Pão e Poesia por Vera Barbosa - UOL Blog
Um trem que embala sampa há 40 anos

Fernando Toledo & Áurea Alves

Há quarenta anos, um trem trafega, ao longo das estações da Música Popular Brasileira, indiferente a intempéries ou acidentes causados por modismos e invencionices afins: o imbatível Trem das Onze, composto por Adoniran Barbosa em 1964.

Samba-símbolo de São Paulo, pedida certa em qualquer roda de samba da cidade ou freqüentada por habitantes desta, Trem das Onze protagonizou uma praticamente inédita, até então, quebra na hegemonia de canções de Carnaval no Brasil como um todo, tendo mesmo vencido o Concurso Oficial de Músicas Carnavalescas do Quarto Centenário do Rio de Janeiro, no ano seguinte ao de sua criação. São Paulo finalmente se estabelecia, em todo o Brasil, como um pólo gerador de um samba personalíssimo, cuja qualidade nada ficava a dever a seus pares cariocas e baianos. Mas quais os verdadeiros motivos do estrondoso sucesso desta canção?

Em primeiro lugar, deve ser observado o elemento original principal que carregavam as composições de Adoniran: cronista por excelência das camadas mais pobres da população de uma das maiores metrópoles do mundo, soube sintetizar com sua temática e suas transgressões do vernáculo o universo de seres absorvidos pelo contraste entre o seu mundo particular (as “malocas”, cortiços tipicamente paulistas) e aquele em que obtinham seu ganha-pão (as grandes fábricas, propriedades de famílias milionárias).

Outro fator importante é o tom de moralismo implícito, na letra de Trem das Onze: o protagonista se vê acuado frente a um dilema insolúvel: é filho único; possui uma preocupadíssima progenitora, que só tem a ele para cuidar de si, e sente-se obrigado a interromper o encontro (cujo grau de arroubo sexual é apenas sugerido, de forma sutil) com sua amada porque não pode deixar de ir para casa e tratar de sua obrigação. Ele não pode ficar, e neste verso inicial pode ser verificado muito do cerne mesmo da canção: é o homem cujo desejo pessoal é vencido pela imposição do mundo exterior, como se contemplasse passivamente a tomada de decisão. Ele não pode, quase que intransitivamente. Existe toda uma gama de fatores que o impedem de fazer o que realmente desejaria. E entre eles pode ser classificado seu próprio senso de responsabilidade, de dever arrebatador, para com este mundo, simbolizado por sua mãe que o aguarda e pela rígida agenda do trem, agenda esta que não tem como alterar, absolutamente externa a sua vontade. E tal discurso, mesmo que despretensiosamente, calou fundo junto ao inconsciente coletivo de um povo - mesmo que veladamente - em sua predominância católico, ou seja, sempre com o fantasma da culpa a rondar sua brejeirice faceira e, aparentemente, despreocupada.

Trem das onze pode ser considerada a concretização de uma frustração, narrada de maneira leve e divertida, pois, como dizia Vinícius, o samba é a tristeza que balança e a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não. E desta forma, vem fazendo calingudum há quarenta anos, alheio a todas as vicissitudes que atravessamos.

Texto extraído do site Revista Música Brasileira

*Ouça gravação original*

Outros sucessos de Adoniran:
Iracema
Tiro ao Álvaro
Saudosa Maloca
Samba do Arnesto
Um samba no Bexiga
Bom dia, tristeza
Casamento Do Moacir
Pra Que Chorar

Biografia

Letras

Discografia

Tomara

Vinicius de Moraes


Paula Morelenbaum

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

Após as atuações integrando o Quarteto Jobim-Morelenbaum e, mais recentemente, com o trio Morelenbaum 2/Sakamoto, a cantora Paula Morelenbaum apresenta o seu novo álbum - "Berimbaum". O repertório deste disco é inteiramente dedicado à obra de Vinicius de Moraes, revisitando numa concepção musical contemporânea, algumas das pérolas do repertório deste poeta e compositor.

Fazendo referência ao instrumento tradicional da música brasileira, o título "Berimbaum" volta a confirmar Paula Morelenbaum como um dos mais importantes nomes da MPB e da Bossa Nova da atualidade. Este segundo disco solo da cantora conta com as presenças do compositor e pianista António Pinto, aclamado pelo seu trabalho nas bandas-sonoras de "Central do Brasil" e "Cidade de Deus", do saxofonista Leo Gandelman, do escritor de canções, produtor e instrumentista Celso Fonseca, Beto Villares e os Bossacucanova.

Texto adaptado do site Attambur

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O amor (Caetano Veloso)

Para minha mãe, que faz 71 anos hoje

Talvez, quem sabe, um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que, na certa,
Eles a ressuscitarão
O século trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora, vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis

Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida, para que não mais existam amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que, a partir de hoje, a partir de hoje
A família se transforme

E o pai seja, pelo menos, o Universo
E a mãe seja, no mínimo, a Terra
A Terra
A Terra

*Foto gentilmente cedida por Kathy

É preciso cantar e alegrar a cidade

Pena que você perdeu o Dia da Música no Bip-Bip...


Para Flavio Feitosa, Chico Genu e, claro, Alfredinho! Sem esquecer Paulinho Castro e todo o pessoal do Bip-Bip


Alfredinho, do Bip-Bip: o bar é endereço certo para
quem gosta da boa música


O Dia da Música, nesta segunda, 22 de novembro, foi mais do que bem comemorado no reduto dos que amam a boa música no Rio de Janeiro: o botequim Bip-Bip, desse maravilhoso e sempre generoso (às vezes zangado) Alfredo.
Os violões de Chico Genu (tudo bem, ele estava sem o seu e se serviu do violão do bar, um pouco machucado pelo tempo) e de Flavio Feitosa embalaram e encantaram a noite dos boêmios que lá foram conferir o que as noites de Copacabana ainda podem nos oferecer de melhor, apesar dos pesares.
Claro, muito Chico Buarque. E também Gilberto Gil, Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Pixinguinha, Noel, Paulo Cesar Pinheiro, Mauro Duarte, Baden Powell, Tom, Vinicius, Toquinho, Carlos Lyra, Luís Antonio, Aldir Blanc, João Bosco, Paulinho da Viola (não teve Dolores Duran?) entre outros compositores. Mas cantou-se, mesmo, Chico Buarque. Há quem brinque que o bar do Alfredinho vai acabar conhecido como o autêntico Chico`s Bar.
Brincadeiras à parte, foi outra das noites memoráveis que o Bip-Bip proporciona. Havia gente chegando de Barra Mansa, havia turistas europeus. E Chico Genu e Flavio Feitosa, como sempre, garantiram a alegria e a harmonia de solidões, de afinidades, de encontros.
Um dia especial que já havia começado na animada roda de samba acontecida ali mesmo no domingo. Dia que continuará pela terça-feira, na tradicional e sempre surpreendente roda de choro, e ainda irá se prolongar pela quarta-feira, na roda de bossa-nova.
Alfredo só lamentava não ter conseguido realizar o que havia planejado para o dia especial: uma missa pelo Dia da Música e, em seguida, um cortejo de músicos pelos bares da cidade. Mas fica pro ano que vem, ó Alfredo tão nosso e deste Rio que ainda resiste e vai em frente cantando.
A mim, perto das duas manhã, restou voltar caminhando agradecido pelas ruas de Copacabana e com esta canção na cabeça, quase uma oração pelo que de melhor se fez em nossa música tão deliciosamente comemorada pelos freqüentadores do Bip-Bip. Saravá!


Sabiá
Tom Jobim - Chico Buarque/1968

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá


 Escrito por André Luís Câmara às 01h13

Conheça a Esquina do André

Dia do Músico e da Música

"Se você tem 15 volumes para falar de toda música brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido. Escreva depressa: Pixinguinha."
Ary Vasconcelos

Pixinguinha escreveu, aproximadamente, duas mil músicas. Foi um dos mais férteis compositores da MPB.

Principais sucessos:

  • Ainda me recordo, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1946)

  • A vida é um buraco, Pixinguinha (1930)

  • Carinhoso, Pixinguinha e João de Barro (1917)

  • Carnavá tá aí, Pixinguinha e Josué de Barros (1930)

  • Chorei, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1942)

  • Cochichando, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1944)

  • Fala baixinho, Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho (1964)

  • Gavião calçudo, Pixinguinha e Cícero de Almeida (1929)

  • Ingênuo, Pixinguinha, B. Lacerda e Paulo César Pinheiro (1946)

  • Já te digo, Pixinguinha e China (1919)   

  • Lamento, Pixinguinha (1928)

  • Mundo melhor, Pixinguinha e Vinícius de Moraes (1966)

  • Naquele tempo, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1934)

  • Os cinco companheiros, Pixinguinha (1942)

  • Os Oito Batutas, Pixinguinha (1919)

  • Página de dor, Pixinguinha e Cândido das Neves (1930)

  • Patrão prenda o seu gado, Pixinguinha, Donga e João da Baiana (1931)

  • Proezas de Solon, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1946)

  • Rosa, Pixinguinha e Otávio de Souza (1917)

  • Samba de fato, Pixinguinha e Cícero de Almeida (1932)

  • Segure ele, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1929)

  • Seresteiro, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1946)

  • Sofres porque queres, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1917)

  • Um a zero, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1946)

  • Vou vivendo, Pixinguinha e Benedito Lacerda (1946)

  • Yaô, Pixinguinha e Gastão Viana (1938)

Saiba mais sobre Pixinguinha

Eu sou paulista

 

Cantoras o mercado brasileiro produz às dezenas a cada década. Muitas delas desaparecem com a mesma velocidade com que surgem. Compositoras são raras. E isso é o que primeiro chama a atenção (mas não só pelo fato em si) no trabalho da paulista Klébi, que está lançando seu terceiro CD, "Escolhas", pela gravadora Velas.
Criando em parcerias boa parte do material dos discos anteriores (sempre foi mais de fazer letra do que música), neste ela assina sozinha 12 das 13 faixas. A outra, " Mania de Possuir", foi extraída do cancioneiro de Guilherme Arantes. "Escolhas" era o trabalho que faltava para Klébi firmar sua personalidade como compositora e intérprete. A história lista poucas compositoras de porte até o inícios dos anos 90: Dolores Duran, Joyce, Rita Lee, Ângela Ro Ro, Dona Ivone Lara, Marina Lima. Neste fim de década/século, em contrapartida, começam a surgir em maior número mulheres compositoras suplantando cantoras.

É um alento ouvir a voz sensual, afinada, encorporada de Klébi, emitida com naturalidade. Ainda mais nesse setor em que atualmente os requisitos básicos como ter voz, afinação e qualidade interpretativa contam menos do que capacidade de rebolar. Assim dizendo, talvez pareça que o valor de Klébi esteja apenas na comparação com as exceções. Nada disso. Ocorre que, entre tantas poses, vozes e repertórios despersonalizadas, sua atitude se destaca. As canções, letras, arranjos e interpretações de "Escolhas" são uma prova de sua evolução. Uma das figuras mais conhecidas na noite paulistana nos anos 80, Klébi Maria Nori, que também é guitarrista, começou, como a maioria, interpretando o repertório alheio - Lulu Santos, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Cazuza, Marina, Legião Urbana, Lobão - no então efervescente circuito de bares, pelos quais trocou os estudos de Filosofia e História. Chico, Gil e Caetano estão entre suas influências, que também vêm de Bruce Springsteen, David Bowie e Chrissie Hynde (dos Pretenders). Isso sem contar os intérpretes clássicos, que ouvia quando criança, por intermédio da mãe: Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Nelson Gonçalves.

Apaixonada por poesia e identificada com o rock, Klébi começou a compor aos 15 anos, estreou nos palcos aos 24 e lançou o primeiro álbum aos 32. "Klébi" (1995) saiu com quatro anos de atraso, uma vez que, com o boom da música sertaneja, ela foi na época rejeitada pelas gravadoras, prejudicada pelo mercado monocultural. Prova de seu cacife, foi que o disco emplacou três sucessos na recém-extinta Rádio Musical FM, especializada em música brasileira -"Calendário Lunar", "Emudecem a Paulista" e "Ligeiro". O CD teve faixas arranjadas pelo Duofel e Skowa, entre outros. O segundo álbum, "Ilusão das Pedras", ganhou um acento mais funk na produção e nos arranjos de João Marcello Bôscoli e Max de Castro. Foi um disco de transição "Escolhas" traz Klébi em sua melhor forma e reúne outras tantas canções com potencial de hits. São Paulo precisa ouvi-la e divulgá-la Brasil afora.

Léo Paladini

Saiba mais 

 

Escolhas, o terceiro CD de Klébi, abre de novo uma oportunidade para que o grande público conheça a cantora, que "solta seu vocabulário" logo na primeira faixa "Pra Pirar". Klébi vem mais atual, usando o som acústico de violões e bandolim, aliados à base de guitarra, baixo e bateria. É um disco autoral. Klébi assina todas as faixas, com exceção de "Mania de Possuir",
de Guilherme Arantes,
que certamente vai tocar muito nas rádios.

 
 


 
Uma voz no vento

Ouvir uma música interpretada por Renato Braz e/ou Mário Gil nos dá a impressão de que o homem foi feito para cantar. A voz de Mário e Renato desliza suavemente na melodia e faz a canção flutuar. Um deleite para quem tem ouvidos apurados e, conseqüentemente, aprecia música de qualidade.

Mário Gil, compositor e violonista mineiro, lançou seu primeiro disco, Luz do Cais, em 93, de forma independente. Em 96, reeditou o CD e realizou uma turnê pela Suíça, apresentando um trabalho sobre música folclórica brasileira. Em 97, trabalhou com o cantor Renato Braz e lançou seu terceiro CD, intitulado Contos do Mar.


Renato Braz nasceu em São Paulo. A música sempre o acompanhou em casa, com a mãe cantando. Aos 15 anos, começou a tocar bateria e percussão. Tocou na noite e, em 1996, lançou o primeiro CD, que levou seu nome. Dois anos depois, veio o segundo, História Antiga. No início de 2002, lançou o CD Outro Quilombo e recebeu o 5º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal. Com o 1º lugar, teve direito a gravar um CD. No final do ano, chegou às lojas, Quixote, pelo selo Eldorado.

Os Discos 

 

Renato Braz

Quixote
Gravadora Eldorado

 

Mário Gil

Contos do mar
Dabliú Discos
 


 
A Renato e Mário, meu agradecimento e a certeza de que "cantar é mover o dom no fundo de uma paixão / seduzir as pedras, catedrais, coração".
Canário do Reino

Carvalho/Zapatta

"Não precisa de dinheiro pra se ouvir meu canto,
Eu sou canário do reino, canto em qualquer lugar
Em qualquer rua de qualquer cidade,
Em qualquer praça de qualquer país,
Levo meu canto, puro e verdadeiro,
Eu quero que o mundo inteiro se sinta feliz"

Paulista de nascimento, Mônica Salmaso iniciou sua carreira na peça “O Concílio do Amor”, em 1989, dirigida pelo diretor Gabriel Vilela. Como solista, seguiu acompanhando diversos artistas, como Paulo Bellinati, Edu Lobo, José Miguel Wisnik, Marlui Miranda e Guinga.

Gravou pela primeira vez nos CDs “Canções de Ninar” e “Canções de Brincar”, de Paulo Tatit e Sandra Peres, vencedores do prêmio Sharp de 1995 e 1997, na categoria música infantil.

Em 1995, participou do disco “Notícias de um Brasil”, de Eduardo Gudin e, no mesmo ano, lançou o CD “Afro-Sambas”, junto com o violonista Paulo Bellinati, com os afro-sambas compostos por Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Gravou dois discos solo, “Trampolim”, em 1998, e “Voadeira”, em 1999, este último pela gravadora Eldorado, como prêmio pelo primeiro lugar no Prêmio Visa de MPB, realizado em 1999

Mônica tem um canto puro e verdadeiro. Ela desliza em nuances melódicas, harmoniozas e cativantes. Seu timbre de voz é unico. Seus graves e agudos nos levam a qualquer rua de qualquer cidade, de qualquer país. Sinta-se feliz: ouça Mônica.

Conheça o novo disco!

 

Iaiá
Biscoito Fino

"Iaiá é um grande encontro de universos - de músicos e compositores, São Paulo e Rio de Janeiro - de uma forma livre, às vezes simples, às vezes complexa. Muitas músicas foram gravadas ao vivo no estúdio, e isso faz com que este seja um cd mais orgânico e mais vivo", diz Mônica.

No repertório, convivem compositores de diferentes épocas, estilos e regiões, tais como Dorival Caymmi, Maurício Carrilho, Paulo César Pinheiro, Jair do Cavaquinho, Xangô da Mangueira, Zagaia, Silvio Caldas, De Chocolat, Carusinho, Rodolfo Stroeter, Joyce, Vanessa da Mata, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, José Miguel Wisnik, Chico Buarque e Tom Zé.

 
 


 
Isso é bossa nova, isso é muito natural
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
É ela a menina que vem e que passa
Num doce balanço a caminho do mar
Moça do corpo dourado do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah! Por que estou tão sozinho?
Ah! Por que tudo é tão triste?
Ah! A beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah! Se ela soubesse que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor
 
Garota de Ipanema - Tom Jobim
 
Essa você deve conhecer de trás para frente, não é? Garota de Ipanema é uma das canções mais tocadas no mundo todo. Foi gravada até por Frank Sinatra, só que com a letra em inglês. E, aqui no Brasil, essa canção é unanimidade nacional! Ela é um dos grandes sucessos da bossa nova, um gênero que, como o chorinho, começou primeiro como uma espécie de exercício musical. Mas a bossa nova só foi pintar vinte anos depois que o chorinho saiu de cena: no final dos anos 50, época do rock, da brilhantina e do twist. A bossa nova teve muita influência das bandas de jazz dos Estados Unidos. Mas sua maior inspiração foi o nosso velho e bom samba. A bossa fez uma releitura desse ritmo super brasileiro, mudando seu ritmo e deixando-o mais suave. Ao contrário do choro, que era um ritmo popular, a bossa nova foi criada por um grupo de rapazes e moças de classe média alta, de mais ou menos vinte anos. Eles se reuniam na casa do poetinha Vinícius de Moraes e da cantora Nara Leão para suas improvisações, chamadas de samba sessions. 
 
 
E por que o nome bossa?
 
Porque, na época, se alguém achava que uma coisa era original, inteligente e bem-humorada, dizia que essa coisa era cheia de bossa. Depois de ouvir a música que o grupo da Nara fazia, que além de ser cheia de bossa, ainda era muito inovadora, as pessoas saiam dizendo que aquele pessoal tinha uma bossa nova, e o nome acabou pegando. Alguns dos grandes nomes da bossa nova são Tom Jobim, Nara Leão, Vinicius de Morais, Toquinho e Carlos Lyra. Mas o grande fundador do novo ritmo foi o baiano João Gilberto, que inventou um jeito diferente de tocar o violão. Algumas das canções mais famosas são O Barquinho, Chega de saudade, Corcovado e Águas de Março. A bossa nova foi a principal influência de um movimento muito importante na música brasileira, o Tropicalismo. Foi do Tropicalismo que sairam nomes como Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil.
E, apesar de já não ser assim tão nova, essa bossa ainda vai viver por muito tempo. Prova disso é o disco Bossa n’Roll, gravado pela Rita Lee na década de 90. Nele, a Rita canta seus rocks em ritmo de bossa nova. Tem até banquinho, mas, no lugar do violão, a roqueira preferiu usar sua bela guitarra elétrica! E não é só! Recentemente, o ritmo voltou à moda nos EUA! Além de ter virado trilha sonora de vários filmes do cinema norte-americano, a filha de João Gilberto, Bebel Gilberto, anda arrebentando no exterior cantando bossa nova!
 
Texto extraído do site Canal Kids
 
Todas as Músicas
 

Songbook Bossa Nova
Lumiar - 5 volumes

Álbum com coletânea de músicas, contendo a partitura com a melodia, cifras e letra. Transcrições das harmonias originais por Almir Chediak

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Especial Bossa Nova


 
Doce Lyra para meus ouvidos

Você e Eu
Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Podem me chamar
E me pedir e me rogar,
E podem mesmo falar mal,
Ficar de mal
que não faz mal.
Podem preparar
Milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir,
Melhor nem pedir,
Eu não vou ir, não quero ir.
E também podem me obrigar,
Até sorrir, até chorar,
e podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer.
Podem espalhar
Que eu estou cansado de viver,
E que é uma pena
Para quem me conheceu:
Eu sou mais você e eu.


Carlos Lyra (Carlos Eduardo Lyra Barbosa), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro em 11/05/1939. Por várias gerações, a música faz parte das atividades de sua família. Estudou em colégio de jesuítas e aprendeu a tocar violão pelo método Paraguaçu. Ainda no colégio, conheceu Roberto Menescal, que também tocava violão, e os dois começaram a estudar juntos, nascendo nessa época a idéia de formar uma academia de violão.

OS CAMINHOS DE LYRA SÃO TRILHAS DAS MAIS INSPIRADAS
Quando Tom Jobim afirma que Carlos Lyra é o grande "conhecedor dos caminhos", o mestre não exagera. Excepcional melodista, Lyra nasceu historicamente junto com a bossa nova. As melodias inspiradas resistem ao tempo, mostrando que o verdadeiro caminho é a independência artística. Lyra e a bossa nova praticamente se confundem, mas o autor de Primavera sempre preservou a sua identidade musical. A primeira música de Lyra a ser gravada em LP - Criticando, registrada em 1956 pelo conjunto Os Cariocas - é uma espécie de precursora da clássica Influência do Jazz e já mostrava que o autor manteria sua autonomia em relação à velha bossa, embora a história o colocasse como um dos líderes naturais do movimento (se é que se pode falar em "movimento").
A identidade de Lyra revelou-se nítida logo no primeiro disco, Carlos Lyra - Bossa Nova, lançado em 1959. Uma tal Maria Ninguém já impunha presença ao lado de clássicos como Quando chegares, Menina e Rapaz de bem (foi Lyra o lançador desta composição de Johny Alf). O universo musical de Lyra já não estava restrito aos deliciosos sal, sol e sul cariocas. Ainda que isso ficasse claro somente na segunda e divergente fase do - vá lá - movimento.
A dicotomia que germinava latente entre os bossa-novistas brota mais fortemente a partir de 1961. Neste ano, Lyra lança seu segundo disco com jóias como Minha Namorada, Você e eu e Coisa mais linda. Mas a cabeça (e o violão) já caminhava em outra direção. No mesmo ano, ele é um dos fundadores do Centro Popular de Cultura, o popular CPC, da UNE (União Nacional dos Estudantes). O laço cada vez mais apertado com o teatro e o cinema (que na época era Novo) politiza a obra de Lyra. E nada aconteceu assim tão de repente. Em 1960, ele já havia composto a trilha da peça A mais valia vai acabar, seu Edgar, de autoria do combativo Oduvaldo Vianna Filho. Sem falar na sua posterior atuação junto à diretoria do Teatro de Arena.<br>
Estava pronto o terreno para que Lyra transformasse a bossa do amor, do sorriso e da flor numa música mais pé no chão, em sintonia com uma realidade que já começava a dar os sinais da inconstância política. Lyra entrou logo para a turma dos dissidentes, dos engajados, desafinando todos os coros formados pelos contentes com a estética cool (e já distante naquele momento) do canto e da poesia de João Gilberto e Cia. O terceiro disco de Lyra, lançado em 1963, já trazia Influência do Jazz e Aruanda. O samba deixava o apartamento de Zona Sul para subir o morro. Na contramão, Zé Keti, João do Vale, Nelson Cavaquinho e Cartola iam para o asfalto (e para o CPC) mostrar que nem tudo eram flores no Brasil de 1963 e 1964. Lyra já sabia disso. A consciente Canção do Subdesenvolvido - composta por ele em 1963, em parceria com Chico de Assis - já explicitava uma ideologia incômoda para setores mais conservadores.<br>
O tempo fechou com o golpe militar de 1964 e a saída, para Lyra, foi o auto-exílio. De 1964 a 1971, Lyra esteve fora do Brasil. No exterior, ele percebeu que os dois universos bossa-novistas não eram tão incompatíveis assim.
Tocou com Stan Getz nos Estados Unidos e gravou dois discos no México. E, no entanto era preciso cantar e tocar também no Brasil. De volta a seu país, Lyra regravou seus próprios clássicos. A massa alienada não se esquecia das lindas melodias bossa-novistas, mas a consciência do compositor gritava mais alto. Depois de três discos lançados sem o mesmo impacto de seus antecessores, o autor de Feio não é bonito radicaliza com o incisivo Herói do medo (Continental, 1974) - disco de letras propositalmente dúbias, que tentavam lembrar que, enquanto a multidão driblava a consciência com os gols da seleção e os lances das novelas de televisão, gente era torturada e morta na luta pela democracia. Mas a pressão era grande. Resultado: um disco censurado e um segundo auto-exílio. Em 1974, Lyra foi para Los Angeles, retornando dois anos depois para cantar em incessantes "shows", as melodias que todos ainda queriam ouvir. O "revival" parece interminável. Não chegava de saudade. Lançado em 1984, o "show" 25 Anos de Bossa Nova dura cinco anos e resulta no homônimo disco ao vivo, nas lojas em 1987. Preso a uma época áurea, Lyra segue repetidas vezes os caminhos elogiados por Tom Jobim. E esses caminhos são, e sempre serão, trilhas das mais inspiradas da música brasileira.

Mauro Ferreira

Promoção do Blog do Henrique
and the winner is...

 E a blogueira vencedora é Vera Barbosa. Ela respondeu à enquete no dia 29/10 e escolheu o livro de Lya Luft, Perdas e Ganhos. Veja o comentário:

"Ainda não li essa autora, apenas alguns fragmentos na net. Contudo, ouço falar muito bem dela. Seria uma boa oportunidade para conhecê-la."

Parabéns Vera e obrigado pela sua participação. Logo, entrarei em contato por e-mail para acertamos os dados de entrega do brinde, ok?

A todos que participaram, agradeço de coração. Em breve, o blog do Henrique irá realizar novos concursos. Até mais!

a vencedora deverá responder ao e-mail enviado até a próxima quarta-feira, dia 03 de novembro. Caso não o faça, perderá o direito ao brinde, repassando-o para outro participante

Comportamento Geral

Após as eleições municipais

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado!
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã “Seu” Zé
Se acabarem com teu carnaval

Você deve aprender a baixar a cabeça
e dizer sempre muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um “Fuscão” no juízo final
e diploma de bem comportado

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba e amanhã “Seu” Zé
Se acabarem com teu carnaval

Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
E um “Fuscão” no juízo final

Você merece
Um diploma de bem comportado
Você merece
Esquecer que está desempregado
Você merece.

 Gonzaguinha, filho adotivo de Luiz Gonzaga, nasceu no dia 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro. Herdou dele o nome, Luiz Gonzaga Nascimento Filho e, como o pai, tinha o talento para a música. Sua mãe, Odiléia, era uma cantora e dançarina que morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos. Gonzaguinha participava de festivais e já começava a despontar pelas suas letras sempre com forte teor social. Aliás, essa era uma marca em sua carreira. Suas letras eram provocativas e, em virtude do regime militar, estava sempre tendo que driblar a censura. Era agressivo e irônico. Com o passar do tempo percebeu que suas letras não alcançavam o público que ele queria tocar. Assim, deu uma guinada na carreira e começou a ser mais leve. De certa forma, os tempos haviam mudado e o discurso foi se adaptando às circunstâncias.

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Pão e Poesia - Simone

"Um cantinho, um violão. Este amor, uma canção. Pra fazer feliz a quem se ama. Muita calma pra pensar. E ter tempo pra sonhar. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor - que lindo! Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente desse mundo... Ao encontrar você, eu conheci o que é felicidade, meu amor." (Corcovado - Tom Jobim)

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BRASIL, Sudeste, Mulher

 


"Música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia"
Ben Jor




*Uma brasileira*

Paulistana da gema.
Ariana, 43 anos, jornalista. Música é o que mais me alimenta a alma. Esse espaço é destinado a quem prestigia a Música Popular Brasileira. O objetivo é difundir o que temos de melhor, fazer amigos, ampliar o repertório e estimular o conhecimento.
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