o mais importante foi o futebol, nas praias do Rio e nas ruas de São Paulo. E depois a música, as velhas canções brasileiras que meus pais escutavam, o rádio que minha babá tinha permanentemente ligado. Em 1953 mudamos para Roma, aonde meu pai viajou por seu trabalho de diplomata e onde passamos dois anos, e aquele tempo também recordo cheio de música, cheio de canções napolitanas. Vinicius de Moraes, que era amigo de meu pai, estava lá também e vinha à nossa casa.

EP - Essa relação influenciou sua vocação para a música?
Chico -
Para todas as pessoas da minha geração, "Chega de Saudade", o tema que iniciou a bossa nova, composto por Vinicius e Jobim e cantada por João Gilberto, foi uma epifania, uma grande revelação. Posso lembrar perfeitamente o momento em que a escutei pela primeira vez, aos 15 anos, mas afirmo que todos os músicos de idade parecida com a minha poderiam lhe contar onde, como e em que momento a descobriram. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo... Ela mudou nossas vidas.

EP - Então uma canção determinou o destino de um punhado de futuros músicos...
Chico -
Sem dúvida. Caetano era então crítico de cinema, poderia ter-se dedicado à direção, mas acabou preso nas redes da música. Eu me interessava por escrever, meu pai me apoiava nesse caminho, mas acabei também empunhando um violão. Considerávamos que era o que se devia fazer, o poder daquela música era tão forte que marcou nossos caminhos.

EP - Você manteve os laços de amizade com Caetano e Gilberto Gil?
Chico -
Entre 1966 e 1967 fomos inseparáveis, vivíamos perto, passávamos o tempo todo fazendo música. Depois cada um seguiu seus próprios rumos.

EP - E seu pai, que o apoiou para se dedicar à escrita, como encarou sua dedicação à música?
Chico -
Ficou encantado. Era fundamentalmente um erudito, sociólogo e historiador, mas gostava de se sentar ao piano e tocar canções e cantá-las, tinha um temperamento boêmio. Em casa, seu escritório era um lugar intocável. Foi meu gosto por escrever que me franqueou as portas daquele mundo proibido. Ele lia o que eu fazia. É preciso estudar um pouco mais, me dizia, você precisa ler isto ou aquilo.

EP - Você conhecia as obras dele?
Chico -
As li muito mais tarde. Comecei por "Raízes do Brasil", seu livro mais conhecido, mas isso o incomodava. Insistia que eu devia ler "Visão do Paraíso", seu preferido. Tinha razão, creio que é o melhor.

EP - Que livros ele lhe recomendou?
Chico -
Nenhum em especial. Ali estava a imensa biblioteca, podia-se ler de tudo. Lembro de ter conversado muito com minha mãe sobre "Guerra e Paz", de Tolstói. Quando comecei a escrever mais a sério, queria ser Guimarães Rosa. E quando chegou a bossa nova, quis ser João Gilberto.

EP - Como foram aqueles anos no Brasil, quando você triunfou com canções como "A Banda", "Olê, Olá" e "Madalena"?
Chico -
Tive muita sorte. O Brasil de minha primeira juventude foi um país que mudava em um ritmo vertiginoso, que se modernizava, no qual reinava uma atmosfera de otimismo contagioso. Tudo era possível. No final dos anos 50 e começo dos 60, as cidades se transformaram e surgiam grandes projetos, como o de Brasília. Os novos edifícios, a nova arquitetura, eram sinais de um país que explodia de vida. Chegou 1964, e a ditadura acabou com aquilo.

EP - Foi então que voltou a Itália?
Chico -
Não exatamente. Nos primeiros anos da ditadura, digamos até 1968, o regime foi bastante brando com a cultura. Simplesmente olhou para o outro lado. Estava muito ocupado destruindo os partidos políticos, os sindicatos e os movimentos estudantis. Deixaram os artistas sossegados. Até um cineasta como Glauber Rocha pôde trabalhar em certa tranqüilidade. Mas chegou um momento em que essas relações, digamos que diplomáticas, com a ditadura terminaram de maneira fulminante. Em dezembro de 1968 foi proclamado o Ato Institucional nº 5, que foi um golpe dentro do golpe. Estabeleceu-se a censura prévia, para a televisão, a imprensa, as canções. Em 1969 fui passar um ano e meio na Itália.

EP - E quando voltou as coisas continuavam feias.
Chico -
Sim, continuavam os conflitos com a censura, com o regime. Foram tempos duros: tortura, mortos, desaparecidos. O pior durou até 1975. Então a ditadura voltou a se abrandar, até que caiu definitivamente em 1985. Naquela época, na qual censuraram tantas canções minhas, escrevi meu primeiro romance, que não tem nenhum interesse. Chamava-se "Fazenda Modelo". Foi uma espécie de alegoria desses momentos. Tive necessidade de escrevê-lo, mas não foi uma necessidade que viesse de dentro, foi imposta pelas circunstâncias. Suponho que por isso é tão ruim.

"Lula precisa governar para todos os brasileiros", afirma Chico Buarque

continuação

EP - Quando chegou a democracia, certamente a vitalidade que a ditadura tinha reprimido voltou a explodir.
Chico -
Não, então o Brasil já tinha mudado demais. A ditadura deixou o país no túnel de uma profunda crise econômica e com os conflitos sociais exacerbados. Quando eu falei naquela gloriosa época do final dos 50 e início dos 60, não pretendia dar a entender que não houvesse pobreza. Mas no país que surgiu da ditadura a pobreza chegava a limites insustentáveis, havia muita miséria e violência, e desigualdades sociais tão brutais que realmente é muito difícil mudar isso.

EP - Como você vê a situação do Brasil atual, com Lula?
Chico
- Eu votei nele e continuo tendo confiança. São muito estreitas as margens que ele tem para mudar as coisas e há muitos setores da esquerda que estão impacientes. Mas sua obrigação é de governar para todos os brasileiros, e além disso não o elegeu só a esquerda, mas também outros setores muito amplos da sociedade. A grave complicação que tem e que não tem remédio senão gerar confiança em todos os que não votaram nele, e isso é perigoso. Em vez de ter ciúme, deveríamos estar perto dele porque, creia-me, os braços dos banqueiros são muito confortáveis...

EP - Tanto que podem acabar o asfixiando...
Chico -
Bem, especulou-se muito sobre o que aconteceria quando Lula chegasse, e afinal não aconteceu nada. Dizia-se que as mudanças que ele ia introduzir seriam perigosas, cheias de riscos, que afetariam a governabilidade do país. E isso não aconteceu. Esperavam-se conflitos sociais, e não aconteceram. Pensou-se que a economia seria um desastre, e não foi. Talvez o que ele esteja fazendo seja mais da mesma coisa, mas talvez não tenha muitas possibilidades de ir mais longe. Pelo menos por enquanto. Creio que votaria nele de novo. Pelo menos está realizando algumas das coisas que se esperavam dele.

EP - Mudemos de assunto. Que diferença há entre escrever romances e escrever canções?
Chico -
Com as canções a música chega ao mesmo tempo que as palavras. Não posso imaginar que seja possível fazer uma coisa antes e depois a outra. Estão indissoluvelmente unidas. Quanto aos romances, quando escrevo um ouço música na cabeça. Não é que ponha música, ouço a que o livro deve ter. Não ponho discos, não escrevo ouvindo jazz ou música clássica. Hoje há música em toda parte, nos hotéis, nos aeroportos, nas lojas, na rua... Não me refiro a algo que ocorre fora, é algo que vem de dentro. De toda forma, são processos muito diferentes. Ninguém pode garantir que um bom escritor de canções seja um bom romancista. Eu tive que correr o risco, e creio que a esta altura as pessoas se acostumaram com a idéia de que também sou um romancista.

EP - Que coisas em comum têm seus livros?
Chico -
Há cerca de 15 anos publiquei "Estorvo", o primeiro romance que consegui escrever em meu próprio estilo literário, no qual encontrei uma voz que fosse realmente a minha. Todo o longo processo de provas e tentativas de buscas terminou ali; podia escrever com liberdade. Creio que essa voz não mudou, apesar das diferenças que podem haver entre um livro e outro.

EP - Pode dizer que conseguiu, que se transformou em Guimarães Rosa?
Chico -
Tudo o que li na juventude me marcou profundamente, mas não há marcas visíveis de Guimarães Rosa em meus romances. Para conquistar sua própria literatura é preciso se distanciar muito de suas grandes paixões como leitor, mas devo reconhecer que sem Guimarães Rosa eu não seria escritor. Foi o mais forte que me aconteceu em minha etapa de formação, mas agora já não se nota.

EP - O protagonista de "Budapeste" é um escritor anônimo que nada quer saber de fama e reconhecimento. Quanto há de você nesse personagem?
Chico -
Quando comecei o livro, o personagem central era um arquiteto, mas não a coisa não avançava. Comecei de novo e apareceu esse escritor anônimo. Me senti muito próximo dele. O ofício de escrever é muito solitário. Isso todos dizem, mas em meu caso estou totalmente só. Antes, de vez em quando lia um capítulo para minha mulher. Agora, porém, não há mais ninguém. Me fechei durante dois anos com "Budapeste", o terminei e dei a meu editor, que não sabia do livro. Você está só, sofrendo por não saber como vão sair as coisas... mas também tem momentos de vaidade. Pára, sai para tomar uma bebida com os amigos e olha para eles pensando que ignoram que têm na sua frente uma pessoa que acaba de criar uma página impecável. O escritor tem esse sentimento de ser no fundo um fantasma.

EP - As histórias de seu personagem com as mulheres não terminam muito bem. Percebe algum tipo de mudança recente nas relações entre homens e mulheres?
Chico -
Eu vivi a grande mudança da mulher, com a chegada da pílula, com a irrupção do feminismo. Nos anos 70, as acompanhei como um companheiro um tanto estupefato. Mas agora as transformações são de outra natureza. Muitas das grandes executivas de hoje herdaram o afã de autonomia das feministas de então, isso é ótimo. Mas ao mesmo tempo incorporaram uma vontade férrea de ocupar o poder que as torna muito conservadoras. Sinto muita falta da loucura dos anos 60, do entusiasmo. Hoje algumas criam tanta distância com o homem que não sei como tratá-las.

EP - Conta a história de um homem que quer mudar radicalmente e depois, de alguma maneira, se extravia...
Chico -
É alguém que tem uma grande paixão pelas palavras, e é essa paixão que lhe permite manter-se ligado ao mundo. O que eu conto é o desafio que assume para se transformar totalmente. Aprende outra língua, integra-se a outra cultura. Seu exílio é radical. Não tem nada a ver com esse tipo de exílio no qual você se cerca de compatriotas e continua pendente do que acontece em seu verdadeiro mundo. Esse homem aprende húngaro para esquecer tudo o que ele já foi. A obsessão por apagar qualquer sotaque que possa delatá-lo como estrangeiro é sua obsessão por abandonar sua identidade, por perder completamente suas raízes. Não pertence a nenhum lugar, está totalmente só.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves (Matéria publicada no UOL Notícias)

Cultura e entretenimento

O Bar Brahma é parada obrigatória para os quarentões de São Paulo. Com mais de meio século de vida e muita nostalgia, está localizado em sua esquina mais famosa, no cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João, eternizado na canção Sampa, de Caetano Veloso. Com um ambiente elegante, mas despojado, é ideal par ir acompanhado de amigos e/ou familiares que apreciem boa música e um chopp encorpado com petiscos, assados ou massas. Hoje, o bar recebe artistas como os Demônios da Garoa, Benito di Paula, Jair Rodrigues e Cauby Peixoto. O Luzes da Cidade, passeio organizado pelo Bar Brahma, passa por pontos turísticos e termina com boa música. Aos domingos, acontece o Domingo Paulistano, que nos salva do tédio de um dia tão preguiçoso. Vale a pena conferir!

SERVIÇO

Endereço: Avenida São João, 677 - Centro
Telefone: 3333-0855
Horário: 11h/1h (qua. e qui. até 2h; sex. e sáb. até 4h; dom. 12h/23h)
Aceita os cartões Visa, Mastercard, American Express, Dinners
Estacionamento com manobrista (pago)

Os acridoces Demônios da Garoa

Fernando Toledo & Áurea Alves

Certos intérpretes traduzem tão perfeitamente um compositor, que dificilmente se pode dissociar um do outro. Os Demônios da Garoa eram assim: sua música está tão permeada do linguajar e dos maneirismos de Adoniran Barbosa, que, ao recordarmos as composições deste, inconscientemente nos vem à mente o coro deste fantástico grupo vocal, com suas aliterações e sons onomatopaicos – o mais característico, mesmo, sendo a simulação dos ruídos emitidos por um trem a rodar, ao final de Trem das onze. Ninguém, em tempo nenhum, cantou ou cantará as músicas do Rubinato como os Demônios. Pareciam feitos um para o outro. E, de certa maneira, foram.

Adoniran já havia sido gravado antes. Dona Boa, parceria com J. Aimberê, ganhara, em 1935, o concurso de músicas carnavalescas organizado pela Prefeitura de São Paulo, e fora gravada por Raul Torres. Outras gravações se sucederam, como, por exemplo, Joga a chave (parceria com Osvaldo Molles, que redigia os textos de seus programas no rádio), que obteve um relativo sucesso. Mas ainda faltava a explosão, a consagração. Seus versos escritos num português repleto de erros, herança dos textos de Molles (que criava personagens baseados em tipos populares, como o malandro Charutinho, o judeu mão-de-porco Moisés Rabinovic e o motorista carcamano Perna Fina e outros), eram a tradução perfeita dos imigrantes italianos pobres que habitavam os cortiços, ou, falando paulistês, as malocas. E foi justamente por causa de uma canção inspirada nestas que Adoniran subiu ao degrau dos grandes criadores da Música Brasileira.

Saudosa Maloca, inicialmente, havia sido concebido como um samba-canção dolente, a saga dos até então anônimos Mato Grosso e Joca (além do narrador), inspirados em dois pobres-coitados amigos do autor. O próprio Adoniran a gravou, em tom triste, como a pensara. Não deu praticamente em nada.

Em 1943, cinco jovens também paulistas que utilizavam o nome de Grupo do Luar resolveram alterá-lo e passaram a denominar-se Demônios da Garoa. Um dos motivos era o excesso de grupos com Lua em seu nome. Outro, reza uma das lendas, seria a associação que poderia ser feita entre a expressão “grupo” e o jogo do bicho, fortemente reprimido pelo governo de Vargas. Além disso, grupos musicais com nomes que remetiam a coisas infernais estavam em voga: Diabos do Céu, Anjos do Inferno etc. A garoa, evidentemente, deve-se ao peculiar clima paulista. E os Demônios resolveram gravar, a seu modo, de forma brejeira, adicionando um coro não-existente no original, ao final da gravação, Saudosa Maloca. A saga triste narrada de forma alegre, estabelecendo este delicioso paradoxo do samba que faz com que o mesmo seja a tristeza que balança – como dizia Vinícius. Foi um sucesso.

Os ingredientes eram altamente originais: a linguagem dos desvalidos apresentada sem maquiagem; o extraordinário trabalho vocal e instrumental dos rapazes; uma ginga diferente, simutaneamente negra e italianamente branca, tal qual ainda não se vira. E uma letra que calava forte na Realidade, sem meneios. O avassalador êxito dos Demônios lhes conferiu (e a toda uma estética singular, centrada no mundo dos guetos paulistas) reconhecimento por todo o País. Finalmente alguém – Adoniran – se debruçava sobre aquele universo, com conhecimento de causa; finalmente alguém – os cinco rapazes – o traduzia da forma acridoce que merecia. Outros êxitos se seguiram, como o engraçadíssimo Samba do Arnesto, Agüenta a mão, João, e, é claro, o imbatível Trem das Onze, que vem fazendo calingudum há mais de quarenta anos. Em 1990, entraram para o Guinness, como o mais antigo grupo vocal em atividade no mundo, obviamente sem a formação original.

Cinco rapazes: Francisco Paulo Gallo, Artur Bernardo, Cláudio e Arnaldo Rosa, e Antônio Gomes Netto, o Toninho, exímio num instrumento extremamente raro, o violão tenor. Toninho morreu no último 25/02, aos setenta e seis anos. Era o último dos Demônios, o único remanescente da formação original, que mudou indelevelmente a noção de que São Paulo era estéril, em termos de samba.

E assim o mundo fica, a cada dia, menos endemoninhado, optando diariamente pela esterilidade artística que caracteriza as hostes celestiais.

Canta, Brasil!
No Dia Nacional do Choro, compositor Waldir Azevedo é relembrado com shows e lançamento de livro no CCSP

Autor de "Brasileirinho" ganha biografia

Arquivo pessoal/Olinda Barboza Azevedo
O cavaquinista Waldir Azevedo, autor de "Brasileirinho" e "Delicado", que ganha biografia



JANAINA FIDALGO
Uol Música

O virtuosismo que fez de Waldir Azevedo um dos músicos instrumentais brasileiros de maior sucesso comercial é relembrado hoje, Dia Nacional do Choro, com o lançamento de "Waldir Azevedo - Um Cavaquinho na História" (ed. Irmãos Vitale; R$ 49). A biografia, escrita pelo pianista Marco Antonio Bernardo, 40, é a segunda da série "Os Últimos Chorões Históricos" - a primeira foi a do clarinetista Nabor Pires Camargo.

Para marcar o lançamento do livro, uma roda de choro acontece hoje e amanhã no Centro Cultural São Paulo. O grupo Izaías e Seus Chorões, os cavaquinistas Canhotinho (Demônios da Garoa) e Armandinho Araújo e o flautista Renato Camargo, além do próprio autor do livro, se revezam para mostrar os choros mais conhecidos do compositor -morto há 25 anos, completados neste ano.

"O Waldir levou anos para chegar ao cavaquinho [começou tocando flauta e violão], ele era musicalmente inquieto. Não levava a vocação a sério até que a música falou mais alto", conta Bernardo.
Os dedos ágeis de Azevedo podiam tanto dançar sobre as cordas simples do cavaquinho para produzir os andamentos acelerados da inquieta "Brasileirinho", quanto se acalmar para entrelaçar as minúcias de "Pedacinhos do Céu" ou recorrer à marcação do baião para fazer seu "Delicado".

"Ele contribuiu para que o cavaquinho saísse da condição de um instrumento relegado a um plano inferior de acompanhamento, que não tinha a pecha de instrumento solista. De um pedaço de madeira com quatro arames esticados, o que ele conseguiu fazer foi uma coisa extraordinária, tamanha a quantidade de efeitos que conseguia", explica.

Nascido no bairro da Piedade, no subúrbio do Rio de Janeiro, Azevedo teve uma vida cheia de altos e baixos. Aos sete anos começou a tocar flauta, passou pelo bandolim, pelo violão e pelo cavaquinho. Autor de mais de 150 composições, foi com "Brasileirinho", lançada no final de 1949, que veio o sucesso. Excursionou por Europa, Japão e Estados Unidos. Em 1974, perdeu a esperança de seguir tocando, quando, ao se acidentar com um cortador de grama, perdeu a falange de seu dedo anular esquerdo -depois reimplantado com sucesso.


Show de lançamento de "Waldir Azevedo - Um Cavaquinho na História"
Quando:
hoje, às 19h, e amanhã, às 18h
Onde: Centro Cultural São Paulo - sala Adoniran Barbosa (r. Vergueiro, 1.000, Paraíso, tel. 3277-3611)
Quanto: R$ 10
Agenda - Dica

De Paulinho para Pixinguinha
Paulinho da Viola faz mega show em Niterói para lembrar Pixinguinha
por Beto Feitosa

Paulinho da Viola lembra os 108 anos do nascimento do mestre Pixinguinha com um mega show gratuito na Praia de Icaraí, em Niterói. O evento encerra a Semana do Choro que levou para a cidade o melhor do estilo em comemorações que passaram pelo Teatro Municipal e até por um show em uma movimentada esquina da cidade.

Nesse sábado, 23 de abril, a partir das 19h, Paulinho vai subir ao palco montado na praia para mostra seus sucessos como Foi um rio que passou em minha ida, Dança da solidão e Sinal fechado. O compositor, filho de um dos fundadores do lendário grupo Época de Ouro, promete também um set dedicado exclusivamente ao chorinho.

Antes do show de Paulinho da Viola, o grupo Unha de Gato vai aquecer o público. Formado há pouco mais de dois anos, faz parte do movimento de renovação do choro e já se apresentou em várias casas de shows e bares cariocas, além de ter acompanhado o sambista Wilson Moreira.


Paulinho da Viola
Data: 23 de abril de 2005 (sábado)
Horário: 19 horas
Local: Praia de Icaraí
GRÁTIS

Artigo publicado no site Ziriguidum

Divas

Gal será a grande homenageada no festival de jazz em Porto Rico, junho.
08/02/2005 - 20h03 / Ana Ottoni/Folha Imagem

San Juan, 8 fev (EFE).- A cantora brasileira Gal Costa será homenageada na 15ª edição do Porto Rico Heineken JazzFest, informou nesta terça-feira Luis Alvarez, produtor do evento. Em entrevista coletiva, Álvarez explicou que Gal Costa é um ícone da música brasileira. Seu início foi em 1963, quando apresentou junto a Caetano Veloso o espetáculo "Nós, Por Exemplo", que também contava com Gilberto Gil e Tom Zé. Gal gravou seu primeiro single em 1965, e desde então gravou vários sucessos em colaboração com Caetano Veloso. Em 1969, quando vivia na Grã-Bretanha, Gal começou a experimentar com novos compositores e produziu o álbum "Gal", seguido de "Gal tropical". O festival de jazz de Porto Rico acontecerá de 2 a 5 de junho no Anfiteatro Tito Puente, em Hato Rey. O festival é realizado desde 1991 e no ano passado homenageou o saxofonista argentino Gato Barbieri.

Maria Bethania abrirá festival feminino de música na Espanha
Uol Música - 13/04/2005 - 16h18

Madri, 13 abr (EFE).- A cantora brasileira Maria Bethania abrirá o festival internacional "Unicas", totalmente dedicado às mulheres e que realiza sua primeira edição este ano na Espanha, no próximo mês de junho.

Maria Bethania, conhecida por sua combinação de música popular brasileira com bossa nova e tropicalismo, abrirá o "Unicas" no dia 7 de junho na cidade espanhola de Barcelona e, no dia 11, irá a Madri com seu show "Tempo, tempo, tempo, tempo" (título que faz referência à canção "Oração ao tempo", de Caetano Veloso), com o qual comemora seus 40 anos de carreira. Além de suas conhecidas canções, Maria Bethania interpretará temas de seu novo disco, "Que falta você me faz", dedicado a Vinícius de Moraes.

"Este espetáculo, uma homenagem a seus poetas, à sua terra e à mulher, foi especialmente idealizado por ela para a estréia do festival, que apoiou incondicionalmente desde que lhe explicamos a idéia", afirmou a diretora do evento, Lil Castagner.

Pimenta na lata
Mauro Ferreira

Os 60 anos de Elis Regina inspiram caixa que reúne CD, DVDs
e camisa



Elis Regina na foto que ilustra a tampa da caixa ‘Elis Especial 60 Anos’ (no detalhe), nas lojas em 2 de maio

Elis Regina teria completado 60 anos no último dia 17 de março, caso não tivesse morrido em 19 de janeiro de 1982. Presidida por um dos filhos da cantora, João Marcelo Bôscoli, a gravadora Trama vai lembrar a data (com quase dois meses de atraso) com Elis Especial 60 Anos. Trata-se de uma lata em forma de caixa que reúne o DVD Elis Regina MPB Especial 1973 – editado no fim do ano passado com a entrevista da cantora ao programa Ensaio, de Fernando Faro – e o CD e DVD-áudio Elis & Tom, pacote editado também em 2004, com a versão remasterizada e remixada em som 5.1 do célebre disco gravado pela Pimentinha com Tom Jobim, em 1974.

A caixa metálica chegará às lojas em 2 de maio, com o preço sugerido de R$ 100, e trará ainda uma camisa com a estampa da foto da cantora usada na capa do DVD MPB Especial 1973. Mimo para fãs!


Foram vendidos 125 mil DVDs da cantora em 200
4

A caixa-lata idealizada pela gravadora Trama faz parte de bem-sucedida estratégia para revitalizar o catálogo de Elis. A julgar pelas vendas dos vídeos digitais lançados no ano passado, há muito público decidido a consumir a voz imortal da Pimentinha. O DVD com o programa Ensaio, por exemplo, já vendeu 75 mil das 100 mil cópias de sua tiragem inicial. Já o pacote de CD + DVD-áudio de Elis & Tom vendeu 50 mil unidades – cifra expressiva até para CDs novos. Que prova que a saudade de Elis é grande o suficiente para sensibilizar a indústria fonográfica.

Próximo passo será remixar e reeditar disco de 1979

ESSA MULHER João Marcelo Bôscoli negocia com a gravadora Warner Music licença para remixar e reeditar o disco Essa Mulher, de 1979. Foi o LP em que Elis assumiu imagem mais feminina (com cabelos longos). O repertório destacou O Bêbado e a Equilibrista, a música de João Bosco e Aldir Blanc que virou tema da abertura política.

TRÊS DOS ANOS 70
Filho de Elis Regina com Ronaldo Bôscoli, João Marcelo já pensou também em remixar e reeditar os três discos lançados por sua mãe entre 1972 e 1974 – todos intitulados apenas Elis. Os álbuns pertencem ao catálogo da gravadora Universal. O problema é que, alertadas pelo sucesso de Elis & Tom, as gravadoras já cobram caro pelas licenças.

NOVO MILLENNIUM Embora já tenha reeditado todos os discos de Elis, a gravadora Universal dilapida a obra da cantora em coletâneas de séries econômicas. Sua nova coleção, de 100 títulos, foi batizada de Novo Millennium. O volume dedicado a Elis na série inclui 20 hits – entre eles, O Trem Azul, Madalena, Romaria, Fascinação e Cartomante.

Matéria extraída do site O dia, coluna Estúdio - por Mauro FerreiraClique aqui para conhecer!

Rádio USP - 93,7 Mhz

 

Programa Toque Outra vez

Na próxima sexta-feira, 15/04, vai ao ar minha seleção musical. No repertório, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zizi Possi, Caetano Veloso, Djavan e Nara Leão.

Ouça minha seleção!

Conheça o Programa!

A deusa em seu altar

08/04/05
Lygia Roncel

O show, Tempo Tempo Tempo Tempo, é batizado por um verso de Caetano. Com o canto, Bethânia escala o céu e toma o lugar de qualquer astro e qualquer satélite. Descalça, passeia pelo interior de nós e constrói aí seu casulo

Bethânia é quase um milagre que pousa no palco e destrona um deus. Ela está ali, praticamente do avesso - afinal, todos estamos - e, tal qual numa autópsia em vida, ela revira nossas vísceras e espanta nossos males, como a semente de uma religião soberana e unânime, em que é necessário apenas ouvir para crer na existência. Ai, sua voz... às vezes como uma pelúcia que a gente aperta contra o peito e acaricia mansamente o coração, às vezes como uma lâmina retalhando a alma... Eis diante dos nossos olhinhos miúdos a sua imensidão, que é muito maior que o universo e do tamanho exato do meu assombro e reverência.

O primeiro verso é de Jobim e Vinícius, e diz que "não pode mais meu coração viver assim dilacerado, escravizado a uma ilusão que é só desilusão". A dor aguda de todos que amam, ardente e inconsolavelmente, esculpe-se em quase todos os rostos desconhecidos ao redor. Mas não consigo tirar os olhos dela, em cujo resplendor há o dom de hipnotizar. E em cada palavra desabotoada por seus lábios e soprada por seu hálito de santidade, há embutido o mistério e a magia de nos desprender e elevar nossa alma à altura em que ela está. Ninguém desvia o olhar nem se arrisca a piscar e perder um infindo segundo da sua divindade. Maria Bethânia prende nossos olhos porque antes, e violentamente, já algemou o peito e todas nossas entranhas, e ali se diluiu.

Depois vem "Oração ao tempo", e a relação consangüínea com o compositor talvez seja a substância responsável por tornar este momento imorredouro, inscrito para sempre em minha vida, certamente junto com cada minuto da hora seguinte. Há uma atmosfera imortal a pairar sobre ela, como numa celebração de um hino sobre a vida enquanto ela ainda existe, e me provoca a saudade prematura da sensação de estar ali e ter Bethânia, tão viva, bela e cintilante. E eu, sob seu olhar reluzente, por pesar e felicidade, banho os meus nas águas salgadas de um choro contido. Seu sorriso é tão igual ao de Caetano que às vezes, num momento traiçoeiro, parece que vemos os dois juntos, no mesmo gesto e palavra.
 
Crianças novamente, diante dela é o que somos, com os sentimentos tão expostos e palpáveis, como se não houvesse pele, músculos e ossos entre sua voz e nossos corações. Até mesmo seu silêncio é uma avalanche, e nada sobrevive intacto.
  
Dona dos nossos sorrisos com a interpretação espirituosa de "Nos Combates desta vida" e "Você e eu", do nosso consentimento em "Nature boy" ("nada é maior que dar amor e receber de volta amor..."), do silêncio sem fôlego em "Estranho rapaz" ("seu olhar penetrante invadia ofegante no meio de mim, rasgava o meu ventre, meu corpo inteiro, me vendo por fora, me vendo por dentro, do princípio ao fim") e dos aplausos delirantes em "Samba da benção", instante nobilíssimo do espetáculo.

Nossas vozes desafinadas e passionais se entregam aos versos de "Esse cara", "Quem te viu, quem te vê", "Olhos nos olhos", "Terezinha", "Pode vir quente que eu estou fervendo", "Gitá", "Felicidade" e "Tarde em Itapoã", e nossa emoção é uma flor que se despetala quando a homenagem a Vinícius se completa em "O Mais-que-perfeito" ("ah, quem me dera amar-te sem mais ciúmes de alguém em algum lugar que nem presumes") e em "Como dizia o poeta" ("ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão"). E o tempo pára quando ela, sentada num dos púlpitos das extremidade do palco, declama "Monólogo de Orfeu": "A existência sem ti é como olhar para um relógio só com o ponteiro dos minutos. Tu és a hora, és o que dá sentido e direção ao tempo...". Dos enfermos de amor pode-se recolher os estilhaços pelo chão, mas do seio não há como calar os soluços...

Há também "Carcará", para brindar as exatas quatro décadas desde seus dezessete anos, quando sua voz gritou essa mesma canção e a tornou a celebridade que ainda é. Pouco depois vem um velho texto do diretor Fauzi Arap (já presente no disco Pássaro da Manhã, de 77), e fico pasma de ouvi-la. "Entre eu e você existe a notícia que nos separa/ Eu quero que você me veja a mim/ Eu me dispo da notícia e a minha nudez parada/ Te denuncia e te espelha". Respiro fundo, comovida. Já no final vem o fundamental "Soneto de Fidelidade", dizendo-nos que o amor, mesmo fugaz, seja eterno. A terra continua a tremer e eu a balançar com ela até o bis, quando a platéia exaltada e de pé - quase que de joelhos - ouve a unânime "Reconvexo" e a habitualíssima "O que é, o que é". E quando o culto termina e ela corre para a coxia, parece que embarca de volta ao Olimpo.

Artigo extraído do site ilhabrasil

[ Travessia - ver cantos anteriores ]



Ir para Home



Pão e Poesia - Simone

"Um cantinho, um violão. Este amor, uma canção. Pra fazer feliz a quem se ama. Muita calma pra pensar. E ter tempo pra sonhar. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor - que lindo! Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente desse mundo... Ao encontrar você, eu conheci o que é felicidade, meu amor." (Corcovado - Tom Jobim)

Meu Perfil

BRASIL, Sudeste, Mulher

 


"Música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia"
Ben Jor




*Uma brasileira*

Paulistana da gema.
Ariana, 43 anos, jornalista. Música é o que mais me alimenta a alma. Esse espaço é destinado a quem prestigia a Música Popular Brasileira. O objetivo é difundir o que temos de melhor, fazer amigos, ampliar o repertório e estimular o conhecimento.
Entre e fique à vontade!



Meu Perfil no Orkut







bamba(s) online


Assine meu Livro


*Tantas Palavras* Contatos:

Pela Internet:
vlgb@uol.com.br

Pelo Telefone:
(11) 8985-7531




*Sintonia*
Cultura AM, SP
Eldorado FM, SP
MPB FM, RJ
Nova Brasil FM, SP
USP FM, SP







 Rádio Bossa Nova 
Jeannie Black, Seattle (USA)

 


 

 

Cantaram comigo: