Pão e Poesia por Vera Barbosa - UOL Blog
Sábado em Copacabana

(Tudo o que eu queria hoje!)

Depois de trabalhar toda a semana
Meu sábado não vou desperdiçar
Já fiz o meu programa pra esta noite
E sei por onde começar
Um bom lugar para encontrar: Copacabana
Pra passear à beira-mar: Copacabana
Depois, num bar, à meia-luz: Copacabana
Eu esperei por essa noite uma semana
Um bom jantar, depois dançar: Copacabana
Um só lugar para se amar: Copacabana
A noite passa tão depressa, mas vou voltar lá pra semana
Se eu encontrar um novo amor
Copacabana

O que é que o baiano tem?

Caymmi nasceu em 30 de abril de 1914 e é responsável, em grande parte, pela imagem que a Bahia tem hoje. Seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros. Em Salvador, teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936. Dois anos mais tarde, foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Mas, incentivado pelos amigos, resolveu enveredar para a música.

Primeiro, por obra do acaso, teve sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda. Em seguida, "O Mar" foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Daí em diante, seu prestígio foi se ampliando. Passou a atuar na Rádio Nacional, onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou em 1940 e permanece casado até hoje. Seus filhos Dori, Danilo e Nana também são músicos. As canções que celebrizaram Caymmi versam na maioria das vezes sobre temas praieiros ou sobre a Bahia e as belezas da terra, o que colaborou para fixar, de certa forma, uma imagem do Brasil para o exterior e para os próprios brasileiros.

Algumas das mais marcantes são "A Lenda do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não tem solução", "João Valentão", "Maracangalha", "Saudade de Itapoã", "Doralice", "Samba da minha terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos pescadores", "Nem eu", "Nunca mais", "Saudade da Bahia", "Dora", "Oração pra Mãe Menininha", "Rosa morena", "Eu Não Tenho Onde Morar", "Promessa de Pescador", "Das Rosas".

Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas.

Texto adaptado do site Cifra Antiga

Veja Discografia Completa em Sombras 

 Bibliografia

    Capa do Disco

    Cancioneiro da Bahia
    Dorival Caymmi - Editora Record
    1978

    Capa do Disco

    Dorival Caymmi SongBook
    Almir Chediak - Lumiar Editora - 2 Volumes
    1994

Alvorada lá no morro

Que beleza!

 

Cartola nasceu no Rio de Janeiro e ganhou esse apelido porque, quando pedreiro, usava um chapéu coco para que o cimento não grudasse em seus cabelos. Quem poderia imaginar que esse seria um dos mairores ícones de nossa música?

Fez somente o primário e trabalhou como pedreiro, pintor de paredes, lavador de carros e vigia de prédios. O dom musical seria seu companheiro por toda a vida. Na década de 20, juntou o pessoal da Mangueira, escolheu o nome Estação Primeira de Mangueira, adotou as cores verde e rosa e criou sua própria escola de samba. No primeiro desfile, na Praça Onze (com o samba enredo Chega de Demanda), a Mangueira ganhou o primeiro título e o Brasil conheceu o maior fenômeno do carnaval carioca.

Seu principal parceiro foi Carlos Cachaça. Numa madrugada, quando desciam o morro, ficaram impressionados com a beleza dos primeiros raios de sol iluminando aquele cenário. Foi então que fizeram a primeira parte de "Alvorada". Na casa de Hermínio Bello de Carvalho, veio a segunda parte: Hermínio criando a letra e Cartola, a melodia. Com Clara Nunes, uma das primeiras gravações, a música foi lançada com o título de "Alvorada no morro".

Impossível falar em samba sem citar Cartola. Algumas de suas canções, como Acontece, Alvorada, As Rosas Não Falam e O Mundo é um Moinho, foram regravadas por inúmeros intérpretes. O dom inegável e o talento assombroso o acompanharam durante toda a vida.

Certa ocasião, assisti a um show de Leny Andrade, que contou um fato curioso à platéia. Segundo ela, a música A vida é um moinho - ao contrário do que muita gente pensa - foi feita para a filha dele, que estava "desandando". Cartola, furioso, compôs a canção numa noite em que ela não voltou para dormir em casa. Pela manhã, ao chegar, deu de cara com o pai que, num gesto de indignação e muito bravo, disse-lhe: "Toma: fiz essa música pra você!". Daí, dentre outras coisas, a letra dizer "o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos". Só mesmo Cartola!

Outro fato, que talvez poucos saibam, é que somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, foi que Cartola gravou o primeiro LP, que levava no título o seu nome.

Seus sambas fizeram muito sucesso. Cartola, entretanto, morreu pobre, morando numa casa doada pela prefeitura do Rio de Janeiro. Seu nome é patrimônio da Música Popular Brasileira. Suas canções, imortais.

Dicas de CD's:

O Mundo é Um Moinho
A Música Brasileira Deste Século Por Seus Autores e Intérpretes
Cartola ao vivo

O Mundo é Um Moinho    

Meu nome é Gal

Baby, Tigresa, Fatal, Profana, Plural

Unas num canto, numa voz

O fascínio que Gal Costa exerce sobre mim é único. Indescritível. Quem me conhece sabe. Muitos não compreendem. Toda e qualquer coisa que eu disser, para justificar o poder dessa voz em minha vida, será pouco. Ou quase nada. Portanto, limito-me a sentir. Senti-la, melhor dizendo. Deixo que ela me invada e me leve consigo. E vou. Em cada acorde, cada tom. É assim.

Quando fecho os olhos
Chico César e Carlos Rennó

E aí você surgiu na minha frente
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão
Senti no ar a força diferente
De um momento eternos desde então

E, assim, dentro de mim você demora
Já tornou-se parte mesmo do meu ser
E, agora, em qualquer parte, a qualquer hora
Quando eu fecho os olhos, vejo só você

E cada um de nós é um a sós
E uma só pessoa somos nós
Unos num canto
Numa voz

O amor une os amantes como um ímã
E, num enigma claro, se traduz
Extremos se atraem, se aproximam
E se completam como sombra e luz

E, assim, viemos nos assemelhando
Nos assimilando, a nos absorver
E, agora, não tem onde, não tem quando
Quando eu fecho os olhos, vejo só você

E cada um de nós é um a sós
E uma só pessoa somos nós
Unos num canto
Numa voz

Diamante Verdadeiro

Algumas atitudes (ou realidades) de Maria Bethânia, como a ausência de medo no palco, o humor, a entrega, o gosto pelo risco e a liberdade, tornaram-se metas que persigo com disciplina. 
Alguns rigores de Maria Bethânia, como o de fazer tudo o que faz muito bonito para que as pessoas pensem sobre a beleza me interessam cada dia mais. O respeito que Maria Bethânia nutre pelo próprio talento eu invejo sem poder disfarçar. Algumas clarezas de Maria Bethânia foram e são para mim como grandes lições de síntese.
(
Adriana Calcanhotto)

Como pessoa soberana nesse mundo, eu vou fundo na existência

No estúdio Floresta, instalado aos pés da Tijuca, a maior floresta urbana tropical, Maria Bethânia preparou a versão para o palco de "Brasileirinho", o álbum de seu retorno, lançado no Brasil no final de 2003. O disco foi concebido com canções e poetas que recitam poemas - por exemplo, Ferreira Gullar lendo Mario de Andrade. Arranjos barrocos, tambores, elementos da miscigenação, tudo conduzido por esta voz grave tão peculiar, "que se clarificou quando me tornei cinqüentona. Eu trabalho muito. Então a minha voz cresce, ela aprendeu a utilizar as nuances, as cores".

"Brasileirinho" segue "Maricotinha", lançado em 2001, que é o diminutivo de Maricota, um apelido dados pelos seus familiares a Maria Bethânia. "Eu preciso de diminutivos, porque este é um sinal de delicadeza, uma qualidade que desapareceu da face da Terra, em proveito do que é duro, seco, gelado, cortante. Eu procuro uma abordagem doce, respeitosa. Braços oferecidos, mãos enlaçadas".

E o que é a poesia? "É uma pétala de flor jogada no abismo, o máximo da delicadeza".

Texto extraído do Uol (adaptado)

Quem nasce lá na Vila...

...Nem sequer vacila ao abraçar o samba!

Noel nasceu em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, RJ. Aprendeu a tocar bandolim com sua mãe e, com o tempo, adotou o instrumento que seu pai tocava, o violão. Em 1929, juntamente com Almirante e João de Barro - o Braguinha - (colegas de Vila Isabel), formaram o Bando dos Tangarás. O repertório do conjunto era de cantigas de inspiração nordestina, de acordo com a moda do momento. Ainda em 1929, compôs a embolada "Minha Viola" e a toada "Festa no Céu".

Quase estudou medicina, mas encontrou na música o seu melhor. Gostava da boemia, tudo que ganhava (poucos trocados) era gasto com mulheres e bebida. Só relaxava cantando e bebendo, pois era tímido e tinha vergonha da marca que trazia no rosto. Tinha uma saúde frágil desde criança. Assim, sua mãe vivia lhe pedindo que ficasse em casa. Certa vez, sabendo que Noel iria a uma festa, escondeu todas as suas roupas. Quando os amigos chegaram, Noel gritou: "Com que roupa?", sua inspiração para o primeiro grande sucesso, gravado em 1931, e que vendeu 15000 discos. 

Em 1933, compõe um samba super atual, "Onde está a Honestidade?", sobre os corruptos que infestam a sociedade desde aquela época, e que ficou bem conhecido na voz de Beth Carvalho. No início de 1934, compôs "Rapaz Folgado", uma resposta a "Lenço no Pescoço", de Wilson Batista. Depois, Noel compôs o grande sucesso "Feitiço da Vila", ao qual Wilson respondeu com "Frankeisten da Vila", sendo retrucado por Noel com "Palpite Infeliz". Para finalizar a polêmica, Wilsom fez "Terra de Cego".

Noel continuou Boemio, freqüentando a Lapa, alimentando-se mal e cometendo excessos. Morreu de tuberculose, em 1937, em sua casa  na Vila Isabel.

Feitiço da Vila
Noel Rosa e Vadico

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo

Lá, em Vila Isabel, quem é bacharel
Não tem  medo de bamba
São Paulo dá café, Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba

A Vila tem um feitiço sem farofa    
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente que prende a gente

O sol na Vila é triste
Samba não assiste porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus, não venha agora
Que as morenas vão logo embora

Eu sei tudo o que faço
Sei por onde passo
Paixão não me aniquila
Mas tenho que dizer:
Modéstia à parte, meus senhores
Eu sou da Vila!

Outras composições:

Adeus
As Pastorinhas
Conversa de Botequim
Feitio de Oração
Fita Amarela
Gago Apaixonado
Mulher Indigesta
Pierrô Apaixonado
Por Causa da Hora
Pra Que Mentir
Coisas Nossas
Três Apitos
Triste Cuíca
Último Desejo

Letras cifradas de Noel
Tributo a Noel

O Brazil não conhece o Brasil

E você...conhece?

 Aldir Blanc e Maurício Tapajós 

Querelas do Brasil

O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapi, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aquiataúde
Piau, carioca, moreca, meganha
Jobim akarare e jobim açu
Oh, oh, oh
Pererê, camará, gororô, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E marionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos do jobim açu
Oh, oh, oh
Gererê, sarará, cururu, olerê
Ratatá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, olará
Cascadura, Água Santa, Pari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Do Brasil S.O.S. ao Brasil

Nota: Elis imortalizou essa canção no disco Transversal do Tempo, 1978.

Como uma estrela... Agora, eu sou uma estrela!

Eternamente Elis

Arte: Antonio Fernando dos Anjos,

Cantar é para poucos.
Estava relembrando Elis. Sua voz, sua energia e tudo o que ela punha para fora em suas interpretações. Certa ocasião, ela disse que "se Deus cantasse, teria a voz de Milton Nascimento". Concordo, Milton é um gênio e sua voz, um bálsamo para meus ouvidos. Entretanto, a deusa Elis semeou paixão, ódio, prazer, ternura, amor e tantos outros sentimentos em tudo que sua voz cantou. Infelizmente, nunca fui a um show dela. Naquela época, os pais eram mais rigorosos (e a censura também!), e eu não podia sair sozinha. Sempre pedia que me levassem, mas ninguém levava. "Bobagem", diziam. Era apenas um capricho de menina.

Eu devora seus discos (o pouco que havia em casa) e ouvia Cultura AM, pois era onde mais tocava Elis, a voz límpida, cristalina, perfeita! Admirava seu jeito irreverente, autêntico, me percebia nela, uma identidade fantástica. Sou meio pimenta, um tanto arredia e abusada e tenho paixão por música. Muita afinidade.
Quando ela morreu (apenas uma pausa, pois estrelas não morrem), levou um pedaço meu. Eu tinha uns 15 anos e fiquei arrasada. Por vezes, ficava a pensar nela (e ainda fico!), pedindo a Deus que ela aparecesse e cantasse pra mim. Tenho saudade que, às vezes, chega a cortar. Daí, ouço um disco e amenizo um pouco a ausência.

Bibliografia:

Furacão Elis

Eles e Eu - Memórias de Ronaldo Bôscoli
Luiz Carlos Maciel & Angela Chaves - Editora Nova Fronteira
1994

Furacão Elis

Furacão Elis
Regina Echeverria - Editorial Nordica
1995

Discografia completa
(Clique no link!)

Som e Poesia

Adriana nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 03 de outubro (dia do aniversário de sua mãe e também de Orlando Silva) de 1965. Filha de Carlos Alfredo Calcanhotto, baterista de jazz e bossa nova, e Morgada Assumpção Cunha, bailarina e professora de Educação Física. Ouvia rádio AM com a babá e, com os pais, o repertório deles, de Astor Piazzolla e Pink Floyd a Miles Davis e João Gilberto, passando por Edson Machado. Fez aulas de violão, piano e técnica vocal. Em 1979, descobriu os discos de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Luiz Melodia, Elis Regina e MPB em geral. Leu diversos livros sobre o Modernismo no Brasil, descobriu Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Pagu e as idéias antropofágicas, que a fascinaram. Em 1984, saiu de casa e começou a cantar e tocar profissionalmente em bares e casas noturnas de Porto Alegre. Em 1990, gravou Enguiço, seu primeiro disco e iniciou sua trajetória brilhante como compositora e intérprete.

Discos:

Enguiço - 1990

Senhas - 1992

A fábrica do poema - 1994

Maritmo - 1998

Público - 2000

Cantada - 2002

Adriana Partimpim - 2004

Um doce bárbaro

Gilberto Passos Gil Moreira nasce em Salvador, no dia 26 de junho de 1942. Três semanas após o nascimento, sua mãe o leva para o interior, onde a família já residia. É na pequena cidade de Ituaçu que transcorre a tranquila e alegre infância do menino Gilberto. A vocação musical desperta cedo em sua vida: aos três anos de idade já manifesta o desejo de ser músico, fascinado pelos sons da banda local, do sanfoneiro Cinézio e dos cantadores e violeiros. Ouvia com atenção os grandes sucessos das rádios do Rio de Janeiro, e nos dois ou três gramofones da cidade, os poucos discos que chegavam, como os de Orlando Silva, Bob Nelson e Luiz Gonzaga. Em 1952 Gilberto e sua irmã vão estudar em Salvador. É admitido no Colégio dos Irmãos Maristas e matricula-se, no mesmo ano, numa academia de acordeom. Na capital, seu universo ainda predominantemente rural entra em contato com os rítmos litorâneos, deixando-se cativar pela música de Dorival Caymmi. Os novos estilos vindos do Sul do país e o Jazz das Big Bands despertam seu interesse. Aos 18 anos de idade forma com amigos o conjunto "Os Desafinados", onde reveza no acordeom e vibrafone. O mundo da harmonia moderna já se tornara importante em sua vida, mas a grande virada se dará com o impacto causado por uma das mais relevantes personalidades da música popular brasileira...

A NOVIDADE
música de Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone
letra de Gilberto Gil
1986


A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de baleia
A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total

Visite Onda azul, site da Fundação Ambientalista presidida por Gilberto Gil.

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre, RS, em 19 de setembro de 1914. Foi o inventor do termo "dor-de-cotovelo". Este termo, ao contrário do que se propagou como inveja - se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um Whisky duplo, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu. Lupe, como era chamado desde pequeno, tinha três grandes paixões em sua vida: a música, o bar e as mulheres. A música poderia ter convivido com tranqüilidade com as outras duas, mas as mulheres em sua vida jamais entenderam ou conviveram com sua paixão pela boemia.

Constantemente abandonado, Lupicínio buscava em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam braçados, afogando as mágoas na mesa de um bar - onde, finalmente, conseguia unir suas paixões: amor, música e boemia. Com versos profundos, conseguia tocar todos os corações que paravam para ouvi-lo, dando, a cada um, a sua própria história.

Em 1932, quando já atuava como cantor, foi ouvido e muito elogiado por Noel Rosa, então em excursão pelo Sul com Francisco Alves. Quatro anos depois veio a primeira gravação de suas composições, pela Victor: um compacto com "Triste História" e "Pergunte a Meus Tamancos", ambas em parceria com Alcides Gonçalves, que seria também co-autor de outros sambas-canção como "Castigo", "Maria Rosa" e "Cadeira Vazia". Um de seus maiores sucessos, "Se Acaso Você Chegasse" (com Felisberto Martins), foi gravado pela primeira vez por Cyro Monteiro, em 1938. A música ficou tão popular que Lupicínio foi para o Rio, onde conheceu Francisco Alves, que gravaria muitas de suas canções, como "Nervos de Aço" (1947) e a magistral "Esses Moços" (1948). Num caso raro na MPB, "Se Acaso Você Chegasse" foi regravada com estrondoso sucesso em 1959 por Elza Soares e lançou a cantora no mercado. "Vingança", gravada por Linda Batista em 1951, foi outro sucesso retumbante, inspirado na amargura em que vivia uma mulher que o havia traído. As regravações foram numerosas: Paulinho da Viola ("Nervos de Aço"), Caetano Veloso ("Felicidade"), Elis Regina ("Cadeira Vazia"), Zizi Possi ("Nunca"), Leny Andrade ("Esses Moços") e Gal Costa ("Volta") são alguns exemplos. Mas seu mais importante intérprete é Jamelão, que gravou dois discos dedicados à sua obra em 1972 e 1987, acompanhado pela Orquestra Tabajara do maestro Severino Araújo. Lupicínio participou do V Festival de Música Popular Brasileira da TV Record em 1969 com a música "Primavera", defendida por Isaura Garcia.

Ninguém soube, como ele, cantar a dor e a desilusão de forma tão genial, sem cair em clichês e lugares comuns. Todas as pessoas que um dia choraram um amor, ergueram sem dúvida um brinde a Lupicínio. Faleceu em Porto Alegre, RS, em 27 de agosto de 1974.

Bituca

Milton solta a voz e já não quer parar

Cidadão do mundo, em sua travessia, encanta moças, flores, janelas e quintais.
E vai cantando sua verdade - que também é minha - nos bares, bailes da vida, no morro, no cais. E meu coração se aquece... abrigo. O amor invade, queima, encoraja... Suas canções cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz? Ah! Pobre de quem é um e nunca será dois por não saber.

Milton, seu canto meu deleite!

Notícias do Brasil (Os pássaros trazem)
(Milton Nascimento/ Fernando Brandt)

Uma notícia tá chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, Recife e de Natal.

A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul.

Aqui vive um povo que merece mais respeito, sabe?
E belo é o povo como é belo todo amor.
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar.

O canto mais belo será sempre mais sincero, sabe?
E tudo quanto é belo será sempre de espantar.
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar.

A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul
Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer desse lugar um bom país.

Uma notícia tá chegando lá do interior
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil
Não vai fazer desse lugar um bom país

Escute o programa TODAS AS ESQUINAS DO BRASIL.
Aos sábados, às 18h, na
Brasil FM

Cancioneiro Jobim

Primeiro volume de coleção de livros com partituras de músicas de Tom

Primeiro volume de uma série que tem o objetivo de abranger toda a obra de Tom Jobim. Com excelente apresentação gráfica, o livro contém partituras de 42 músicas de Tom, textos biográficos em português e inglês, e um sem número de fotos e reproduções de manuscritos de Tom Jobim e de alguns de seus parceiros. As partituras são transcrições para piano, feitas a partir de 1960, e assinadas por Eumir Deodato, Claus Ogerman, Paulo Jobim, e pelo próprio Tom. Fornecendo maiores detalhes de execução aos pianistas, as versões de Deodato e Ogerman são mais minuciosas e próximas da maneira como Tom tocava. As partituras de Tom valem pela importância histórica e por apresentarem a visão do compositor, sem intermediários. As transcrições assinadas por Paulo Jobim agradarão mais aos principiantes, com uma escrita de maior facilidade de execução, incluindo cifras. Em contrapartida, sente-se falta da riqueza de detalhes e da elegância do toque do maestro. No todo, o livro é altamente recomendável a todos os admiradores de Tom, músicos ou não. Lançado em dezembro de 2000, pela Jobim Music em parceria com a Casa da Palavra.


Tom, o maestro soberano

Realidade brasileira

Haiti
Caetano Veloso e Gilberto Gil, letra de Caetano Veloso - 1993

Quando você for convidado pra subir no adro
Da Fundação Casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
E outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque, um batuque com a pureza
De meninos uniformizados
De escola secundária em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada
Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém
Ninguém é cidadão
Se você for ver a festa do Pelô
E se você não for
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico
Mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo
Qualquer qualquer
Plano de educação
Que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino de primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua
Sobre um saco brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina
111 presos indefesos
Mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos
Ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres
E todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti
Reze pelo Haiti

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

O Haiti é aqui
Luiz Caversan - 24/04/2004

Mais de uma dezena de mortos em plena zona sul do Rio, mais de duas dezenas de garimpeiros massacrados por índios na selva amazônica, mais de uma dezena de presos mortos em Rondônia, alguns deles degolados por seus companheiros como se fossem, na descrição de uma testemunha, "galinhas".

E dizem que a guerra é no Iraque, que a miséria e a barbárie estão no Haiti.

Não, ainda uma vez é preciso dizer, como o fez Caetano Veloso anos atrás, que o Haiti é aqui.

O governo Lula disse que mandaria uma força de paz ao Haiti para ajudar na reconstrução do país. Agora titubeia, diante do preço da fatura: R$ 300 milhões. Com esse dinheiro, que não é suficiente para reconstruir aquele país, seria pelo menos viável retardar um pouco mais a destruição do nosso, pôr um pouco de ordem na guerra do tráfico do Rio, para um mínimo de proteção à população ilhada e humilhada.

Até abomináveis minas terrestres, a mais covarde das mais covardes das armas de guerra, foram detectadas por aqui nesse abril despedaçado.

Os fatos registrados no garimpo e no presídio de Rondônia chocam, enojam, repugnam.

A guerra diária da Cidade Maravilhosa deixa as pessoas de bem do Rio, além de indignadas e acuadas, tristes e desacorçoadas. Tristeza que nos contagia a todos.

Sob o título "Quase gente" publiquei nada menos que nove anos atrás um artigo na página 2 da Folha no qual abordava a conflagração eterna dos morros do Rio e fazia referência à música de Caetano, "Haiti".

Tanto amor para amar e que a gente nem sabe!

Vinicius de Moraes - poeta e letrista

Poeta, compositor, intérprete e diplomata brasileiro, nasceu no Rio em 19/10/13 e faleceu na mesma cidade em 09/07/80. Escreveu seu primeiro poema aos sete anos. Fez curso de Direito no Rio e de Literatura Inglesa em Oxford. Ingressou na carreira diplomática, por concurso, em 1943, tendo servido como vice-cônsul em Los Angeles (1947-50), o que abriu sua temática, posteriormente enriquecida pelo seu interesse em teatro e cinema. Serviu também em Paris (duas vezes) e Montevidéu.
Interessado em cinema desde estudante, foi crítico e censor cinematográfico. Como delegado brasileiro, participou de vários festivais internacionais de cinema (Cannes, Berlim, Locarno, Veneza e Punta del Leste) e, em 1966, foi membro do Júri Internacional de Cannes).
Aos 19 anos publica seu primeiro livro de versos, Caminho para a Distância, e aos 22, Forma e Exegese (ganhador do Prêmio Felipe d'Oliveira de 1935). Em 1936 sai Ariana, a Mulher, que é o apogeu de sua primeira fase, impregnada de sentido místico. Começou então a usar uma sintaxe mais popular, e sua lírica se carrega de sensualismo a partir de Cinco Elegias (1938) e Poemas, Sonetos e Baladas (1948), enriquecendo-se depois com temas de sentido social. Publica também Livro de Sonetos, Procura-se uma Rosa e Para Viver um Grande Amor. O lirismo (muitas vezes sensual) é a sua marca registrada.
Seu drama Orfeu da Conceição (1953), montado para o teatro em 1956 e transposto para o cinema por Macel Camus em 1959 (como Orfeu Negro), ganhou neste ano a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de Hollywood como o melhor filme estrangeiro.
Na década de 60, junta-se a jovens músicos no movimento conhecido como Bossa Nova, mesclando elementos de samba e jazz. Comporia, junto com Tom Jobim, a música Garota de Ipanema, símbolo de uma época. Uma grande quantidade de poemas seus foi posteriormente musicada. Escreveu também poesias infantis.

Apesar de você

É fundamental não deixar a censura cair no esquecimento. A sociedade deve saber que, no Brasil, a manipulação e ocultação da informação já foi norma para impedir que o cidadão tivesse opinião própria. Nelson Motta, Ricardo Cravo Albin e Zuza Homem de Mello abordam o tema. O jornalista, produtor musical, compositor e escritor Nelson Motta era colunista no Rio de Janeiro na época da ditadura, e cita o contexto musical da época em seu livro Noites Tropicais. Ricardo Cravo Albin é jornalista, escritor, pesquisador de MPB e escreveu, entre outros, Driblando a Censura: De como o Cutelo Invadiu a Cultura. O musicólogo, crítico, jornalista e produtor Zuza Homem de Mello é autor de Era dos Festivais - Uma Parábola, em que analisa o modo como os militares interferiram na MPB, que foi se transformando em peça de resistência ao regime.

A timidez de Chico Buarque é conhecida. Até hoje, ele se sente pouco à vontade nas apresentações em palco. No entanto, esse perfil não o impede de ser considerado um dos maiores símbolos brasileiros. Produtor de trilhas para cinema e teatro, escritor de romances, autor de grandes obras da MPB.
Francisco Buarque de Hollanda, o menino que fazia música de protesto nos tempos da ditadura e virou um dos maiores cidadãos do Brasil, teve muitas músicas censuradas. Cálice, abaixo, é uma delas.
 
Cálice

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a proca já não anda
De muito suada a faca já não corta
Como é difícilo, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontgade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

Nota sobre Cálice
Por Humberto Werneck
"Nem sempre, porém, os problemas eram apenas com a censura, como ficou demonstrado no caso de Cálice. A música foi composta por Chico e Gilberto Gil, no clima pesado de uma Sexta-feira Santa, para o show Phono 73, que a gravadora Phonogram (ex Philips, e depois Polygram) organizou no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, em maio de 1973. Como a censura havia proibido a letra, os dois autores decidiram cantar apenas a melodia, pontuando-a com a palavra cálice - mas nem mesmo isto foi possível. Segundo o relato do Jornal da Tarde, a Phonogram resolveu cortar o som dos microfones de Chico, para evitar que a música, mesmo sem a letra, fosse apresentada.'"© Copyright Humberto Werneck in Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989

Leia mais sobre Cálice em Zuza_cálice

Chico de Hollanda, de aqui e de alhures

"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloqüentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam. Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."

Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998

Todas as coisas e eu

Meu zen, meu bem

Uma voz. Tantas canções. Em cada uma delas, uma faceta de Gal. A mulher de todas as coisas. Baby Gal. Minha honey baby. Tropical. Tigresa. Fatal. A Gal romântica, profana, plural. A mina d'água do meu canto.

No cenário, as folhas secas. E além das cortinas? Ela. Um cantinho, um violão... Acende o crepúsculo! Aqui, essa menina que você seduz. Você, Gal, no fundo, é uma atriz saída de outra peça. Pelo inferno e céu de todo o (meu) dia, é você quem conduz.

Em cada arranjo, uma viagem. De volta ao começo. Dimensão. Gal nostálgica. Dorival Caymmi, João de Barro, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso, Humbero Teixeira, Haroldo Barbosa, Dolores Duran, Jair Amorim, Nelson Cavaquinho... Gal de tantos amores!

Os músicos, um sinal. Evidência de que um intérprete não brilha sozinho. Comunhão. Sintonia. Um bem-bom de acordes. Arte e técnica. Sensibilidade à flor da pele.

A verdadeira baiana sabe ser salsa, valsa e samba quando quer! Olha o jeito nas "cadera" que ela sabe dar! Morena boa que me faz penar! Uma pitada de blues, outras vezes, um tanto jazz.

De camisa amarela ou no vestido preto, elegância básica: e indispensável. Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada. Ah! Ela abusa! E joga, vira, mexe os fios... Afinal, música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia!

Minha musa. Minha diva. Gal, divina e maravilhosa!

Eu e Gal, no camarim, logo após o show do dia 25/06.

Chora tua tristeza

Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini

Chora
Que a tristeza foge do teu olhar
Brincando de esquecer, saudade vai passar
E amor já vai chegar

Então
Canta que a beleza
Volta pra te encantar
Num sonho tão pequeno
Que o dia escondeu
Guardando pra te dar

Como é bonito gostar
E querer ficar
Com alguém pra quem possa dizer
Olha quantas estrelas
Nascem pra te encontrar
Depois do céu azul
A noite vai chegar
E eu pra te amar

Gal volta a se apresentar no Directv Music Hall de 11 a 14 de novembro. Imperdível!!!

Acesse também  "Todas as coisas e eu", meu fotoblog sobre Gal Costa.

Carinhoso

Olá, pessoal!

Migrei do weblogger há alguns dias e, hoje, acabei de reconstruir minha página. Levei um bom tempo fazendo todas as adaptações necessárias e gostei muito do resultado. Desejo que vocês apreciem e explorem os inúmeros links. Escolhi cada item com muito carinho, levei horas pesquisando e quero compartilhar minha alegria com todos que me visitarem. Nossa música é riquíssima e, como Caetano disse com muita felicidade, "Absurdo, o Brasil pode ser um absurdo/ Até aí, tudo bem, nada mal/ Pode ser um absurdo, mas ele não é surdo/ Brasil tem ouvido musical/ Que não é normal". É nosso dever prestigiar e divulgar os talentos da MPB, bem como discutir as várias facetas que ela assume ao longo da história. As letras existem para ser sentidas, compreendidas, apreciadas em todo o seu conteúdo. Elas têm o poder de questionar as mazelas socioeconômicas, culturais e políticas do Brasil. Portanto, há muito a ser descoberto. Bem-vindos!

Abraços a todos!

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Pão e Poesia - Simone

"Um cantinho, um violão. Este amor, uma canção. Pra fazer feliz a quem se ama. Muita calma pra pensar. E ter tempo pra sonhar. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor - que lindo! Quero a vida sempre assim, com você perto de mim, até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente desse mundo... Ao encontrar você, eu conheci o que é felicidade, meu amor." (Corcovado - Tom Jobim)

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"Música na cabeça é carinho, alegria, inteligência, fantasia, prazer, doçura, energia, paixão e poesia"
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Ariana, 43 anos, jornalista. Música é o que mais me alimenta a alma. Esse espaço é destinado a quem prestigia a Música Popular Brasileira. O objetivo é difundir o que temos de melhor, fazer amigos, ampliar o repertório e estimular o conhecimento.
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